Oscar 2018 | De olho no bolão: categorias de som, fotografia, efeitos visuais e maquiagem

Já estamos a menos de uma semana do Oscar 2018. Enquanto muitos cinéfilos correm contra o tempo para assistirem a todos os filmes que podem, antes da noite mais prestigiada do cinema hollywoodiano, outros já estão fazendo as suas apostas no bolão. E nessa hora, uma ajudinha sempre cai bem.

Muitas vezes, as categorias técnicas podem fazer diferença durante as apostas. Ao contrário das categorias de atuação, quando há em muitos casos uma divisão entre as principais premiações, os sindicatos e as associações costumam apontar as principais tendências a serem confirmadas no Oscar. Porém, isso não é uma regra e sempre podemos ter surpresas, conforme veremos abaixo. É o que deve acontecer no próximo domingo, 4 de março, em Los Angeles, durante a entrega das estatuetas. Vamos as categorias:

EDIÇÃO E MIXAGEM DE SOM

As duas categorias são extremamente técnicas. Mesmo um cinéfilo mais atento pode não perceber ou até mesmo compreender os critérios que levam ao favoritismo de um determinado filme. Tentando simplificar ao máximo, a mixagem de som engloba todos os sons de um filme que, quando combinados, elencam todos os sons de uma projeção. Já a edição de som é responsável por captar e criar os sons dentro de um filme.

Edição de Som

No último dia 18, aconteceu a 65ª edição do Golden Reel Award, premiação concedida pela Motion Picture Sound Editors. A organização premia, anualmente, inúmeras categorias relacionadas a edição de som, divididas entre animação, musical, filme em língua estrangeira, curtas, entre outros.

A categoria principal de efeitos é a que serve como parâmetro para o Oscar. Os cinco indicados para o Oscar (Blade Runner 2049, Em Ritmo de Fuga, Dunkirk, A Forma da Água e Star Wars: Os Últimos Jedi) foram indicados na premiação, ao lado de outros filmes como Logan, Thor : RagnarokPlaneta dos Macacos – A Guerra.

O vencedor escolhido pela organização foi Blade Runner 2049. Porém, muitos apontam Dunkirk ou Em Ritmo de Fuga como os favoritos ao prêmio deste ano. No entanto, não deixa de ser uma boa aposta. Nos últimos cinco anos, apenas duas edições confirmaram o vencedor do Oscar: 2013, com 007 – Operação Skyfall (que dividiu a estatueta com A Hora Mais Escura) e 2014, com Gravidade. Desde então, quem vence o Golden Reel não leva a estatueta dourada para casa.

Ryan Goslin em “Blade Runner 2049” (2017)

Mixagem de Som

No último dia 24, a Cinema Audio Society entregou os prêmios referentes as melhores mixagens de som de 2017, durante a  54ª edição do CAS Awards. Ao contrário do prêmio concedido aos editores, onde todos os nomeados ao Oscar estavam na disputa, aqui quatro dos cinco indicados concorriam ao prêmio da Academia: Dunkirk, Em Ritmo de FugaA Forma da Água e Star Wars: Os Últimos Jedi. Os eleitores da CAS indicaram Mulher-Maravilha. Já no Oscar, Blade Runner 2049 aparece na disputa. E não deve ser desconsiderado.

O vencedor eleito pela CAS foi Dunkirk. A aposta é, inclusive, a mais segura no bolão, levando em consideração o primoroso trabalho de som realizado no filme. Porém, o histórico recente também aponta para uma tendência que se repete na outra categoria sonora. Nas últimas cinco edições, apenas dois vencedores no CAS Award levaram o Oscar: Os Miseráveis, em 2013, e Gravidade, em 2014. Nos anos seguintes, a estatueta dourada foi dada para outro filme. No ano passado, por exemplo, La La Land foi agraciado pela cinema Audio Society. No entanto, a Academia deu o prêmio para Até o Último Homem.

Fionn Whitehead em “Dunkirk” (2017)

CABELO E MAQUIAGEM

Estrelado por um irreconhecível Gary Oldman, na pele de Winston Churchill, O Destino de uma Nação foi o grande vencedor do prêmio do Sindicato dos Maquiadores e Hair Stylists dos EUA (Make-Up Artists and Hair Stylists Guild Awards). Com três indicações , o filme ganhou as categorias de Melhor Maquiagem em Filme de Época e Efeitos de Maquiagem, na cerimônia ocorrida na noite do último sábado (24).

O sindicato divide os seus prêmios em mais três categorias: Melhor Maquiagem em Filme Contemporâneo, Melhor Penteado em Filme Contemporâneo e Melhor Penteado em Filme de Época. No último ano, por exemplo, muitos apontavam Star Trek – Sem Fronteiras como favorito, já que havia levado o prêmio de efeitos. Porém, Esquadrão Suicida, que havia ganho na categoria de melhor maquiagem em filme contemporâneo, ficou com a estatueta da Academia.

Este ano, três filmes concorrem ao Oscar. O Destino de Uma Nação Extraordinário foram indicados em todas as categorias possíveis na premiação do sindicato, enquanto Victoria & Abdul não foi lembrado. O que coloca o drama de época inglês em vantagem é justamente o fato de ter conquistado não apenas um, mas dois prêmios do sindicato.

Processo de maquiagem de Gary Oldman em “O Destino de Uma Nação” (2017)

FOTOGRAFIA

A 32ª edição do ASC Awards, organizada pela American Society of Cinematographers escolheu Blade Runner 2049 como o grande vencedor da premiação, realizada no último dia 17. Também concorriam ao prêmio A Forma da Água, Dunkirk, O Destino de Uma Nação e Mudbound. Todos os cinco filmes e seus respectivos diretores de fotografia também concorrem ao Oscar em 2018.

Será uma grande surpresa se a Academia resolver não premiar Roger Deakins, pela deslumbrante fotografia de Blade Runner 2049. No entanto, nos últimos anos ela não tem confirmado todas as vezes a tendência apontada pela Sociedade Americana. Tomando como base os últimos cinco anos, em duas oportunidades isso aconteceu. Inclusive com o próprio Deakins, que em 2013 venceu o prêmio da ASC com 007 – Operação Skyfall, sendo derrotado no Oscar por As Aventuras de Pi. A outra vez em que isso ocorreu foi no ano passado. Em 2017, Lion: Uma Jornada Para Casa conquistou o troféu da ASC, enquanto a Academia premiou La La Land.

Além disso, pela primeira vez uma mulher foi indicado ao prêmio da ASC. Rachel Morrison, por Mudbound, também concorre no Oscar e embora não seja provável, poderá surgir como ganhadora se a Academia decidir surpreender a todos (e fazer história) no próximo domingo.

Rachel Morrison, diretora de fotografia de “Mudbound” (2017)

EFEITOS VISUAIS

Organizada pela Visual Effects Society, no último dia 13, a VES Awards  costuma ser um forte termômetro para o Oscar. Na 16ª edição do prêmio, concorriam os mesmos indicados que estarão concorrendo no Oscar: Blade Runner 2049, Guardiões da Galaxia Vol. 2Kong: A Ilha da Caveira, Star Wars: Os Últimos Jedi e Planeta dos Macacos: A Guerra, grande vencedor da noite. 

Nos últimos cinco anos, em três edições a Academia confirmou o vencedor do VES. Inclusive ano passado, com Mogli: O Menino Lobo. Nas vezes em que isso não aconteceu, dentro desse período, Ex Machina e Interestelar superaram Star Wars: O Despertar da Força e Planeta dos Macacos: O Confronto. A propósito, a franquia da Fox sempre sai derrotada no Oscar. Em 2012, Planeta dos Macacos – A Origem perdeu a estatueta para A Invenção de Hugo Cabret . No próximo domingo, dia 4 de Março, enfim o macaco César poderá ser, enfim, ser lembrado por uma estatueta.

Vencedor do VES, “Planeta dos Macacos: A Guerra” é um dos favoritos na categoria

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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...