Crítica | Better Call Saul 4×05: ‘Quite a Ride’ olha para o futuro para explicar o presente

Produções em que personagens precisam fugir, largar tudo e recomeçar do zero sempre despertam curiosidade. O senso de urgência e o drama de tais situações são, sem duvida alguma, eventos extremos e difíceis de se imaginar. Em Quite a RideBetter Call Saul nos surpreendeu, alcançou os dias de Breaking Bad e mergulhou nos últimos momentos de Saul Goodman. É curioso observar esse detalhe, justamente no momento em que a série se aproxima cada vez mais do alter-ego de Jimmy Mcguill emergindo.

De maneira geral, a quarta temporada tem sido recheada de informações e referências que expõem cada vez mais as transformações dos personagens. No caso de Jimmy, pequenos detalhes significam muito, desde as rimas visuais até certos diálogos. O episódio abre com papéis sendo triturados por Francesca, e em determinado ponto, Jimmy rasga o papel do psiquiatra e joga no sanitário. Talvez aquele pequeno papel pudesse evitar tudo aquilo que vimos na cena de abertura e durante os eventos de Breaking Bad.

Em uma análise mais ampla, é possível assumir que Better Call Saul vai muito além de um prequel. E além de parte integrante de um universo consolidado construído há 10 anos, é um estudo de personagem, com razões e motivações suficientes para que possamos entender Jimmy. Nas primeiras temporadas, mergulhamos em seu passado para compreender seu presente. Neste momento, a trama nos insere em eventos já conhecidos e no futuro, para que possamos entender Jimmy em sua essência, se tornando Saul Goodman e Gene, mais futuramente.

É interessante notar, também, os efeitos quase nulos que a morte de Chuck vem provocando em Jimmy, em contraponto aos demais personagens. Kim cada vez mais vem trilhando o seu próprio caminho, assumindo novas responsabilidades e tentando encontrar um novo rumo. Enquanto isso, Howard sofre com problemas de insônia, que a culpa certamente deve infringir grande influência.

Jimmy, um dos grandes catalisadores de tudo isso, apenas avança em direção a uma descida moral. É correto assumir que, dentro de si, Jimmy já é Saul, assim como dentro de Saul, ainda exista muito Jimmy. Aquele cara que vende “sigilo” durante a noite, mente para Kim, apanha em segredo e se envolve em pequenos delitos ainda tem um pouco do advogado esforçado e sonhador, mas com a essência do “Jimmy sabonete”, que talvez, nunca tenha ficado no passado.

As razões para todas as coisas (e porque elas ficaram sombrias)

Outro fator cada vez mais presente nesta temporada de  Better Call Saul é a pavimentação de todo o caminho que levou o outro pilar da série em direção ao futuro já conhecido por nós em Breaking Bad. O núcleo que inicialmente envolvia Mike, e depois passou a ter Gus Fring como outro grande personagem, se configura como o lado mais violento da trama, mas não menos cercado de cuidado e detalhes.

No entanto, não é apenas o surgimento do Laboratório que a série quer nos mostrar ou como eram experimentadas as amostras no Laboratório do químico Gale. Esses acontecimentos evidenciam que Fring já é uma pessoa com um status aparentemente bem definido, mas quem vai cada vez mais em direção a um caminho sombrio é Mike. Nos seus últimos momentos de vida, é impossível não pensar que ele tenha se lamentado sobre ter largado aquele tedioso estacionamento, e por todo o seu talento e tudo que ele está fazendo, não poder ver mais a sua neta. Essas ações do presente definem quem esses personagens serão no futuro.

Essa é uma temporada de ruptura com o status quo de cada um deles. Nacho (que não aparece dessa vez) quis se libertar e provavelmente, nunca mais será livre; Kim põe em risco tudo aquilo pelo que lutou com o Mesa Verde para provar a si mesma que é capaz de fazer algo de valor; Howard, como vimos, nunca mais será o mesmo; e Mike está cada vez mais comprometido com um mundo que o cansaço habitual de suas expressões irá evidenciar.

Entretanto, é através de Jimmy McGuill que enxergamos as maiores mudanças que Better Call Saul promove. Eu não poderia (assim como você), a esse altura, ter tanta curiosidade em olhar para o futuro e saber o que acontecerá com Jimmy, já com a identidade de Gene, em Omaha. Mas a partir do último diálogo de Quite a Ride, nove meses e 24 dias passou a ser o tempo em questão: será que Jimmy chega até lá ao lado de Kim, ou Saul Goodman surgirá antes disso? Eis a questão.

BETTER CALL SAUL 4X05:
5

Resumo

O caminho sem volta que alguns dos personagens-chave vem trilhando ganha destaque em Quite a Ride, que estuda cada vez mais o futuro de Jimmy, olhando para o presente.

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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...