Crítica | ‘Pose’: 1ª temporada dá um show de representatividade com uma trama emocionante

Em uma época em que a discussão de representatividade no cinema e na TV se torna cada vez mais forte e mais comum, Ryan Murphy, o já famoso criador de séries que tem o costume de tocar em assuntos sociais, como Glee e American Horror Story, anuncia a série Pose, que conta com grande parte do elenco transgênero.

A série, ambientada em Nova Iorque, conta a história da vida na comunidade LGBTQ+ em 1986 e tem como tema principal a “ball culture”. Ball é uma competição na cena underground LGBTQ+ nos Estados Unidos, em que são feitas apresentações em discotecas dos mais diferentes tipos e objetivos. A maioria dos participantes das balls pertence a grupos chamados de “houses”, que são compostos por membros da comunidade LGBTQ+ desabrigados, acolhidos pelas criadoras dessas casas, as chamadas “mães”. A trama começa com a criação de uma casa – a Casa Evangelista – e a história de todos os seus membros.

O ótimo roteiro faz bom uso do ambiente e o usa para contar os mais diversos tipos de histórias, essas inclusive pouco exploradas no cinema e na TV. Como por exemplo, a transfobia, não só fora, como dentro da própria comunidade LGBT, e a prostituição como única opção de renda, além da epidemia da aids e do medo que ela gerava dentro da comunidade.

O elenco, além de ter figuras carimbadas em produções do Ryan Murphy como Evan Peters e Kate Mara, traz as ótimas Dominique Jackson, Indya Moore e Mj Rodriguez (que inclusive já apareceu em Luke Cage no papel de “Sister Boy”), que conseguem não só manter o mesmo ótimo nível de atuação dos colegas mais experientes, como conseguem nos mostrar o quão esses personagens são complexos em cenas emocionantes.

Uma forte característica de Pose é sua ambientação, em que não só a fotografia e o ótimo figurino nos fazem sentir todo o sentimento de discoteca da Nova Iorque dos anos 80, mas também no perfeito trabalho de trilha sonora. Trilha essa que não só utiliza músicas de grandes artistas como Donna Summer, Chaka Khan, Diana Ross, Whitney Houston, Bananarama, entre outros, mas também as usa em prol da história. Há a sincronia das letras dessas músicas com a história que está sendo contada. Como por exemplo a canção “Private Dancer”, de Tina Turner, em uma cena que fala sobre a venda do próprio corpo.

Com ótima ambientação, um bom roteiro e um elenco excelente, Pose certamente é um destaque fortíssimo no quesito representatividade, com sua história extremamente humana e comum, porém invisível.

Pose - 1ª temporada
4.5

Resumo

Com ótima ambientação, um bom roteiro e um elenco excelente, Pose certamente é um destaque fortíssimo no quesito representatividade, com sua história extremamente humana e comum, porém invisível.

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Matheus Ribeiro

Paulista, jornalista em formação, gamer e viciado em filmes e séries. Acredita que boas histórias nos ajudam a conhecer não só a maneira que a sociedade funciona, mas a conhecer a nós mesmos.