Crítica | ‘Jogador Nº 1’: Spielberg entrega uma aventura ousada e cheia de nostalgia

Baseado no livro de mesmo nome, do autor Ernest Cline, Jogador Número 1 (Ready Player One) é o mais novo filme de ficção científica de Steven Spielberg. O longa chegará aos cinemas brasileiros no dia 29 de março. Consagrado como um dos maiores e melhores diretores do mundo, Spielberg entrega uma obra-prima do cinema moderno, cheia de aventura, referências e uma trilha sonora repleta de clássicos. Uma homenagem a geração dos anos 80 e a cultura pop.

O filme se passa no ano de 2045, onde a realidade, que deixou de ser interessante, abre espaço para um mundo virtual. Esse mundo é conhecido como OASIS, uma plataforma digital semelhante a um vídeo game, que oferece um universo de infinitas possibilidades para os seus usuários. Seu criador, James Donovan Halliday (Mark Rylance), após sua morte, deixa uma série de desafios e pistas a serem seguidas dentro do jogo, com a finalidade de encontrar um objeto escondido. O jogador que conseguir encontrá-lo, terá como recompensa uma enorme fortuna, assim como controle total sobre o OASIS.

Wade Watts (Tye Sheridan) é um jovem, que como a maioria, foge da dura realidade da vida, e utiliza o acessório como válvula de escape. Ao participar da caça ao tesouro, Watts se depara com Nolan Sorrento (Ben Mendelsohn), diretor da IOI, uma empresa que luta para controlar o OASIS, e consequentemente o futuro. Através de Parzival, seu avatar, e com a ajuda de seus amigos, Art3mis (Olivia Cooke) e Aech (Lena Waithe), Wade enfrentará a maior aventura de sua vida para salvar tanto o mundo real quanto o virtual.


Jogador Número 1 é uma belíssima homenagem ao universo geek e a cultura pop. Não há ninguém melhor que Spielberg para prestar tributo ao gênero que ele mesmo ajudou a consagrar. O roteiro, que conta com a participação do próprio Ernest Cline, é bem desenvolvido e ajuda a tornar todas referências mais claras. Ação e aventura são bem planejadas, deixando o espectador apreensivo.

Se tratando de uma trama sobre realidade virtual, é natural esperar que os efeitos especiais sejam de primeira qualidade. Mais um ponto para o diretor, que ao lado de sua equipe técnica, constrói uma experiência visual muito boa. Assistir em IMAX torna a imersão ainda mais impressionante. A trilha sonora, composta por Alan Silvestri, e que inclui A-ha, Bee Gees, Van Halen, dentre tantos sucessos dos anos 80, é outro ponto positivo. Os personagens são bem escritos e causam empatia, levando o público a torcer pelo protagonista. O antagonista Nolan Sorrento merecia um final melhor, que acabou ficando um pouco distante da sua trajetória. O elenco é talentoso e entrega boas atuações, porém, sem nada muito memorável.

Os easter eggs, como são chamadas as referências escondidas dentro do filme, são incalculáveis. Literatura, games, cinema e música são algumas das diversas fontes de elementos da cultura popular que saltam na tela. Stephen King, Jurassic Park, King Kong, De Volta Para o Futuro, Lara Croft, Batman e o Gigante de Ferro são alguns exemplos.

Em Jogador Número 1, Steven Spielberg mostra o seu melhor. O diretor foi capaz de criar um entretenimento de ponta em cima de vários elementos de qualidade, eternizados na imaginação popular. O longa tem todo o potencial para se tornar um clássico moderno, atraindo cada vez mais adoradores do gênero.

Iron Ferreira

Carioca e Jornalista graduado. Admirador da comunicação e de suas linguagens. Acredita no cinema como ferramenta capaz de transmitir sentimentos, quebrar preconceitos e mudar o mundo.