Crítica | Rogue One: Uma História Star Wars

Provavelmente você já deve ter ouvido por esses dias que Rogue One: Uma História Star Wars é Star Wars como você nunca viu. Seguramente, essa é uma das melhores definições sobre este spin-off que consegue preencher várias lacunas referentes à franquia e ao mesmo tempo, funciona como um ótimo filme independente do gênero.

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Um dos grandes méritos do longa dirigido por Gareth Edwards (Godzilla) é que você pode identificá-lo como um filme com elementos de assalto, mas sobretudo com o fator da guerra extremamente presente, com cenas muito bem filmadas, diga-se. Isso sem fazer com que as características de Star Wars sejam perdidas. Tudo essencialmente está ali, desde o figurino até a ambientação que se apresenta da forma mais orgânica possível. Planetas, cidades, costumes, religiões, etnias e pessoas, tudo aquilo que vimos (ou não) de maneira mais superficial no material original ganhou espaço, sendo retratado de maneira bem natural e com maior substância. Outro ponto a destacar é que, apesar das viagens espaciais, o filme tem uma pegada bem crua e terrestre,  com personagens sujos e provocando a imersão em meio aquele cenário caótico do conflito.

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Comparativamente, pois é inevitável, mesmo Rogue One sendo um longa diferente, se conecta os demais filmes da franquia de três maneiras: o clima denso remete ao Episódio V: O Império Contra-Ataca e os desdobramentos dos acontecimentos desembocam diretamente no Episódio IV: Uma Nova Esperança; A capacidade de produzir um filme com toda tecnologia necessária para elevar Star Wars a um patamar superior, como vimos em Episódio VII: O Despertar da Força; e através das inúmeras referências, personagens dos outros filmes e easter-eaggs, que estão presentes o tempo todo mas que para um fã menos ávido ou aquele espectador mais desatento, não atrapalham a experiência.

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A carga dramática que envolve o filme também é mais evidente e não poderia ser diferente, em se tratando de guerra, que é retratada através de mortes e perdas reais com as quais o público se importa. O longa também se encarrega de mostrar uma Aliança Rebelde mais ambígua, como não conhecíamos e traça ainda um paralelo com o nosso mundo, através de grupos extremistas, evidenciados através da figura de Saw Guerrera (Forest Whitaker). Poderia ser o oriente médio mas estamos falando de Star Wars. Outro personagem que movimenta a trama é Galen Erso, com uma boa interpretação de Mads Mikkelsen. Grande mente criativa por trás da construção da arma criada para destruir planetas, ele humaniza todo o processo de projeção daquilo que só víamos de uma forma tão grandiosa, colocando em uma escala menor, com direito a engenheiros e trabalhadores.

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A protagonista Jyn Erso (Felicity Jones) não possui o mesmo carisma de outras personagens femininas de Star Wars como Ray e a presença de Leia. Entretanto, há um desenvolvimento em sua jornada e é necessário destacar que não é há um protagonismo tão acentuado pois o grande mérito do filme é retratar a causa da rebelião como o fator mais importante. O conceito de equipe é muito forte a todo momento, o que dá importância a todos os personagens com os quais o público cria identificação. Todos possuem papéis importantes a desempenhar, como Cassian (Diego Luna) o espião da Aliança que mostra um lado totalmente diferente do que conhecíamos sobre os rebeldes;  Chirrut (Donnie Yen), um guerreiro cego que não é Jedi mas acredita na Força fielmente; Baze (Wen Jiang) amigo e protetor de Chirrut; e Bodhi (Riz Ahmed), piloto desertor do Império que também desempenha um papel importante. É impossível não mencionar que temos um novo droide para gostar. Assim como o filme, K-2SO (Alan Tudik) é diferente de todos aqueles robôs que já vimos até agora, com uma personalidade bem peculiar e umas tiradas bem engraçadas. Importar-se com todos eles e torcer pelo objetivo, que é roubar os planos da Estrela da Morte, se torna algo fácil de acontecer.

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Visualmente o filme encanta, com lindos planos abertos ao retratar sobretudo os planetas. Há uma predominância de cores escuras na paleta, que contrasta com o ato final, à luz do dia e em especial com a última cena. Em um dos enquadramentos, onde a cidade de Jeda é mostrada, é possível notar todo um contexto de comunidade não visto antes. As batalhas no espaço e os combates aéreos são muito bem executados, mas há um conflito na praia que é de arrepiar. O CGI é bom e se encarrega de dar vida a personagens antigos da franquia. Um é convincente mas não chega e ser extraordinário. Já o outro leva o cinema ao êxtase absoluto em um momento de catarse único! Não há aquele texto de apresentação na tela na introdução, certamente para nos situar de que este não é um dos episódios regulares. Outro elemento ausente é a transição de cenas em cortina, implementada por George Lucas e uma característica da franquia. Se por um lado aquele charme se perde, por outro Rogue One reforça ainda mais sua identidade, portanto é compreensível a decisão embora, como fã, haja uma sensação de que algo está faltando. Entretanto, há uma presença de efeitos práticos, como ocorre no Episódio VII dirigido por J.J Abrams, o que confere um charme essencial ao filme. Outro aspecto técnico importante é a trilha sonora, algo intrínseco a qualquer filme de Star Wars e que de forma brilhante e respeitosa, Michael Giachinno se encarrega de entregar com maestria.

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O roteiro de Rogue One, que fica a cargo de Chris Weitz e Tony Gilroy não segue nada que seja muito diferente em toda a saga, sobretudo a primeira trilogia. Algumas soluções e acontecimentos são possíveis de se antecipar mas o diferencial se dá na própria estrutura e o ritmo do longa não peca e em momento algum. A ação é continua e quando o filme dá uma respirada, há sempre algo acontecendo de interessante. O humor também se faz presente de maneira bem orgânica e nenhuma piada parece forçada ou fora de hora, algo importante por conta do tom que o filme apresenta.

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Como não há presença de Jedis ou batalhas com sabre de luz, o vilão Orson Krennic (Ben Mendelsohn) possui um viés militar. Ele acaba não tendo aquele peso necessário como ameaça, muito por conta de sua subordinação aos seus superiores. A todo instante, a figura que realmente faz emanar o medo e o terror é Darth Vader. Na maior parte do tempo existem menções e sua presença apenas é sugerida. Suas aparições são apenas pontuais, não havendo um exposição excessiva mas a cada uma delas, existe um crescimento gradual que culmina em uma cena que já é icônica. É um daqueles momentos que o fã se vê agraciado e o que finaliza este ato é a cereja do bolo!

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Em um ano marcado por muitos blockbusters que não deram certo, Rogue One: Uma História Star Wars é o mais bem sucedido de todos. Emocionante, o filme cumpre seu papel e apresenta uma história que só havia sido mencionada antes por meio de citações e pequenas falas, mas que se faz grandiosa e permitiu que o sonho da resistência permanecesse vivo. É o Star Wars que precisávamos e sobretudo, que gostamos e aprendemos a admirar.

4 estrelas e meio


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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...