Darren Aronofsky revela o verdadeiro significado de ‘Mãe!’

Ficou perdido em tantas metáforas ou simplesmente ainda não faz ideia do que diabos quer dizer Mãe!? Durante o SXSW, neste sábado de manhã, diretor Darren Aronofsky revelou sua visão sobre seu divisivo (e esnobado no Oscar) drama estrelado por Jennifer Lawrence e Javier Bardem.

“Eu queria fazer um filme sobre a mãe Terra e como tratamos a mãe Terra”, disse Aronofsky sobre o papel de Lawrence, uma mulher grávida que precisa lidar com uma série de visitas indesejadas em uma fazenda com o marido poeta. “Na minha opinião, a forma como nós tratamos a mãe Terra é incrivelmente desrespeitosa. Nós a saqueamos, estupramos e a chamamos de suja. É por isso que Jennifer interpretou a personagem como ela fez,” Aronofksy disse. “Há muita emoção”, declarou o também roteirista.

Quanto ao personagem de Bardem, Afronosky confirmou que ele estava destinado a representar Deus. “Eu olhei para a Bíblia e como o Deus do antigo testamento é retratado”, disse o diretor. “Quando você pensa sobre esse Deus, se você não reza para ele, ele te mata. Que tipo de personagem faz isso? Para mim, foi sobre a interpretação da emoção humana.”

Sobre a preparação intensa para o filme, Aronofsky disse que Mãe! precisou de três meses para ensaios, onde ele contou para os atores sobre o significado alegórico de seus personagens. Ele mesmo filmou uma versão de teste do filme, em um armazém em Brooklyn, sem qualquer tipo de maquiagem ou figurino. “Não existia paredes,” ele disse. “Foi como “Dogville”(de Lars Von Trier).

O cineasta também falou sobre a intenção de dar ao espectador o ponto de vista da protagonista. “Há apenas três planos em todo o filme,” conta Aronosfky. “A câmera foi sobre o ombro de Jennifer ou no rosto dela, geralmente indo e voltando. Então tivemos o seu ponto de vista”.

Jennifer Lawrence em “Mãe!”

Além de falar sobre outros filmes que dirigiu, como Noé, O Lutador e Cisne Negro, Aronofsky também citou o clima político em torno da administração de Donald Trump. “A arte é sobre perturbação, especialmente hoje. Com toda a merda que se passa, não há desculpa para se fazer filmes vazios.”

Com informações da Variety.

Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...