Crítica | ‘Dívida Perigosa’: mais um original Netflix que não surpreende

Falaremos aqui sobre mais uma produção original da Netflix em 2018. Dívida Perigosa (The Outsider) é mais um filme que não surpreende, não comove e nos dá a oportunidade de ver as últimas atualizações do Instagram de tempos em tempos.

O filme é estrelado pelo astro do rock e Hollywood Jared Leto, também vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante em 2013 pelo filme Clube de Compras Dallas (The Dallas Buyer Club). Devo adiantar que Leto, assim como os outros atores, todos japoneses, incluindo Tadanobu Asano (47 Ronins, de 2013), são os únicos pontos fortes da produção.

Situado no Japão, o longa conta a história do militar americano Nick (Leto), preso em uma cadeia japonesa. Fazendo amizade com o colega de cárcere, ele promete ajudá-lo a sair da prisão em troca do outro fazer o mesmo após ser libertado. O homem em questão é Kiyoshi (Asano), membro da yakuza, a máfia japonesa. A dívida é paga e Nick consegue sair da prisão, porém, agora ele precisa fazer parte da organização, mesmo sendo um “forasteiro”, e assim enfrentar todo o preconceito da família Shiromatsu, que trava uma guerra por poder contra a família Seizu.

O roteiro de Andrew Baldwin (Atentado em Paris, de 2016) traz uma saga de vingança, mortes, membros cortados, sangue e nenhuma novidade. O longa não se desenvolve apartado de lugares comuns e previsíveis. Parece mais um filme sobre uma organização japonesa, em que um estrangeiro de princípios completamente diferentes é capturado, porém aos poucos começa a entender e respeitar a nova maneira de vida e os membros envolvidos, e até mesmo se apaixonar por uma das mulheres da organização. Não, não estou falando de Tom Cruise em O Último Samurai (2003), filme que amamos e não valeria a pena comparar, mas a premissa é a mesma.

As cenas de luta e sangue são interessantes, mas não são mérito do roteirista e sim da parte técnica do filme. A atuação minimalista de Leto nos prende em alguns momentos. O ator possui um magnetismo próprio e uma seriedade absurda ao atuar, característica de todos os seus outros trabalhos, até mesmo nos fracassos como em Esquadrão Suicida (2016), interpretando o vilão Coringa. Leto se entrega ao personagem de forma magnífica, porém, mais uma vez o roteiro não ajudou o ator.

O filme fica em uma planície sangrenta e monótona. Superficial. Clichê. Não tem o impacto pretendido e nos faz “mexer a bunda” do assento inúmeras vezes. Mas não, Dívida Perigosa não é horrível. Possui algumas sequências de ação interessantes e um “silêncio” que nos provoca certa estranheza. Você consegue assisti-lo despretensiosamente, comendo uma pipoca e indo na geladeira de vez em quando para completar o copo de refrigerante. Quando volta, consegue continuar assistindo, mas ele não nos transforma como espectadores, não nos provoca, não nos arrebata. Daqui a algum tempo, fatalmente, nem lembraremos mais dessa produção.

A Netflix tem nos agradado com ótimas séries, comoventes e surpreendentes, porém, o ano de 2018 não está sendo um bom ano para os longas da produtora. Desde O Rei da Polka estamos rezando para que ela nos entregue um filme de qualidade. Prossigamos com as orações.

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Joel Tavares

Viciado em filmes, séries, teatro e chocolate. Se apaixonou pelo cinema quando era apenas um garotinho e viu Jurrasic Park na telona em inglês. Não entendeu uma palavra, mas os dinossauros eram demais