Lista | Da história para o cinema: 10 filmes sobre a Segunda Guerra Mundial (Parte 1)

Atenção! Descansar, soldados! Bem, como todos sabemos, poucos conflitos foram tão frios e cruéis como a Segunda Guerra Mundial. Suas consequências ecoam até hoje em nossas vidas, é um assunto que merece ser tratado com atenção e respeito.

Com os passar das décadas o Cinema vai nos presenteando com diversos tipos de filme sobre o assunto, os temas variam e também suas intenções. Podemos encontrar filmes dentro e fora dos combates, filmes que visam a conscientização de determinados momentos e ideologias, registrar figuras importantes, chocar com realidades e situações que nunca poderíamos imaginar, propagandear países e nações e é claro, entreter.

Entendido isso, vamos agora fazer uma viagem, sobre a Segunda Guerra Mundial no cinema. A História vai traçar um caminho para não nos perdermos, e para que possamos sair com vida e um pouco mais espertos. Agora, aprume-se soldado, e comece a marchar!

Christian Bale em “O Império do Sol” (1987)

1939 – Invasão a Polônia

O que foi: Em 1 de Setembro de 1939 as forças de Hitler quebram o acordo com a França e a Inglaterra e invadem a Polônia com sua famigerada nova tática de guerra: A Blitzkrieg. Evento este que marca o início da Guerra Armada.

Filme: O Pianista, (2002). Diretor: Roman Polanski.

O Pianista é um dos filmes que mais bem retrataram o terror do Holocausto. Nele, acompanhamos a história real do Polonês Wladyslaw Szpilman em sua luta desesperada por sobrevivência. O roteiro impecável, a fotografia eximia e as fortes atuações nos levam a um árduo passeio sobre a crueldade humana, o poder da ideologia, e mostra como uma simples vida é capaz de lutar em uma sociedade completamente hostilizada e cruel.

Difícil, porem divertido e necessário, o filme caminha da invasão a Polônia, até a chegada dos soviéticos no fim da guerra.

O que acontece depois: A Inglaterra e a França declaram guerra contra a Alemanha, tem início a guerra no Atlântico; Hitler e Stalin fazem um pacto de não agressão e dividem a Polônia.


1940 –  Invasão a Noruega

O que foi: Após a declaração de Guerra Inglesa e Francesa e a neutralidade Soviética. A Dinamarca, a Suécia e a Noruega declaram neutralidade ao conflito, contudo, em 9 de abril de 1940 a Alemanha coloca as tropas Alemãs para marchar em direção a Noruega.

Filme: The 12th Man (2017). Diretor: Harald Zwart.

Seguimos mais uma história real, desta vez do Norueguês Kurt Stage, o único sobrevivente de um grupo de sabotadores que agora corre contra a própria natureza para escapar das mãos do exército alemão e cruzar a fronteira. Trazendo para os Aliados uma grande vitória moral.

Seguimos aqui um roteiro sagaz, mas que encontra toda a sua força apenas no fato de mostrar ao público que esses eventos são reais, não se preocupando muito com o essencial para um roteiro: Mostrar algo novo. Com tecnologias da atualidade, uma história que impacta e elementos visuais marcantes, The 12th Man é um filme eficaz que não pode passar desapercebido.

O que acontece depois: A Máquina de Guerra Alemã avança com sagacidade e rapidez para a Bélgica, a Holanda e para o Norte da França. Estes que esperavam um “Revival” da guerra de trincheiras, foram cruelmente surpreendidos pela Bliezkrieg.


1940 – Operação Dínamo

O que foi: A Alemanha empurra os Exércitos francês e Inglês para o norte e os surpreendem com uma nova frente vindo da Bélgica, encurralando-os em Dunquerque. O primeiro ministro Inglês Winston Churchill Põe em pratica a Operação Dínamo, onde mais de trezentos e quarenta mil homens foram evacuados por barcos, de maioria civis entre 26 de maio e 4 de junho.

Filmes: Dunkirk, (2017). Diretor: Christopher Nolan.

Misture Tensão, crueza, uma trilha sonora magistral, uma edição de som apavorante e um roteiro sagaz com a assinatura de Nolan e você tem um dos melhores filmes de guerra da atualidade.

Dunkirk nos conta sobre a força que um coletivo pode ter para passar por situações difíceis, nos mostra que a verdadeira violência tem como moradia o desespero, a esperança mínima de sucesso e que os verdadeiros inimigos são aqueles momentos em que a vida te aperta, sem autores e sem face. A face pode muitas vezes culpar as pessoas erradas.
Dunkirk, fala sobre a guerra, sobre a nossa História, mas principalmente fala sobre a importância de viver o aqui e o agora. Um marco do cinema.

O Destino de uma Nação (2017). Diretor: Joe Wright

Pense em Dunkirk, só que nos bastidores, o quão difícil, trabalhoso e acima de tudo corajoso, começar uma operação para retiras os homens daquelas praias.
Neste filme, seguimos o então recém nomeado Winston Churchill, magistralmente interpretado por Gary Oldman, em sua quase impossível luta de manter a Inglaterra em linha de frente e não submetida a acordos desumanos que seriam impostos pelo Terceiro Reich.

O Destino de uma Nação reconstrói com eficácia uma das mais importantes, e controvérsias, figuras da Segunda Guerra Mundial, O Primeiro Ministro Churchill a quem foi incumbida a tarefa de segurar a Inglaterra como um reino livre da tirania de terceiros.

O que acontece depois: Em 14 de julho Paris é tomada pelos Alemães, a ocupação Alemã na França ganha sua Legitimidade, e seu próximo alvo é o Reino Unido.


1940 – A Batalha da Grã-Bretanha

O que foi: uma série de conflitos, em sua maioria aéreos, protagonizados pela Luftwaffe contra a RAF, que ocorreram quase totalmente nos céus Ingleses.

Filme: Battle of Britain (1969). Diretor: Guy Hamilton

O Trunfo que temos aqui é a fidelidade Histórica mesclada com um roteiro que consegue manter o ritmo, e atores de peso, como Michael Caine e Christopher Plummer.
Aqueles que esperam entretenimento e cenas de ação com o Dinamismo da atualidade, talvez não façam de Battle of Britain uma boa seção de cinema. Todavia o filme tem seu valor até hoje, para os fãs do gênero, ele não pode passar.

O que acontece depois: Os Alemães falham conquistar a ilha Britânica. Em outros lugares do mundo, os Italianos começam as incursões na África do Norte em 13 de setembro. Em 27 de Setembro o Japão invade a indochina Francesa.


1940 – Invasão a Indochina Francesa

O que foi: Uma Operação realizada pelo Império Japonês na tentativa de barrar a entrada de armamentos fornecidos pelos Estados Unidos para a China.

Filme: O Império do Sol, (1987), Diretor: Steven Spielberg

Imagine vivenciar as cruéis e terríveis atrocidades que a guerra carrega consigo, agora imagina passar por tudo isso pelos olhos de uma criança.
Em Império o Sol acompanhamos o pequeno Jin Grahan, interpretado pelo jovem Christian Bale, na sua busca por sobrevivência e o sonho de um dia encontrar os pais.
Temos aqui uma história que massacra os nossos corações, por ver a frágil inocência infantil ser quebrada, mas mesmo assim nunca perder a vontade de viver. -Talvez a inocência nunca nos deixe de verdade.

Pelos olhos de Jin, podemos acompanhar a guerra e seus envolvidos de uma maneira muito mais simples e honesta. Além de conseguir alcançar momentos mais poéticos do que o usual. Grande sacada do diretor. Em termos técnicos a assinatura de Spielberg faz a vez: Temos aqui fluidez nos movimentos, enquadramentos artísticos e aquela leve boa calma entre as cenas, deixando a obra rápida, mas sempre com os devidos momentos de respiro.

Este é um filme subestimado para uns, superestimado para outros, mas, se analisarmos com cuidado, percebemos que ele oscila entre os dois. O filme vai até o ataque das bombas atômicas e o final da guerra.

O que acontece depois: Em 27 de Setembro o Japão se une ao Eixo, formando o tratado Eixo-Roma-Tóquio.


1941 – Operação Barbarossa

O que foi: A quebra do pacto de não agressão entre Hitler e Stalin. Em 22 de junho de 1941 o Wehrmacht invade de surpresa os territórios da União Soviética, no intuito de conquistar terras para a “raça ariana”, utilizar os povos eslavos como força de trabalho e aproveitar as reservas petrolíferas.

Filmes: Vá e Veja (1985). Diretor: Elem Klimov

O filme russo, lançado na União Soviética, talvez seja um dos mais difíceis filmes de guerra de se explicar, o que explica muito o significado de seu título.
Nele acompanhamos a invasão alemã nos territórios da Bielorrússia e todos os esforços de Exército Vermelho e de seus cidadãos para lutar contra a tirania.
Vemos tudo isso pelos olhos, ou melhor, pela mente de um garotinho, que se vê obrigado a encarar inúmeras situações, e sensações, de crueldade e desumanidade.

Talvez temos aqui o filme mais real e mais frio da lista, mas não de uma maneira histórica ou por cenas de violência extrema, pois o foco real aqui está na psique, nos tenebrosos caminhos que ela passa só para poder respirar um mínimo de sanidade. Vemos por nosso personagem passar por profundas lutas internas, enquanto todo o seu redor parece ser abstrato e absurdamente arrebatador. Não é um filme para todos, mas de longe é um dos mais importantes sobre a temática.

Honra e Lealdade (2016). Diretor: Alessandro Pepe

Com os Alemães como protagonistas, temos aqui um filme bem mais simples do que os grandes nomes que já falamos, mas não menos eficiente. Nele acompanhamos um jovem, corajoso e leal oficial alemão, impregnado com ideias nazistas, entrando dias a pós dia em conflito com sua própria mente. A guerra o faz entrar em contato com judeus e inimigos de uma maneira que ele nunca imaginaria.

No que Honra e Lealdade carrega de simplicidade nas cenas de ação, nos movimentos de câmera tremida e numa edição eficiente, mas com alguns pequenos momentos de declínio; podemos apreciar com calma e com grande aproveitamento os discursos do protagonista, suas visões de mundo se nublando com o tempo e uma mensagem muito importante nos espera no final: Será que existem mesmo heróis e vilões neste mundo?

Honra e Lealdade é pesadamente leve e cumpre com clareza aquilo em que se propõe a mostrar. O filme vai até a liberação da França a recuada dos Alemães e o fim da guerra.

O que acontece depois: Após o fechamento de todos os consulados Alemães nos EUA, e o firmamento da trindade do Eixo. Em 7 de Dezembro o Japão ataca a base Norte-Americana de Pearl Harbour.


“França Ocupada”

Para encerrar nossa primeira parte da jornada, passaremos agora por filmes que nos mostram o que acontecia num dos maiores países europeus durante a estadia nazista. Não espere muita fidelidade histórica aqui, todavia são filmes que merecem atenção.

Filmes: O Assalto ao Trem Blindado (1978). Diretor: Enzo G. Castellari

Aqui temos um Spaghetti Western, só que na Segunda Guerra Mundial. O filme acompanha um pelotão de soldados Estadunidenses condenados à prisão por crimes de guerra. Após escaparem entram em uma dura jornada para chegar na Suíça, onde a guerra não acontece, mas no meio do caminho se vem na obrigação de ajudar a resistência francesa a capturar uma terrível arma Alemã, o míssil V2.

Aqui encontramos tudo o que é bom em um filme pipoca: Um bom ritmo, cenas de ação criativa e muito bem coreografadas e um roteiro completamente solto de ideologias ou escolhas de lado. Porém, no meio da diversão podemos nos atentar como todos os lados podem estar errados e como pessoas boas podem aparecer dos lugares mais inesperados; além de se apoiar em lugares e eventos que de fato ocorreram.

Com uma linguagem “Faroeste”, encontre aqui, foras da lei, heróis, uma música um tanto que desconecta com a obra e bastante escatologia. Obrigatório para os fãs de Tarantino descobrirem em quais terrenos o diretor planta suas sementes.

Bastardos Inglórios, (2009), Diretor: Quentin Tarantino

Irreal, escatológico e divertido; a Segunda Guerra Mundial segundo Quentin Tarantino nos apresenta pelotões que não existiram, operações que não aconteceram, e, não satisfeito, altera o curso de toda a história. É um filme que quer deixar claro para o seu público que se trata de um filme, nada de muitas verdades ou concordâncias, apenas sente na poltrona e aprecie uma boa história.

Bastardos Inglórios tem tudo o que um fã de Tarantino já espera: Violência escatológica, bons e cativantes diálogos, sem contar nos leves momentos cômicos e nas cenas dramáticas bem envolventes. Este filme aparece nesta lista, por mostrar como ninguém o impacto de um feroz e cego nacionalismo que leva simples cidadãos a fazer atos perversos contra a humanidade.

O comportamento dos nazistas no filme nos provoca asco com uma leve pitada de humor pois nele transparece antigas filosofias de que existem superiores e inferiores e hoje percebemos o quão ridículo aparenta. Sem contar no prólogo do filme, em que vemos um Coronel da SS, o famoso Hans Landa, em sua missão de remover famílias Judias da França. Cruel, tenso, real e perturbador, arrisco a dizer que podemos ter aqui um dos melhores prólogos da história do cinema.


A guerra não acaba por aqui Soldados. Aguardem, porque ainda temos muito o que ver.

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Matheus Amaral

21 anos, formado em Audiovisual, amante do cinema em todos os seus aspectos. Filósofo de bar. As vezes mistura as coisas...Desde pequeno assistia tudo o que via pela frente, cresceu lado a lado com o cinema e com as suas diversas vertentes.