Dica de Terror | O Ritual

Eis que em 2017, surgiu uma obra inglesa que chegou meio acanhada, mas que graças à sua peculiaridade e personalidade, tem tudo para ser considerada como um dos melhores filmes de terror de 2018. Com grandes referências à A Bruxa de Blair e também ao mais recente A Bruxa, O Ritual reverencia filmes consagrados, mas mantém sua originalidade com personagens cativantes e uma história muito bem contada.

No filme, acompanhamos um grupo de amigos, sendo que em uma noite fatídica, dois deles, Luke (Rafe Spall) e Robert (Paul Reid) entram em um supermercado e presenciam um assalto. Luke se esconde da vista dos bandidos e assiste ao covarde assassinato de seu amigo, sem tomar a iniciativa de ajudá-lo. Algum tempo depois, ele e o restante do grupo de amigos, Hutch (Robert James-Collier), Phil (Asher Ali) e Dom (Sam Throughton), saem em uma viagem que haviam planejado quando Robert ainda era vivo, uma forma de homenagear o falecido amigo em uma empreitada para cruzar um cenário natural na Suécia.

Porém, os problemas começam quando Dom machuca o joelho e graças à dificuldade de locomoção, o grupo decide cortar caminho pelo interior da floresta ao invés de em volta dela. A noite, eles são obrigados a pernoitar em uma sinistra cabana abandonada e é aí que coisas estranhas começam a acontecer. A partir desse momento, começa a surgir uma série de momentos estranhos e inexplicáveis, a floresta se torna um personagem da história, dando sempre a impressão de uma paisagem monótona, mas que está escondendo alguma coisa.

Semelhante aos filmes citados como referência, sempre temos a impressão de que as árvores estão ocultando alguma entidade sobrenatural, mas que ao mesmo tempo nos faz duvidar de nossa própria sanidade mental e paranoia. Existe ou não algo à espreita? Enquanto se perguntam isso, os amigos começam a entrar em conflitos pessoais e isso enriquece a estória, nos fazendo simpatizar com eles. Conseguimos então entender como pensa cada um dos personagens e em decorrência disso, suas reações ao que está acontecendo acabam por tornarem-se torna críveis, cativando-nos. Isso sem mencionar a forma como o enredo desenvolve o sentimento de culpa por parte de Luke, esse elemento da história é abordado de maneira bastante humana e não sensacionalista, como vemos em muitos filmes por aí.

Não há nada gratuito nessa obra e ficamos durante os 80 minutos do longa verdadeiramente ansiosos pelo que está por vir. Um dos fatores que mais encanta no filme é que o que está por vir vale a pena esperar para ver. Ao contrário de A Bruxa de Blair, onde nunca temos um real contato visual com a entidade, O Ritual nos faz esperar na medida certa e no momento certo de mostrar, mostra sem pudor.

O roteiro de Joe Barton é acertadíssimo, sem deixar pontas soltas ou resoluções impossíveis. O enredo é amarrado e bem desenvolvido, assim como os personagens e a trama. A ambientação é convincente a ponto de o expectador chegar a acreditar que aquilo poderia de fato estar acontecendo na vida real. A direção de David Bruckner é bastante acertada, com planos estáticos, onde é preciso que se preste atenção nos detalhes para ver o que está errado na cena. O timming das cenas propriamente ditas, também é realizado com maestria, para provocar medo a partir da suposição. O medo que a mente humana cria é mais poderoso do que aquele causado por uma simples imagem exposta. Temos mais medo daquilo que não podemos ver ou compreender.

A Direção de Fotografia é absurdamente linda, mostrando a floresta sombria sob um céu que aparentemente está sempre nublado, as cores voltados pro azul e pro cinza, tudo muito bem registrado pela lente da câmera. E, por fim, mas não menos importante, é preciso que se mencione a bem-sucedida escolha do elenco. Todos os personagens, inclusive aqueles secundários e com pouco tempo de tela que surgem no final do segundo ato, são muito bem interpretados, dando destaque à uma certa senhora de idade e seu olhar penetrante.

Se você é cinéfilo e sabe apreciar um bom filme de terror com algumas doses de gore, runas estranhas e um pouco de bruxaria, O Ritual é realmente uma boa pedida.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...