Crítica | ‘Mentes Sombrias’ é mais uma adaptação literária que entretém mas não impressiona

Com a onda de filmes de adaptações de livros adolescentes há alguns anos, e com o fim da saga Jogos Vorazes, imaginou-se qual seria a próxima saga de livros a lotar salas de cinema. Houveram algumas tentativas que não deram muito certo, como as sagas Divergente, Instrumentos Mortais (que acabou virando uma série de TV terminou sendo cancelada), Dezesseis Luas, Academia de Vampiros, entre vários outros. E houveram também aquelas que deram certo, como a trilogia Maze Runner, mas não chegou a ser a provocar a mesma febre que sagas como Harry Potter e Jogos Vorazes foram. Na tentativa de trazer a onda de adaptações de livros adolescentes de volta, chega aos cinemas Mentes Sombrias.

O filme se passa em um mundo apocalíptico em que um vírus matou a maioria das crianças e adolescentes dos Estados Unidos e deixou as sobreviventes com poderes especiais. Essas crianças são tiradas do governo por suas famílias e colocadas em campos de custódia com o objetivo aparente de estudar e curar essas crianças. Em um desses campos encontramos Ruby (Amandla Stenberg), que é classificada como um dos tipos mais perigosos desses sobreviventes e que consegue escapar dessa prisão com outras crianças. Ruby então embarca em uma aventura em que não só corre grande perigo, como também encontra amor e amizade pelo caminho, enquanto ao mesmo tempo, nunca sabe quem realmente é seu aliado.

A trama, apesar de ter uma ótima premissa, não consegue fugir do lugar comum, gerando a sensação de que aquela história já foi vista e de uma maneira melhor, inclusive o romance entre os personagens principais. O roteiro, apesar de ótimas reviravoltas, é cheio de falas expositivas, além de vários momentos em que a trama é deixada de lado para se explicar o que está acontecendo, o que os personagens estão sentindo e seus planos para resolverem os problemas.

O elenco, que inclui Harris Dickinson (da série Trust), Patrick Gibson (The OA), Mandy Moore (da série This Is Us), Gwendoline Christie (a Brienne de Game of Thrones), faz um bom trabalho, apesar do roteiro não ajudar tanto. O grupo principal além de funcionar como uma equipe, é carismático. Nisso, o destaque vai para Skylan Brooks (da série The Get Down), que consegue trazer momentos cômicos com o ótimo timing e perfeitas expressões faciais.

A cinematografia do filme também é boa. Os efeitos especiais, principalmente a dos poderes dos personagens não gera estranheza e a separação dos graus de cada poder por cores facilita a compreensão da história. O grande problema é que além da segregação das cores, não há nenhum elemento visual no filme que o faça ser único, o que o faz não se destacar entre as várias adaptações de best-sellers adolescentes. No fim, Mentes Sombrias traz ótimas ideias, que são perdidas na reprodução clichê.

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Paulista, jornalista em formação, gamer e viciado em filmes e séries. Acredita que boas histórias nos ajudam a conhecer não só a maneira que a sociedade funciona, mas a conhecer a nós mesmos.