Crítica | Desventuras em Série: 2ª temporada

Entre 1999 e 2006 foi publicada uma série de 13 obras literárias intituladas como “Desventuras em Série”. No ano passado, a Netflix lançou a adaptação homônima (A Series of Unfortunate Events) dessas obras que contam a história dos trigêmeos Baudelaire, três crianças cujos pais foram mortos em um terrível incêndio em sua mansão.

Em decorrência disso, os três órfãos foram conduzidos pelo banqueiro Sr. Poe (K. Todd Freeman) a um lar adotivo. O problema é que seu suposto tutor e parente mais próximo se tratava do perverso Conde Olaf (Neil Patrick Harris), um ator fracassado e malandro que, juntamente com sua trupe de capangas, tem o único objetivo de se livrar das crianças para herdar sua enorme fortuna. Porém, graças à engenhosidade de Violet (Malina Weissman), capaz de bolar as maiores ideias ao prender os cabelos com uma fita, o intelecto apurado de Klaus (Louis Hynes) cuja inteligência é oriunda da leitura de muitos livros e a capacidade de morder de Sunny (Presley Smith), os trigêmeos acabam por frustrar os planos do Conde e escapar.

A partir daí, Conde Olaf é considerado pela Sociedade como um criminoso e os Baudelaire são encaminhados para novos lares adotivos. A partir desse momento, eles começam a ser perseguidos pelo vilão que a cada novo lar adotivo, aparece  com um novo disfarce – que nunca engana as crianças, mas sim, os adultos estúpidos – e planos mirabolantes para se apoderar da fortuna.

Na primeira temporada, a cada dois episódios a série fechava o arco de um dos livros, sendo eles Um Mau ComeçoA Sala dos RépteisO Lago das Sanguessugas e Serraria Baixo-Astral. A segunda temporada seguiu a mesma fórmula, tendo adaptado os Inferno no Colégio InternoO Elevador ErsatzA Cidade Sinistra dos CorvosO Hospital Hostil e O Espetáculo Carnívoro.

Na estreia da série, nos deparamos com uma Direção de Arte e Direção de Fotografia bastante expressivas, com cenas coloridas quando mostram a esperança das crianças e uma paisagem monótona e sem cores quando elas estão com problemas. Já na segunda temporada, essas paisagens são ainda mais monótonas e envelhecidas, mostrando o quão em apuros se encontram os protagonistas.

Essa temporada ainda aumenta o universo exposto pela primeira, mostrando novas ramificações no que se diz respeito à trama envolvendo a organização secreta a qual pertenciam os pais dos trigêmeos Baudelaire. Temos também novos personagens, como os trigêmeos Isadora (Avi Lake) e Duncan Quagmire (Dylan Kingwell) (Quigley Quagmire, o terceiro irmão, morreu num incêndio juntamente com seus pais). Temos também a ex-bibliotecária que entra para o time de aliados dos heróis.

Uma das coisas mais interessantes na série está na quantidade exorbitante de detalhes espalhados na tela para que o expectador possa ‘pescar’ e, assim como os protagonistas, ir aos poucos montando o quebra-cabeça. Nada é gratuito, portanto é preciso que se assista a esta série com os olhos e ouvidos bem atentos para não perder as piadas – grande parte delas fazendo referências a elementos externos – e as informações espalhadas pelo cenário.

Desventuras em Série é interessante também por nunca se levar a sério, fazendo inclusive piadas com as situações impossíveis que são desenvolvidas durante o enredo. É preciso também que se pontue o talento dos atores, todos estão impecáveis, dando destaque ao incrível elenco mirim.  Os efeitos visuais envolvendo a bebê Sunny Baudaleire, algo que na primeira temporada em algumas cenas era problemático, foi corrigido nessa temporada e as ações da personagem estão bem mais orgânicas.

Todos esses elementos e somando à irônica narração de Lemony Snicket (Patrick Warburton)  tornam essa série uma excelente fonte de entretenimento para toda a família, uma vez que agrada tanto as crianças quanto os adultos.

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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...