Crítica | Westworld 1×06: The Adversary

Mesmo com alguns desajustes no roteiro, The Adversary conseguiu elevar a tensão ao máximo, sendo o episódio de Westworld mais centrado no mundo real até agora. Grande parte do parque temático ficou de lado, dando lugar as disputas dentro da corporação e trazendo revelações bem interessantes.

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Desta vez Maeve assumiu o protagonismo após o grande cliffhanger do episódio anterior. Se antes era somente uma sensação esquisita, desta vez pudemos percebê-la totalmente deslocada no parque, indo em direção ao Saloom, quase que como uma visitante em seu primeiro dia. Há também um fato curioso, que foi o seu despertar no início do episódio, cena que comumente pertence a Dolores, totalmente ausente desta vez. No episódio 4 Maeve já havia feito importantes descobertas, no entanto ao se deixar matar (de forma bem desconfortável) ela demonstra que sabe realmente o que está fazendo. Só faltava descobrir onde estava.

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As cenas com Felix são muito boas e se pensarmos que personagens com menos importância a princípio, estão assumindo um papel de destaque na trama, aumenta a imprevisibilidade dos acontecimentos. O lado sombrio de Maeve ao ameaçar Sylvester também merece destaque, mas nada se compara a grande cena do episódio, onde ela conhece vários departamentos da empresa, aprendendo mais sobre sua origem. Uma cena linda por sinal, com direito a Radiohead no piano (Motion Picture Soundtrack), onde ela conhece vários elementos que compõem e remetem à existência dos anfitriões no parque: lutas, sexo, morte, animais, até a chegada no pavimento superior, com a descoberta de sua narrativa. Há pouco tempo ela era destaque no trailer mostrado e não a cafetina que em sua memórias dirige o Saloom há 10 anos, mas na verdade ganhou este roteiro a um ano e meio.

Mas, nem tudo são flores.

É inegável que em séries com a temática da ficção científica façam com que o espectador tenha um certo nível de suspensão de descrença. Mesmo assim, dentro de um determinado contexto, é necessário ter coerência para que o roteiro não apresente soluções fáceis, mesmo com o intuito de que algo possa parecer tangível ao espectador. Sendo assim, temos que admitir que a maior cena do episódio, quiçá uma das melhores da série até aqui, apresentou uma incoerência muito grande para uma empresa daquele porte.

Um funcionário em um posto não muito prestigiado, ou açougueiro conforme dito entre eles, teria condições de andar tão livremente com ela por ali? Não há um sistema de vigilância que possa impedir tal comportamento? Uma coisa é tentar “reviver” um pássaro, outra é andar pela empresa com uma das atrações. Outro fato que chama atenção é quando eles elevam sua inteligência e diminuem sua dor e lealdade. Se eles tem o controle da situação e estavam assustados, por que não impediram as intenções dela, incapacitando-a?

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Quem trouxe uma série de informações importantes foi Elsie. Com um certo destaque, sua investigação provou ser muito valiosa com a descoberta do roubo dos dados que vem de dentro da Delos, envolvendo antigos anfitriões e que a leva até um local onde era feita a retransmissão. Dentro do antigo local abandonado, um cliché e tanto: sair sozinha para descobrir algo obscuro, no meio da noite. Some-se a isso a informação repassada da descoberta e a percepção de que existe alguém escondido, com algo acontecendo em seguida. Você fez um ótimo trabalho Elsie, mas todos nós sabíamos que algo ia dar errado. No entanto, o problema maior relatado por ela atende pelo nome de Arnold. Ele ou alguém se passando pela sua pessoa está reprogramando os anfitriões e esse é mais um mistério envolvendo essa que promete ser a maior revelação que a série vem preparando. Afinal, quem ele é? Ainda não dá para apostar.

O envolvimento de Theresa, que reaparece muito bem, retrata o quanto as motivações obscuras na empresa devem ser um dos motivos, senão o maior, para tudo que está por vir. Foi surpreendente saber que ela está por trás das transmissões, talvez para uma escalada de poder na empresa, não sendo a toa sua insistência para que Lee Sizemore saia de seu momento depressivo e volte a ativa. Aliás, outro momento legal foi ver a piscina e o bar onde eles se divertem, num ambiente diferente do que foi mostrado até então. Só não pareceu agradável para Sizemore passar vergonha, na frente da diretora executiva do conselho da Delos, Charlotte Hale. E ao menos que você estivesse tão grogue quando ele, deve ter percebido que a bela moça não estava somente interessada nos atributos do roteirista, na cena da piscina.

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Também investigando as anomalias, a descoberta de Bernard foi altamente impactante pois mostrou o complexo de Deus cada vez mais evidente do Dr. Ford. Se ele é capaz de manter sua família para o conforto de sua memórias passadas, quem poderá garantir que outros anfitriões não sejam imagem e semelhança de pessoas que já existiram? No episódio 3, quando Ford mostrou a Bernard uma foto dele no passado com o co-criador do parque, vimos que ele se parece com o patriarca da família Ford e seu espanto foi notável.

Outra cena digna de aplausos é quando o pequeno Robert se revela por dentro, conforme já mencionado pelo Homem de Preto no último episódio, cheio de engrenagens com aparência mais robótica. Já havia dito por aqui que o menino era sua réplica mirim e isso não era muito difícil de se supor. No entanto, sabemos que ele tem a capacidade de mentir e atende somente aos comandos de Ford, assim como os demais não cadastrados. Além disso, lembra quando ele contou uma história sobre seu cão a Dolores? É ele quem aparece morto.

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Tema recorrente na temporada, o labirinto não fica esquecido e aparece de forma corriqueira no episódio. Mais cedo, quando Ford visita a cidade de Lawrence, vê esculpida em uma mesa o símbolo, que após retornar de sua visita a sua “família”, observa em uma de suas anotações. No parque, o que vimos foi apenas a continuação da história do Homem de Preto com Teddy, seguindo para Pariah. Quando são aprisionados por soldados da União, de novo o símbolo é mostrado e inclusive, o cowboy explica o significado do mesmo como sendo uma lenda que remete a um homem que havia sido morto várias vezes.

Desta vez, Teddy não morre. Ele mata vários soldados em uma sequência de ação de fazer o Homem de Preto ficar de queixo caído. Uma de suas memórias veio a tona e foi possível saber que na verdade ele esteve em conluio com Wyatt, ao invés de sobreviver ao ataque. Fica a pergunta: seria essa mais uma das alterações que estão sendo feitas? Não é nada parecido com a narrativa de Ford, afinal. “Você não sabe nada sobre mim” diz ele. Nós também não esperávamos essa do mocinho.

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Já estamos indo para o 7º episódio e a julgar pelas informações mostradas, pela primeira vez temos a sensação real do que está por trás de Westworld. Agora faltam peças para o quebra cabeça que se estabelece dentro do parque. Se as respostas vierem no mesmo ritmo, poderemos ter um final de temporada muito bom, com a trama indo para frente. E que venham as teorias da semana.

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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...