Crítica | Aniquilação: Um suspense complexo sobre ficção científica

Vendido pelos estúdios Paramout para a Netflix, Aniquilação é o mais novo longa de suspense e ficção científica de Alex Garland, diretor do empolgante Ex Machina, vencedor do Oscar de Melhores Efeitos Visuais em 2016. Baseado na obra do escritor americano Jeff VanderMeer, o filme narra os acontecimentos posteriores a queda de um estranho corpo luminoso na terra, vindo do espaço.

Lena (Natalie Portman) é uma bióloga, professora universitária e ex-militar. Vive angustiada com o sumiço de seu marido, Kane (Oscar Isaac), também militar, após uma missão na Área X, local onde o corpo extraterrestre caiu. Após o retorno repentino de Kane, a personagem percebe que seu companheiro está muito doente. Ela decide, então, entrar na Área X a fim de encontrar a cura.

Acompanhada por um time de profissionais femininas, Ventress (Jennifer Jason Leigh), Thorensen (Gina Rodriguez), Radek (Tessa Thompson) e Sheppard (Tuva Novotny), Lena adentra a cortina orgânica, conhecida como brilho, em busca de respostas para o estranho fenômeno. Um ambiente hostil, inóspito e repleto de espécies em constante mutação são alguns dos perigos encontrados no local.

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Roteiro complexo, suspense inteligente e protagonismo feminino

Seguindo os passos de Ex Machina, um suspense sobre tecnologia e inteligência artificial, Alex Garland conseguiu elaborar um roteiro concreto. A história é interessante e a motivação de cada personagem é bem construída. O caso extraconjugal de Lena ajuda a explicar a relação de frieza entre ela e o marido, além de dar peso dramático a personagem. A narrativa é desenvolvida de maneira dinâmica, aumentando o clima de expectativa sobre os acontecimentos que virão. Embora os efeitos especiais não sejam dignos de um Oscar, o design de produção e a ambientação são pontos positivos do longa.

Os atores escalados são muito bons e entregam ótimas atuações, apesar de os personagens não serem os mais cativantes. Natalie Portman, ganhadora do Oscar de Melhor Atriz pelo brilhante e visceral trabalho em Cisne Negro (2010), está bem no papel principal. Jennifer Jason Leigh, indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Os Oito Odiados (2016), entrega mais um ótimo trabalho. O protagonismo feminino do filme é excelente e ajuda a encorpar o movimento feminista que, felizmente, tomou conta de Hollywood.

Aniquilação é bom e possui momentos interessantes para os amantes de uma boa aventura biológica. Para os espectadores mais incrédulos, talvez não seja a melhor maneira de apresentar uma invasão alienígena. O entendimento sobre a mutação da fauna e flora local, juntamente com as cenas assustadoras de animais modificados são o ponto alto da trama. Porém, o filme poderia dar mais explicações sobre o evento ocorrido na Área X.

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O suspense é uma ótima aquisição para o catálogo da Netflix, e também para o currículo do cineasta. Aniquilação não é um marco da ficção científica moderna, mas entrega o que propõe.

Avaliação: 

Iron Ferreira

Carioca e Jornalista graduado. Admirador da comunicação e de suas linguagens. Acredita no cinema como ferramenta capaz de transmitir sentimentos, quebrar preconceitos e mudar o mundo.