Crítica | ‘Egon Schiele: Morte e a Donzela’: um belo retrato da biografia do artista

Resenha de :
Iron Ferreira

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4
On 19 de julho de 2018
Last modified:19 de julho de 2018

Summary:

Egon Schiele: Morte e a Donzela é um belo retrato da biografia do pintor expressionista de mesmo nome, um dos artistas mais provocativos do século XX.

Dirigido por Dieter Berner, o filme Egon Schiele: Morte e a Donzela é um belo retrato da biografia do pintor expressionista de mesmo nome, um dos artistas mais provocativos do século XX. Com excelentes atuações, roteiro afinado e uma bela trilha sonora, o longa retrata a história do artista austríaco, desde sua infância até sua morte aos 28 anos de idade.

Egon Schiele (Noah Saavedra) é um jovem pintor que vive em Viena no início do século XX. Um eterno apaixonado pela arte, o protagonista é inspirado pelas diversas mulheres que estão em seu convívio. Sua irmã Gerti (Maresi Riegner) foi sua primeira musa, a qual serviu de inspiração para seus primeiros trabalhos. Conhecido por sua excentricidade, Egon se envolveu com inúmeras mulheres durante sua vida, as quais eram sempre representadas em suas telas. Porém, sua pintura mais famosa, A Morte e a Donzela, de 1915, retrata a jovem Wally (Valerie Pachner), o grande amor de sua vida que com apenas 17 anos serviu de inspiração para o pintor.

Ao acompanhar os passos mais importantes da vida do artista austríaco, o filme lança luz sobre a biografia de um importante personagem na história do movimento cultural mundial. Além disso, o início do século XX serve de pano de fundo para a história principal, mostrando os avanços tecnológicos da época e o desenvolvimento de novas técnicas artísticas, como o cinema, por exemplo.

Com um roteiro bem escrito, personagens bem desenvolvidos e diálogos bem apresentados, Egon Schiele: Morte e Donzela se mostra competente. A direção é afinada e consegue passar um tom de melancolia e excentricidade, que caracterizam bem o personagem, assim como a sua arte. A produção possui uma crueza muito presente, onde a nudez e a extravagância do artista são bem exploradas como artifícios artísticos.

A fotografia é um ponto positivo. Com belas paisagens e locações, a produção explora bem o cotidiano italiano do passado, dando credibilidade e autenticidade ao filme. Outro detalhe interessante a ser apontado é a belíssima trilha sonora. Composta pelo músico francês André Dziezuk, as músicas refletem a essência dramática da produção, tornando a experiência cinematográfica ainda mais grandiosa.

O elenco também merece receber elogios. As atuações são todas muito competentes. Embora a maior parte seja desconhecido do grande público, as impressões são as melhores. Noah Saavedra, que interpreta o protagonista, consegue mostrar todas as camadas do famoso pintor, desde o jovem inocente até o egoísta e egocêntrico artista. Maresi Riegner e Valerie Pachner também estão excelentes em seus respectivos papéis.

Egon Schiele: Morte e Donzela é um bom filme. Embora possua um ritmo desacelerado, o longa é capaz de promover uma ideia completa sobre os anos de atividade do pintor, que hoje tem suas obras avaliadas em milhões de dólares. O filme possui uma linguagem diferente do que a grande massa está acostumada, principalmente por sair do eixo Hollywoodiano de produções. Por outro lado, é uma obra completa, bem produzida e que vale a pena ser contemplada.

Iron Ferreira

Carioca e Jornalista graduado. Admirador da comunicação e de suas linguagens. Acredita no cinema como ferramenta capaz de transmitir sentimentos, quebrar preconceitos e mudar o mundo.