Crítica | Punho de Ferro: 2ª temporada sobe um degrau, mas não surpreende

Em 2018, Jessica Jones e Luke Cage receberam novas temporadas, e o Demolidor também deve ganhar uma nova leva de episódios em breve. Punho de Ferro não fica para trás. Desta forma, 2018 é o primeiro ano em que todos os heróis das séries da Marvel, distribuídas pela Netflix, ganharam temporadas individuais. Isto se excluirmos o Justiceiro, que não faz parte da equipe denominada Defensores.

Mas, como essa breve introdução se relaciona com a segunda temporada de Punho de Ferro? A resposta é bem simples. Ao todo, se levarmos em consideração todos os Defensores, temos até aqui um conjunto de 9 temporadas. Todas elas, a propósito, em grande parte, sofrem dos mesmos males: quantidade grande de episódios, subtramas desnecessárias e uma narrativa que se preocupa em abrigar o drama de seus heróis, se esquecendo por vezes da característica especial e heroica de seus personagens. Em outras palavras: o público anseia por um drama bem construído, mas tem a necessidade de ver estes heróis em ação de forma plena, ou, pelo menos aceitável.

A reboque de todo esse background, a primeira temporada de Punho de Ferro (leia a crítica) apresentou  todos esses problemas, além de diálogos expositivos e cenas de luta mal coreografadas, sem o capricho que uma série de herói que luta uma arte marcial exige. Somando isso ao fato de ser a última das quatro séries a ganhar um seriado individual, todos os vícios percebidos por público e crítica ficaram mais evidentes, tornando a temporada em questão um fracasso crítico, embora tenha sido muito assistida pelos assinantes e fãs.

                                                                                                                                                                                                                                                            No entanto, há um motivo para se comemorar na segunda temporada de Punho de Ferro. Após aparecer em Os Defensores, e marcar presença em uma boa ponta na segunda temporada de Luke Cage, Danny Rand (Finn Jones) torna-se um personagem mais palatável agora. Nota-se um ator muito mais a vontade na pele do personagem, que se em outras oportunidades parecia ser simplesmente intragável, agora se mostra mais equilibrado e maduro.

Há um senso de dever e proteção muito grande permeando o personagem. Sem Matt Murdock em Nova York, supostamente dado como morto após Os Defensores, ele decide proteger a cidade mas sem que isso o torne um personagem marcado por um tormento que seja revertido para o expectador. Muito disso também é reflexo de seu relacionamento com Colleen (Jessica Henwick). Os dois formam um casal que possuem boa química (sobretudo em ação), sendo capaz de transmitir sinceridade.

Durante os seis primeiros episódios liberados pela Netflix para análise, além de um foco mais adulto, nota-se um capricho maior nas coreografias de lutas. A propósito, a série torna-se mais violenta em comparação ao primeiro ano. Porém, a câmera insiste em cortar excessivamente as sequências. É um contraponto às inúmeras cenas de diálogos que permanecem calmamente nos personagem. Por vezes, conversas entre Danny e Collen são mostradas por minutos, utilizando bem o cenário, com uma boa composição de cena. Só que isso não contribui para o andamento da trama. Há também uma quantidade considerável de cenas externas, rodadas em Nova York, trazendo a Chinatown para a tela constantemente, mas a identidade visual marcada pelo verde e amarelo (que grita constantemente nas séries desses heróis) não se faz tão presente desta vez.

Tematicamente, a temporada se baseia no fardo de Danny em assumir o controle da cidade para si. Isso inclui até mesmo tentativas de acordo com a máfia local, e uma vigilância que inclui câmeras de segurança e rondas. Porém, há uma falta de foco latente, que poderia ser melhorada com o emprego de um melhor ritmo na narrativa.

Por outro lado, personagens que também não haviam empolgado no primeiro ano, ganham novos contornos agora. Principalmente os irmãos Ward e Joy Meachum (Jessica Stroup). Os acontecimentos da primeira temporada conseguem influenciar seus comportamentos, que passam um certo ar de dubiedade constante. Tom Pelphrey, em especial, oferece bons momentos, principalmente quando se relaciona com Danny, o que é capaz de surpreender.

O passado de Danny Rand também é explorado. O segundo episódio, em especial, finalmente oferece uma boa visão de K’un-Lun, o que poderia ter sido mostrado tranquilamente na primeira temporada. Davos (Sacha Dhawan) é um personagem importante desta vez, embora haja um deslocamento que o subaproveita bastante, principalmente em função do roteiro pouco objetivo.

Porém, se há um fator que desperta curiosidade nesta temporada é uma nova personagem. Alice Eve interpreta Mary Tyfoid, uma personagem intrigante e que carrega consigo habilidades peculiares e um transtorno mental que dá ao seriado contornos interessantes. Vale a pena conferir esse arco e o que ele poderá render.

Os novos episódios de Punho de Ferro, se colocados em perspectiva aos demais seriados, não representam o que a Marvel/Netflix tem de melhor. Mas, ao contrário de Demolidor e Jessica Jones – com exceção de Luke Cage, que apresentou um ótimo segundo ano – essa nova leva consegue ser mais interessante que a primeira. O espectador que já investiu tempo nesse universo vai sentir a diferença e não deixará de conferir, embora esses episódios estejam longe das brilhantes temporada 1 de Jessica Jones e Demolidor, que ainda e o que há de melhor deste universo até aqui.

PUNHO DE FERRO - SEGUNDA TEMPORADA
2.5

Resumo

A segunda temporada de Punho de Ferro apresenta um herói mais maduro e centrado, mas ainda sofre com problemas de ritmo e equilíbrio em sua narrativa.

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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...