Crítica | Better Call Saul 4×03: ‘Something Beautiful’ é Breaking Bad e muito mais!

Resenha de :
Leonardo Barreto

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5
On 22 de agosto de 2018
Last modified:22 de agosto de 2018

Summary:

Em "Better Call Saul", Something Beautiful movimenta peças e leva cada vez mais os seus personagens em direção a uma grande ponto de virada.

Quando Vince Gilligan afirmou que a quarta temporada de Better Call Saul iria alcançar os eventos de Breaking Bad, fez com que as expectativas girassem em torno do aparecimento de personagens como Walter White, Jesse Pinkman ou Hank Schrader. Mesmo que isso ainda não tenha acontecido, a insersão de outros velhos conhecidos na trama vem se dando de maneira orgânica, causando impacto e conectando todas as peças desse universo.

É sempre bom destacar, no entanto, o valor que a trama de Jimmy McGuill possui. Por si só, o drama do advogado que tem muito talento mas pouca sorte ainda continua sendo o centro das atenções. Porém, o desenvolvimento da história indo em direção aos eventos violentos e com consequências drásticas exige um retorno as origens. Desta forma, Something Beautiful mescla de forma brilhante as duas características marcantes das séries, abrindo com uma sequência violenta, e fechando com um momento de modo catártico e emocional.

A direção é do episódio é de Daniel Sackheim, que retorna após dirigir um dos melhores episódios da terceira temporada, Chicanery. Aqui o diretor consegue combinar ação e visceralidade com momentos em que extrai o melhor dos atores em cena. Rhea Seehorn mais uma vez entrega uma cena emocionante como Kim Wexler, e o habitual talento de Bob Odenkirk na pele de Jimmy não é novidade. Michael Mando também brilha e consegue expressar toda a dor de Nacho de maneira bastante convincente.

O roteiro escrito pelos criadores Gilligan e Peter Gould acompanha mais uma vez todos os personagens. Dos momentos de tensão na estrada ao pontual alívio cômico na fotocopiadora, mais uma vez a série caminha por uma estrada segura, com uma escrita inteligente, sempre capaz de surpreender. Essa é a marca que definiu Breaking Bad, e que tem colocado Better Call Saul em posição de destaque entre os dramas atuais.

Isso não é para vocês

O momento “olha aquele personagem de volta” foi colocado de forma surpreendente em Something Beautiful. O peculiar Gale Boetticher (a quem conhecemos pela primeira vez em BB cantando uma canção italiana), que teria um desfecho trágico pelas mãos de Jesse Pinkman no futuro, reparece em um laboratório de química. E ele canta novamente. A música não poderia ser mais apropriada. Element Song, de Tom Leheer, uma espécie de música country em que são recitados os elementos da tabela periódica.

Esse universo é composto, sobretudo, de consequências reais para todos esses personagens. E isso é algo que tem sido anunciado para cada um deles nessa temporada, em especial. Durante o encontro com Gus Fring, que agora terá que se relacionar com um fornecedor do outro lado da fronteira, ele clama por uma oportunidade, ao falar sobre a qualidade do material testado (sabemos quem fará isso com uma pureza nunca antes vista). Para Gus, Gale merece coisa melhor. E essa realmente seria uma afirmação para ele considerar. De qualquer forma, foi legal ver essa versão barbuda mas não menos engraçada do químico.

Outro personagem que é advertido sobre o caminho a seguir é Jimmy. Quem o adverte é Mike, que recebe uma proposta de dinheiro fácil. Ele reconhece que é um bom plano, mas adverte que isso não é para ele, e que Jimmy também não deveria fazer isso. E o que ele faz? Executa o plano, nos trazendo de volta o veterinário de fachada.

O retorno à fotocopiadora nos fornece um momento muito engraçado, algo necessário para a temática violenta e dramática do episódio. E sim, o cara comprou um aspirador de pó para a esposa e deu de presente. Francamente, o castigo é mais do que merecido, assim como ele ter que sair atrás do carro na rua. Porém, as cenas escondem um tom sombrio. Cada vez mais os limites deixam de existir para Jimmy McGuill, e cada um desses eventos contribui para a mudança do personagem

Últimas palavras

* A cena de Kim conhecendo o projeto de expansão do Mesa Verde representa muita coisa. Ela está assustada com o projeto de expansão, e devemos lembrar que o acidente sofrido por ela foi gerado por estafa. Pelo menos agora ela possui uma assistente.

* Ver Tyrus e Victor realizando o plano para ocultar a morte de Arturo é visceral, e captado de forma extremamente competente pelo diretor. Os planos escolhidos, sobretudo os fechados no rosto de Nacho, geram bastante tensão e fazem o público temer pelo personagem e sentir a sua dor.

* Não podemos nos esquecer da presença dos Gêmeos sobrinhos de Hector Salamanca. Sempre que esses caras estão em cena, há o risco deles tirarem alguma vida. Mas, desta vez, eles ajudam a salvam a pele de Nacho.

* Sobre a leitura da carta de Chuck, note como a câmera, em certo ponto, foca somente em Kim. Repare também na expressão de cada um dos atores, com sentimentos opostos. Rhea Seehorn e Bob Odenkirk convencem cada vez mais em seus papéis e a composição da cena é perfeita.

* A propósito, a carta de Chuck é amigável e sensível em certo ponto. “É uma carta legal”, diz Jimmy. Mas, com certeza, não foi escrita durante os eventos da terceira temporada.

* Cada vez mais, Better Call Saul vai dando indícios da distância que está se formando entre Jimmy e Kim. Repare como as diferenças entre eles estão aumentando, sobretudo pela indiferença com que ele age sobre os assuntos relacionados ao irmão, Chuck. A última imagem do episódio diz muito sobre isso, e mostra exatamente o que está acontecendo.

 

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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...