Crítica | ‘Juliet, Nua e crua’ foge dos clichês e surpreende

Em um filme divertido, engraçado e cheio de charme, Juliet, Nua e crua consegue sair das previsibilidades das comédias românticas e ser uma grata surpresa. Adaptado do livro do mesmo autor de Alta Fidelidade, o longa ainda conta com Rose Byrne, Ethan Hawke e Chris O’Dowd em seu elenco.

O filme gira em torno de Annie (Byrne), que está em um relacionamento com Duncan (O’Dowd), um fã obsessivo do rockeiro em longa pausa Tucker Crowe (Hawke). Com suas reviravoltas, o ex-astro entra em contato com Annie, e os dois começam a desenvolver uma amizade por meio da troca de e-mails.

Annie é cheia de vida, inteligente e carismática, e percebemos logo nos minutos iniciais o quão insatisfeita ela tem ficado com seu relacionamento ao longo dos anos. Duncan tem a mente fechada, é esnobe e dá muito mais atenção ao seu ídolo do que à namorada. Além das personalidades opostas, seus propósitos diferem arduamente, o que leva o espectador a ficar tão incomodado quanto Annie.

Também somos apresentados à Tucker Crowe além da visão de Annie ou de seus entusiastas, o que atribui uma personalidade maior ao personagem e nos faz enxergá-lo como uma pessoa comum dentro do espectro de um astro de rock. Com problemas genéricos, Crowe é desprendido da imagem de gênio da música, mostrada inicialmente por seus adoradores. Essa visão humanizada é um dos pontos fortes do roteiro.

Além disso, a clara influência de Jeff Buckley na criação de Tucker Crowe nos traz uma boa sensação de conforto e familiarização com o personagem. Com reflexos da referência em sua aparência e no estilo de suas músicas, Crowe se distancia ainda mais da visão de artista e é visto como um homem angustiado com as decisões em que tomou na sua vida. No filme, ele ainda tem uma filha chamada “Grace”, título de um dos álbuns de Buckley.

Grace, no entanto, é apenas uma de seus filhos. Apesar de algumas cenas engraçadas, os vários filhos de Tucker Crowe acabam sendo usados somente para gerar mais drama, com alguns toques de humor. Esse fator se torna exagerado por ser constantemente abordado, mas nunca devidamente desenvolvido, especialmente Grace — o maior motivo para a vida de Crowe ter tomado o rumo que o filme mostra.

Ainda assim, Juliet, Nua e crua não deixa de possuir um roteiro inteligente. Contendo personagens com personalidades notáveis, as situações são lidadas de maneira adulta e desse modo, a comédia presente no longa entrega um caráter mais autêntico. O filme foge de circunstâncias clichês, e ao som de uma ótima trilha sonora, compõe um resultado admirável.

Juliet, Nua e crua restabelece o gênero da comédia romântica e nos lembra os diferentes rumos que a categoria pode tomar. Com uma ótima dose de humor e atuações de atores marcantes, o filme consegue gerar uma reflexão pessoal ao mesmo tempo que consegue divertir e prender o espectador.

4

RESUMO

Com bons personagens e um roteiro inteligente, Juliet, Nua e crua restabelece o gênero da comédia romântica e nos lembra os diferentes rumos que a categoria pode tomar.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Rafaella Rosado

Jornalista apaixonada pela sétima arte desde pequena, quando achava que era possível assistir todos os filmes do mundo. Acredita que o cinema é uma arma poderosa de transformar realidades e uma forma de explorar diferentes culturas.