Crítica | Pixar acerta novamente em ‘Os Incríveis 2’

Resenha de:
Iron Ferreira

Reviewed by:
Rating:
5
On 30 de junho de 2018
Last modified:30 de junho de 2018

Summary:

Continuação bastante aguardada, "Os Incríveis 2" apresenta uma trama maior e melhor, repleta de novos personagens, temas importantes e muita ação.

Após 14 anos de espera, finalmente o estúdio Pixar lançou a tão aguardada continuação de Os Incríveis. O filme de 2004, vencedor do Oscar de melhor animação em 2005, foi um sucesso de crítica e público. Dirigido por Brad Bird, responsável pelo ótimo Ratatouille (2007), Os Incríveis 2 apresenta uma trama maior e melhor, repleta de novos personagens, temas importantes e muitíssima ação.

O filme inicia-se exatamente aonde o seu antecessor parou, com a família Pêra enfrentando o vilão O Escavador. Após uma batalha sem sucesso, os heróis são obrigados a se esconderem novamente, visto que o governo os considera perigosos à sociedade. Porém, tudo muda quando a Mulher-Elástica é chamada para combater o crime novamente, deixando o Sr. Incrível responsável pelas tarefas domésticas. Em meio aos novos problemas familiares que se configuram, surge O Hipnotizador, um vilão tecnologicamente preparado para destruir todos os super-heróis existentes.

Embora seja uma animação voltada para o público infanto-juvenil, Os Incríveis 2 possui uma trama madura e que aborda questões familiares do cotidiano, como adolescência, casamento, filhos e o principal: o amor e a união.

Assim como no filme de 2004, o roteiro é muito bem escrito. O protagonismo feminino da Mulher-Elástica é um ponto muito positivo, principalmente em tempos onde Hollywood sofre com inúmeras denúncias de assédio sexual. Assim como Mulher-Maravilha (2017), o filme acompanha uma nova tendência de apresentar heroínas para o público, o que estimula gerações de meninas e meninos a admirarem tais personagens.

A paternidade do Sr. Incrível também é trabalhada de forma competente. O filme retrata a adolescência de Violeta, as dificuldades escolares de Flecha e a total dependência do bebê Zezé, de forma bastante realista. A linguagem utilizada é simples, o que facilita a identificação do público com as situações apresentadas.

Por outro lado, a história não perde seu fôlego. A produção consegue mesclar momentos de reflexão com sequências ótimas de ação e aventura, tornando a experiência muito dinâmica. A computação gráfica, utilizada para criar os personagens, evoluiu muito nos último 14 anos, e o resultado é excelente. A qualidade da animação é muito boa e apresenta uma paleta de cores mais vivas e intensas do que no primeiro filme. Os detalhes das feições, cabelos e a textura das roupas são bastante nítidos, valorizando a excelência técnica da produção.

Outro destaque positivo vai para a equipe de dublagem brasileira, que faz um ótimo trabalho, e conta com participações de Flávia Alessandra, Otaviano Costa, Raul Gil e Evaristo Costa.

Os Incríveis 2 consegue uma proeza rara no cinema: dar continuidade a um filme de sucesso de maneira competente e sem deixar a desejar. O longa, que é melhor do que muitas produções da Marvel e da DC, é ainda maior que o primeiro, com temas e discussões mais profundas e cenas de ação ainda mais empolgantes. Além disso, a animação acerta em cheio ao apresentar novos super-heróis e seus respectivos poderes.

Iron Ferreira

Carioca e Jornalista graduado. Admirador da comunicação e de suas linguagens. Acredita no cinema como ferramenta capaz de transmitir sentimentos, quebrar preconceitos e mudar o mundo.