Crítica | Westworld 1×07: Trompe L’Oeil

Você pode até ter achado que as teorias sobre Bernard eram verdadeiras mas, a confirmação e o desdobramento da revelação fizeram da cena, a mais marcante até o momento em Westworld. O episódio Trompe L’Oeil não foi somente um divisor de águas, como também despejou uma enxurrada de novas informações, nos presenteou com diálogos memoráveis e avançou a trama de forma considerável.

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O maior paradoxo que vimos até agora foi o fato de sabermos que, o mais humano dos humanos (até então) mostrados era mais uma criação de Ford. Principalmente em um núcleo corporativo onde parece não haver muita ética e moral. Se houveram indícios, estes eram bem sutis e muitos ainda duvidavam se Bernard poderia ser de fato um anfitrião. Neste domingo, o primeiro sinal foi a forma como ele assumiu a culpa durante a reunião, e a expressão de Anthony Hopkins é extremamente assustadora durante toda a cena. Depois, a porta não percebida na casa dos Ford e os protótipos deram ao público uma sensação de recompensa, mesmo sendo algo anti-climático. Não há como deixar de mencionar que Jeffrey Wright esteve sensacional, desde o princípio até o momento derradeiro, onde perplexidade e emoção deram lugar a robotização, imposta pelo seu mentor. Que trabalho magnífico tem feito os atores e neste episódio em especial, Wright brilhou. O que foi aquela retirada de gravata e o arregaçar de mangas? Incrível.

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A partir desta perspectiva, muita coisa muda. O sacrifício de sangue exigido pela presidente do conselho da DelosCharlotte Hale, tornou-se o fim para Theresa Cullen, de forma extremamente surpreendente. Essa parte da teoria acho que ninguém poderia prever. Se de alguma forma, a frase dita por Hale e Theresa enquanto terminava de brincar com Hector passou despercebida, mais tarde vimos que a mesma não foi em vão. Está claro o domínio que Ford tem dos anfitriões é tão grande que através do personagem de Rodrigo Santoro, ele tomou conhecimento do fato. Se Theresa soubesse que estava com medo dele pelos motivos errados, poderia até não ter sido morta. Aliás, a cena de seu assassinato (que literalmente explodiu cabeças) não somente tratou de desumanizar Bernard, causando uma ruptura substancial com o que acreditávamos e a nossa noção de realidade, como também representa uma ousada decisão de Jonathan Nolan e Lisa Joy. Apesar de não possuir um protagonismo na série, Theresa era uma das personagens de peso na Delos e vejamos como isso será resolvido.

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A propósito, muita gente acha que Arnold vive no parque, seja por meio uma consciência transferida para um anfitrião, ou até mesmo vivo. Seria exagero admitir tal premissa para Theresa ou vão dar um fim convencional a ela? Difícil opinar, ainda mais que a desconfiança chegou de vez na série.

“Eles são livres aqui. Sob meu controle…” Dr. Robert Ford

Deus de Westworld, Ford mostrou-se o manipulador que se no episódio anterior pensávamos não estar inteirado de forma completa da situação. Aqui ele domina a situação e se converte no grande vilão até o momento, reforçando essa condição duas vezes, ao falar do controle que possui e quando afirma conhecer tudo ali, por ter construído o lugar. O que ele quer é que seu legado sirva ao propósito do parque (e de sua mente insana que construiu um mundo para chamar de seu), ao contrário dos interesses da Delos que querem aposentá-lo, com interesse de utilizar a tecnologia para outros fins. Por isso os backups de dados que encerram, por ora, essa questão. Em partes, pois ainda precisamos saber o que aconteceu com Elsie, ausente neste episódio. Algum robô controlado por Ford pode tê-la silenciado, mas morta ainda não acredito.

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Despertando para mais um ciclo, agora Maeve vive mais plena do que nunca depois de seu novo upgrade. Várias mudanças puderam ser percebidas: a percepção das coisas ao redor desde sua cama até o Saloom é outra, a forma como ela olha para Clementine com uma certa pena por saber que sua história é falsa (assim como descobrimos ser a de Bernard) e a mais importante, que é o fato dela não ter sido paralisada pelo comandos dos técnicos. Mais tarde, vimos mais um pouco de sua interação com Felix e outra ameaça a Sylvester, exigindo sua liberdade. Convenhamos, ele agora tem mais medo da andróide do que do diabo. A personagem deverá ser um dos catalisadores da insurgência que está por vir e a tensão em torno disso aumenta a cada episódio.

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 “Você acha que eu tenho medo da morte? Eu tenho feito isso um milhão de vezes…quantas vezes você já morreu? “ Maeve

As coisas não terminaram nada bem para Clementine. A cena em que ocorre a demonstração manipulada de sua agressividade é extremamente bruta e visceral. Primeiro ela é espancada e depois faz o inverso, na tentativa de provarem que o código de Ford era uma ameaça. Todo mundo sacou que era uma armação, mas reparou que o anfitrião que a agride estava programado para agir e ser lido como humano? Pode ter sido mais outra dica sobre Bernard, que ali é o que mais se choca com a violência, curiosamente. Outro fato importante também foi a lobotomia digital de Clementine, que na verdade também visava encobrir a fraude. Por isso a presença de Theresa, assistindo a incomoda e desagradável cena. Se por um lado pode ser o fim da personagem como conhecemos, por outro tomara que possamos ver mais Angela Sarafyan na série, pelo menos em outra narrativa.

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Quase que em um mundo paralelo (ou linha temporal), William e Dolores, na compania Lawrence e seus homens, passaram por mais alguns apuros, onde no final sobram somente os três. Há de se destacar a sensacional cena da batalha no trem, com direito a explosões, metralhadoras e uma tensão incrível. Se por um lado não tememos por William, quem esteve bem a perigo foi Dolores, que agora mais do que nunca não pode voltar para a manutenção. Agora não!

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Depois de desenhar um caminho para o oceano, ela finalmente encontrou o local. Ai temos dois fatos curiosos: Dolores está chegando a um ponto para qual foi programada a chegar e isso tem haver com o  labirinto? O que tem lá para Lawrence afirmar que eles não voltarão vivos? Veremos algo totalmente novo ali.

A entrega de William ao parque, abraçando não o que há de pior em si mas o seu melhor, é para uma reflexão. Seus sentimentos confusos e o sexo entre eles (bela cena aliás), mais uma vez mexem com a sensação de realidade e a nossa percepção do que pode ser fantasioso ou não. Afinal de contas, o sentimento por algo pode ser considerado real? Dolores, sendo um ser  que cada vez mais improvisa e desenvolve o raciocínio, tem como se apaixonar também? Se no início havia todo um distanciamento, agora o cowboy não somente passa a matar como se entrega emocionalmente também a Dolores. Porém, quem garante que algo não possa estar influenciando isso, com Arnold a direcionando como Ford faz no presente. Isto se realmente a linha temporal for diferente, porque se William não for o Homem de Preto como especula-se, pode ser que as coisas podem não acabem bem.

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Diante de tantas incertezas, a sensação de desconfiança só não se torna desconfortável porque a trama tem avançado e entregue respostas, de maneira que possamos compreender para onde estamos indo. Nossa percepção está confusa mas os caminhos da série não. Além disso, há muito tempo uma história não impactava tanto o seu público com uma reviravolta e os três episódios restantes prometem ser catárticos.

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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...