Crítica | A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata

Durante a Segunda Guerra Mundial, um grupo de vizinhos é abordado por alemães após realizar uma confraternização secreta para partilhar uma refeição. Já que alguns alimentos eram proibidos, como um porco assado que eles escondiam, a ideia foi inventar que aquela reunião era na verdade um clube do livro. Com um nome improvisado, assim surgiu A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata.

Adaptado do livro de mesmo nome das autoras Mary Ann Shaffer e Annie Barrows, o filme original da Netflix acompanha a vida da escritora Juliet Ashton (Lily James), que está à procura do que escrever em seu próximo livro. No entanto, Juliet começa a receber cartas de Dawsey Adams (Michiel Huisman), participante da Sociedade Literária, que começa a contar um pouco do clube para ela.

Depois de algumas trocas de correspondência, Juliet decide visitar a ilha de Guernsey com o intuito de conhecer os membros do grupo e escrever um artigo sobre eles para o jornal de Londres. Porém, quando os integrantes não se animam com a notícia, Juliet decide ficar mais tempo do que pretendia na ilha para descobrir mais da história daquelas pessoas durante a Segunda Guerra.


A princípio a premissa parece bem interessante, mas o filme peca em tentar abordar vários assuntos sem dar muito profundidade a qualquer um deles. Não chegamos a conhecer Juliet muito bem, nem o seu trabalho como escritora. Não se explica porque a moça da casa em que a visitante fica hospedada age como se tivesse algo a contar, mas nunca conta. A relação da protagonista com todos os personagens nunca sai da superficialidade, fazendo com que as cenas sentimentais entre eles façam-nos questionar como eles chegaram ali e como ficaram tão próximos.

Além disso, a estrutura narrativa acaba se tornando repetitiva. Ao querer saber mais sobre os relatos do grupo durante a guerra, a escritora aborda cada um deles enquanto fazem suas tarefas diárias, e mesmo havendo um pouco de hesitação, passam a confiar nela de um dia para o outro. O segundo ato se baseia apenas em Juliet indo atrás dos personagens que começam a contar tudo que ela pergunta, entrando em flashbacks e depois pulando para outra cena com outro membro da sociedade que repete a estrutura da anterior, apenas com novas informações.


Apesar da superficialidade e dos assuntos serem tratados com pressa, o filme consegue ter bons momentos. A fotografia também ganha força ao mostrar os entornos da ilha de Guernsey, e a montagem não pode ser ignorada. A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata não impressiona, porém, ainda vale a pena ser visto.

A SOCIEDADE LITERÁRIA E A TORTA DE CASCA DE BATATA
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Resumo

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata peca em tentar abordar vários assuntos sem dar muito profundidade a qualquer um deles, mas possui aspectos técnicos interessantes e uma boa premissa.

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Jornalista apaixonada pela sétima arte desde pequena, quando achava que era possível assistir todos os filmes do mundo. Acredita que o cinema é a forma mais sensível de explorar realidades.