Crítica | ‘Cargo’: drama pós-apocalíptico da Netflix não empolga

A Netflix continua investindo cada vez mais em suas produções originais. Algumas são extremamente bem sucedidas comercialmente, como Stranger Things e Demolidor. Porém, em meio a alguns grandes sucessos, a empresa peca com produções óbvias e pouco interessantes, em especial os longa-metragens. Cargo, o seu mais novo lançamento, é mais um exemplo de um filme comum com uma narrativa deficiente.

Em Cargo, o mundo encontra-se em um estado pós-apocalíptico após uma pandemia zumbi. Andy (Martin Freeman) vive com a esposa Kay (Susie Porter) e sua filha recém nascida. Após a morte de Kay, o protagonista se infecta com o vírus que transforma humanos em zumbis. Com isso, Andy tem 48 horas de vida e um grande dilema: encontrar um lugar seguro para sua filha.

Cargo tinha tudo para ser um bom filme de terror. Dirigido por Bem Howling e Yolanda Ramke, com produção de Kristina Ceyton (O Babadook), a trama acaba decepcionando. Porém, a história pouco atrativa e o roteiro simples destruíram todas as suas chances. Embora o contexto de um mundo pós-apocalíptico já tenha sido bastante utilizado no audiovisual, existem produções que conseguem aproveitar a ideia muito bem. Um Lugar Silencioso (2018), por exemplo, superou as expectativas com um roteiro complexo e atuações brilhantes.

Martin Freeman não consegue cativar o espectador em momento nenhum. Conhecido por grandes papéis como Bilbo na trilogia O Hobbit (2012) e Everett Ross em Pantera Negra (2018), o ator entrega uma performance mediana. O resto do elenco aparece e desaparece com uma velocidade tão grande que torna-se impossível criar algum laço afetivo.

A fotografia de Geoffrey Simpson é a melhor parte do filme. As belíssimas paisagens australianas são o único motivo pelo qual o filme vale a pena ser assistido. O roteiro é preguiçoso, passeia pelo campo comum e não entrega nenhuma emoção. O suspense e o terror também passam longe. As criaturas canibais, infectadas pelo vírus, também não apresentam nenhuma característica especial que já não tenham sido vistas em outras produções do gênero.

Em linhas gerais, Cargo não é uma produção que empolga. O longa desperdiça a oportunidade de ser um grande título de terror e suspense no imenso catálogo da Netflix, mas acaba se tornando-se facilmente esquecível.

Iron Ferreira

Carioca e Jornalista graduado. Admirador da comunicação e de suas linguagens. Acredita no cinema como ferramenta capaz de transmitir sentimentos, quebrar preconceitos e mudar o mundo.