Crítica | ‘Benzinho’ mistura amor e simplicidade na medida certa

Benzinho entrou em cartaz nos cinemas brasileiros na última quinta-feira (23) e é um dos pré-candidatos para representar o Brasil no Oscar 2019. Dirigido por Gustavo Pizzi, o longa também abriu o Festival de Sundance deste ano e ganhou quatro prêmios no Festival de Cinema de Gramado.

O filme tem seu foco em Irene (Karine Teles), que no meio de tantos desgastes emocionais, ainda recebe a notícia que seu filho mais velho, Fernando (Konstantinos Sarris), foi convidado a morar na Alemanha para jogar handebol. Enquanto Irene vai se virando com outros problemas e aprendendo a lidar com a dor de ver o filho partir, também conhecemos seu marido Klaus (Otávio Müller), seus outros três filhos, e sua irmã Sônia (Adriana Esteves).

Apesar da história simples, ela se torna muito interessante nas mãos de Teles e Pizzi, que escreveram o roteiro juntos baseando-se em suas experiências reais. Há diversos momentos em que podemos nos identificar dentre os elementos combinados que são comuns nas famílias brasileiras. É um roteiro forte, sensível e que flui de maneira natural, muitas vezes fazendo-nos lembrar de nossas próprias famílias ou famílias próximas de nós.

A direção de Gustavo Pizzi acompanha a qualidade e o ritmo do roteiro, capturando os momentos de alegria e de tristeza de uma forma tão próxima que no final do filme parece que conhecemos aquela família há anos. As cenas de conflito acabam ganhando destaque por dar um toque a mais de realidade e de proximidade aos personagens, onde Pizzi coloca todos discutindo ao mesmo tempo e no mesmo plano, fator que também chama a atenção para a mixagem de som.

Em Benzinho, o som dá a impressão que estamos vivenciando brigas reais com pessoas reais. Nos vários desentendimentos que acontecem, as vozes de alguns personagens ficam abafadas e quase não podem ser ouvidas propositalmente no meio das falas simultâneas. Em um conflito no meio do campo de handebol, por exemplo, não podemos ouvir a voz de Irene pela quantidade de meninos gritando ao mesmo tempo, enquanto em casa, ela dá ordens aos garotos e tem uma figura mais chamativa que o marido e sua voz se sobressai.

Apesar de tudo, a real estrela do filme é Karine Teles, que consegue apresentar uma atuação memorável de maneira bastante convincente. Os sentimentos de Irene são facilmente transmitidos ao espectador, tornando quase impossível não sentir empatia por sua personagem em todos os momentos. Os close-ups no rosto da atriz acontecem somente quando necessário e suas expressões conseguem comover tanto como com o que ela tem a falar.

Pode-se dizer que o Brasil foi muito bem representado nos festivais internacionais em que Benzinho participou. O Filme apresenta uma identidade brasileira forte com muita delicadeza e simplicidade, podendo ser um grande concorrente entre a lista de pré-indicados do Oscar para o próximo ano.

BENZINHO
4

Resumo

Benzinho apresenta uma identidade brasileira forte, com muita delicadeza e simplicidade, com um roteiro forte, sensível e que flui de maneira natural, muitas vezes fazendo-nos lembrar de nossas próprias famílias ou famílias próximas de nós.

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Jornalista apaixonada pela sétima arte desde pequena, quando achava que era possível assistir todos os filmes do mundo. Acredita que o cinema é a forma mais sensível de explorar realidades.