Lista | As melhores séries de 2016

O ano de 2016 foi marcado por um recorde em termos de exibição de séries. Um levantamento divulgado pelo canal pago FX confirmou que foram produzidas nada menos que 455 temporadas de atrações diferentes neste ano, o que representa um aumento de 8% em relação a 2015, que já tinha sido definido como um ano histórico para as séries de TV. O estudo inclui, além da produções dos canais de TV aberta (NBC, CBS, ABC) e pagos (HBO, AMC, Showtime), plataformas de streaming como a Netflix, Amazon Prime Video e o Hulu. Para se ter uma dimensão ainda maior, em 2009 este número chegava a metade do que é hoje. Veja o gráfico abaixo:

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Levantamento realizado pelo canal “FX”

Com tanta coisa no ar, fazer uma relação contendo as melhores séries não é um tarefa fácil, tampouco justa. No entanto, dentre algumas dezenas vistas, com ou sem review aqui no Quarta Parede, segue abaixo uma lista com a qual você poderá concordar ou discordar nos comentários:

10 – Narcos (Netflix)

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Após uma segunda temporada mais consistente, Narcos continuará contando a história da propagação da cocaína pelo mundo sem Pablo Escobar (Wagner Moura). Agora o foco do agente Javier Peña (Pedro Pascal) se voltará para os irmãos Orejuela, expandindo a trama. O segundo ano trouxe um Pablo diferente, aprendeu com os erros iniciais e melhorou o que havia sido bom em sua estreia.

9 – Stranger Things (Netflix)

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Bebendo sem moderação de fontes literárias e cinematográficas como Steven Spielberg, John Carpenter e Stephen King, os irmãos  Matt e Ross Duffer, que produziram e escreveram o roteiro da série, conseguiram combinar com competência elementos de terror, suspense, conspiração governamental, aventura e ficção científica. Referenciando os anos 80 através de uma imersão nostálgica, Stranger Things é uma série que te pega pelo elemento retrô mas não deixou de contar uma simples e boa história, em sua primeira temporada.

8 – House of Cards (Netflix)

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Em sua quarta temporada, o drama político colocou Claire Underwood em seu momento de maior protagonismo até agora. Já Frank, mirando na reeleição, confirmou aquela máxima que diz: o mais difícil não é chegar mas se manter. Mesmo com uma derrapada aqui e outra ali, no que diz respeito ao ritmo da série, desde o conflito entre potências, reviravoltas partidárias, um jovem casal para ameaçar os planos presidenciais e uma ameaça terrorista, House of Cards entregou uma temporada mais regular do que havia sido no ano anterior e continua sendo uma das boas séries em exibição atualmente.

7 – Game of Thrones (HBO)

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Para muitos, a sexta temporada de Game of Thrones foi a melhor de todas já feitas. Não fosse a primeira, certamente isso poderia ter sido um consenso. De fato, não faltaram eventos marcantes em Westeros e Essos como a ressurreição de Jon Snow e a Batalha dos Bastardos; a trajetória de Daenerys rumo a Porto Real; o grande Septo de Baelor explodindo ao som de Ramin Djawadi; dentre tantos outros tantos acontecimentos que tornaram cada episódio uma boa experiência. Mesmo com algumas incoerências no roteiro, não haveria como deixar a trama em um lugar que não fosse destacado em 2016.

6 – The Night Of (HBO)

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Com um excelente episódio piloto, em seu desenrolar a antológica The Night Of conseguiu ir além de uma série criminal ou jurídica. As transformações e a jornada de Nazir Khan (Riz Ahmed) em Rickers Island e a crítica ao sistema carcerário foram pontos importantes abordados na minissérie. Ainda houve um dos melhores personagens de 2016: Jon Stone. O papel seria originalmente de James Gandolfini, Tony Soprano de The Sopranos. O falecido ator chegou a gravar o episódio piloto e acabou sendo substituído pelo amigo John Turturro, que deu um show como o advogado de porta de cadeia que encarou o caso de sua vida. Com uma bela fotografia e direção segura, foram oito episódios de uma primeira temporada que valeu a pena.

5 – Westworld (HBO)

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Com o fim de Game of Thrones chegando, a HBO investiu pesado para tornar Westworld o seu carro chefe. Através de uma narrativa que transformou as teorias em um adereço importante para os fãs, os roteiristas Jonathan Nolan e Lisa Joy acertaram justamente aonde Sam Smail, por exemplo, derrapou na segunda temporada de Mr. Robot: provocaram uma série de questionamentos mas forneceram respostas suficientes, embora algumas tenham sido previsíveis. A primeira temporada trouxe elementos como inteligência artificial, consciência, auto-conhecimento e a natureza humana, que foram explorados através de um bom sci-fy, acompanhado de cenários incríveis e uma belíssima fotografia. Sem falar no elenco que além dos veteranos Anthony Hopkins (Dr. Ford), Ed Harris (The Man in Black) e do brilhante Jeffrey Wright (Bernard), teve Evan Rachel Wood (Dolores) e Thandie Newton (Maeve) com atuações que renderam indicações ao Globo de Ouro de 2017.

4 – Quarry (Cinemax)

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É bem provável que esta seja uma das séries menos assistidas aqui na lista, mas pode confiar que é uma das melhores estreias do ano. Os personagens imperfeitos e a narrativa densa são complementados por uma ambientação muito bem retratada, no início dos anos 70, em meio a acontecimentos diversos nos Estados Unidos em plena efervescência. Em sua primeira temporadaQuarry acompanha o veterano de guerra Mac Conway (Logan Marshall-Green), que volta do Vietnã e acaba se envolvendo com um grupo de extermínio que atua na região, após ter dificuldades de se reinserir na sociedade. Mas a premissa da ação também abre espaço para o drama de um casal tentando superar uma difícil situação, investigações policiais e as tensões raciais da época.

3 – Atlanta (FX)

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Mais uma estreia de destaque em 2016, Atlanta trouxe a partir de uma ideia simples uma das melhores temporadas do ano. Criador e protagonista da série, Donald Glover dá vida a Earn, personagem que abandona o senso comum para investir no hip hop através do seu primo Alfred (Brian Tyree Henry), o rapper Papper Boi. O curioso é que a vida dos dois é uma bagunça tremenda, controversa e cheia de situações irônicas e engraçadas. A cidade é um importante elemento, explorada através de seus cenários e pessoas com as quais eles interagem. A música, claro, é um fator que move a trama, que também dá espaço para uma abordagem interessante das redes sociais e como elas afetam nossas vidas.

2 – Better Call Saul (AMC)

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Quando o anúncio de um prequel de Breaking Bad ocorreu, muita gente desconfiou da capacidade de Saul Goodman (Bob Odenkirk) sustentar uma narrativa que girasse em torno de sua história de origem. Ao contrário de produções onde a primeira temporada possui uma qualidade que não é mantida pelos anos posteriores, em Better Call Saul há um crescimento notável, fazendo o movimento inverso. No bom primeiro ano revisitamos personagens como Mike (Jonathan Banks) e Tuco Salamanca (Raymond Cruz), além de conhecemos outros como Kim Wexler (Rhea Seehorn), Howard Hamlin (Patrick Fabian) e Chuck McGill (Michael McKean), este último o grande responsável pela reviravolta da primeira temporada e que passou a ser o antagonista neste segundo ano que, ao passo em que Jimmy se transforma, também se modifica, cada qual com seu objetivo. Introspectiva, cheia de referências visuais e rica em detalhes, a série criada por Vince Gilligan respeita seu material de origem, não tendo pretensão de se igualar, mas reconhecendo e abraçando seu potencial com abundância em 2016.

1 – The People v. O.J. Simpson: American Crime Story (FX)

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Vinte e dois anos após o julgamento do século, o FX exibiu aquela que foi a série mais completa do ano, ao abordar de forma extremamente plural o caso O.J. Simpson. Acusado de matar a ex-mulher Nicole Brown e seu amigo Ronald Goldman, Simpson foi bem interpretado por Cuba Gooding Jr. No entanto, as atuações mais marcantes ficaram por conta de Sarah Paulson, arrasando no papel da promotora Marcia ClarkSterling K. Brown como o promotor Cristopher Darden e Courtney B. Vance, que esteve impecável como o advogado de defesa Johnnie Cochran. A lista de boas atuações ainda inclui John Travolta e David Schwimmer como Robert Shapiro e Robert Kardashian e um bom elenco de apoio. A série também se beneficiou de outros fatores positivos como fotografia, figurino, ambientação, ritmo e uma narrativa extremamente viciante que expôs todos os lados da moeda: mídia, polícia, júri, opinião pública, preconceito de gênero e a carta do racismo, mostrando como todos esses fatores combinados podem influenciar algo tão evidente, que foi o crime. Certamente foi o tiro mais certeiro do produtor Ryan Murphy na TV e uma obra extremamente relevante em 2016.

Menções honrosas e outras nem tanto

Se a lista fosse até o 15, provavelmente poderíamos ter a presença de Mr. Robot que em sua segunda temporada, após um primeiro ano impecável, tropeçou um pouco nos exageros estilísticos e mistérios sem recompensa. Entretanto, não foi ano ruim, com foco na insanidade de Elliot e os desdobramentos do hack da Evil Corp.

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Outra série que optou por caminho diferente e tem pago o preço é The Walking Dead. Através de uma mudança em sua estrutura – se comparado principalmente à sexta temporada – com episódios focados em poucos personagens e maiores do que estávamos acostumados, após um chocante início, a sétima temporada vem sofrendo críticas e chegou a ser apontada por uma pesquisa como a pior do ano. Um exagero, é claro. Em certo ponto é compreensível o rumo que a série tomou, mas sejamos justos: não dá para competir com o pelotão de cima, pelo menos nessa primeira metade.

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A cultuada Black Mirror trouxe em sua terceira temporada mais expectativa e menos qualidade. Não que a série tenha ficado ruim, mas aquela consistência da primeira temporada, que não se repetiu com tanta intensidade na segunda (embora tenham sido bons episódios) também não foi vista. Talvez a quantidade maior de episódios na Netflix (o dobro) tenha diluído um pouco aquele brilho inicial. Os destaques ficam por conta do angustiante Shut Up and Dance, o tão futurista quanto atual Nosedive e o otimista San Junipero. Em termos gerais, a série antológica continua sendo significativa no que diz respeito ao pensamento da nossa relação com a tecnologia e o rumo que estamos tomando.

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As séries de heróis da Netflix não tiveram tanto destaque quanto se pensava. A segunda temporada de Demolidor esteve abaixo do primeiro ano, mas não deixou de ser um bom entretenimento, trazendo Justiceiro e Elektra para a trama. Já Luke Cage investiu no blaxploitation em sua primeira temporada, mas faltou um pouco mais de consistência. Quem também bebeu dessa mesma fonte foi a boa The Get Down, trazendo em sua estreia um retrato de época surreal e pulsante, através da música negra dos anos 70.

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Uma das novidades da fall season foi High Maintenance, da HBO. Se você curte uma série mais descolada e não se importa com o politicamente correto, poderá até gostar das relações interpessoais dos clientes do entregador de erva vivido por Ben Sinclair, e suas viagens (sem trocadilhos) por Nova Iorque. Outra série que não é para qualquer um é Haters Back Off, da Netflix, estrelada pela youtuber Coleen Ballinger que interpreta sua personagem da internet Miranda Sings. Um besteirol sem tamanho, com personagens estranhos mas que poderá até agradar se você gosta do gênero e quer assistir algo mais distante da realidade. Falando ainda em comédia no serviço de streaming, a antológica Easy, de Joe Swanberg, trouxe uma temporada de estreia que passa na média e vale uma assistida. Outra que merece uma olhada é a desbocada e irreverente Chewing Gum, série inglesa da engraçadíssima Michaela Coel, que só chegou em 2016 por aqui, embora tenha sido exibida originalmente em 2015.

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A ficção científica ganhou espaço nas produções nacionais e a Rede Globo prometeu entregar uma revolução na TV aberta, com sua “misteriosa” Supermax. No entanto, a série não passou de um trash mal executado, com apenas um episódio que salvou e um final ruim, misturando uma série de elementos para não chegar a lugar algum, com os velhos vícios da dramaturgia global. Já a Netflix trouxe 3%, com uma interessante crítica social num futuro distópico, que embora falhe na falta de originalidade e conte com uma certa deficiência em termos de figurino e produção, é compensada por uma história que consegue prender a atenção e tem algumas boas atuações, embora nem todas tenham agradado tanto.

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O Cinemax prometeu tocar o terror com Outcast, série baseada nos quadrinhos de Robert Kirkman, criador de The Walking Dead e também responsável pela adaptação da obra de possessão demoníaca. Entretanto, a primeira temporada foi morna e só empolgou no fim. Outra criação de Kirkman para a TV também não apresentou bom resultado. O spin-off Fear The Walking Dead conseguiu a façanha de não aprender com os erros de sua série de origem, trazendo o menos do mesmo em sua segunda temporada.

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Mas tá faltando muita série boa na lista!

Com certeza! Você deve ter sentido falta de séries veteranas e estreantes, sobretudo aquelas que frequentaram tops dos mais diversos como The Americans, BoJack Horseman, This Is UsGoliath, BillionsInsecureRectify, Fleabag, Horace and Pete, Transparent, Veep, Insecure, Orange is The New Black, Homeland, The Night Manager, The Young Pope, Chance, Vikings, Preacher e The OA, entre outras. Até o fechamento dessa lista elas estavam (e estão) sendo assistidas a todo vapor, ou não saíram da fila. Lembra das 455? Não chega a isso tudo mas a fila é grande…


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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...