Crítica | Esquadrão Suicida

Após um bombardeio de críticas em seu último filme Batman vs Superman: A Origem da Justiça, a esperança da DC/Warner era que com Esquadrão Suicida, uma redenção pudesse vir. Entretanto, entre novas filmagens para dar um tom leve a produção e um trabalho de marketing expressivo, a entrega não saiu como o esperado.

Com roteiro e direção de David Ayer, o filme se perde no meio do caminho e não é somente um total fracasso por conta do trabalho dos atores. O começo não é ruim e o primeiro ato é bem interessante, com a apresentação dos personagens, em meio a uma narração da figura austera e verdadeira vilã Amanda Waller (Viola Davis), que situa os personagens através de eficientes flashbacks, ao som de músicas freneticamente selecionadas. Não a toa, a melhor parte do longa é justamente na apresentação daquilo que ele tem de melhor: o elenco e a química entre eles. Em meia hora, já se conhecia os personagens que iriam ser explorados durante  a projeção. Faltava apenas uma ameaça e como combatê-la.

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É verdade que nem todos tiveram um tempo de tela equilibrado. O desenvolvimento de personagens como Arlequina (Margot Robbie) e Pistoleiro (Will Smith) foram bem mais destacados, de forma até compreensível pela expressividade dos atores. Will sempre entrega atuações na medida em filmes de ação, enquanto que Margot soube atribuir loucura e carisma a personagem, embora tenha ficado presa a fraqueza emocional da mesma. Outros personagens como Slipknot (Adam Beach), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) Katana (Karen Fukuhara) foram extremamente subaproveitados e quase não tiveram o que dizer ou fazer.

Em filmes de equipe, embora existam protagonismos, a divisão, não somente do tempo investido no personagem mas na importância da narrativa, eleva substancialmente o grupo como um todo. Já Diablo (Jay Hernandez) e Capitão Bumerangue (Jai Courtney) funcionam dentro do que se propoem, com destaque para o primeiro, que apresenta um interessante conflito moral e tem os melhores poderes mostrados em cena de forma convincente. Joel Kinnaman faz um trabalho correto como Rick Flag, embora em alguns momentos pareça estar um pouco deslocado por ser apenas um militar que está ali para manter o controle.

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Entretanto, houve um ponto fora da curva. É necessário destacar que todo o marketing utilizado para promover o Coringa de Jared Leto foi um tiro no pé. E não se trata somente de tempo para atuação e sim o que disponibilizar. A promessa de que haveria uma presença ameaçadora, sobretudo nos trailers, não foi cumprida. A forma como foi representado um dos vilões mais icônicos do cinema não soube encontrar um tom específico. Seus antecessores Heath Leadger,  Jack Nicholson e até mesmo o caricato Cesar Romero, cada qual a seu estilo, serviam a uma narrativa específica, com peculiaridades intrínsecas ao vilão que conhecemos.

O Coringa de Leto, com muito desgosto em dizer, não transmitiu a psicopatia necessária ao vilão, tampouco acrescentou algo consistente para o longa, indo em desencontro a premissa apresentada. Entretanto, é bom que se diga que o roteiro não ajudou e algumas cenas pareciam fazer parte de um outro filme. Os momentos em que ele se sai melhor são os flashbacks que mostram a transformação da DraHarleen Quinzel, no entanto a romantização excessiva da relação entre os dois foi algo que destoa da proposta do vínculo deles, que tem um viés extremamente psicológico.

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Dito isso, a partir do segundo ato, com a ameaça apresentada e uma missão em curso, o filme começa a desandar de forma considerável, em ritmo e enredo. Com vilões totalmente esquecíveis e genéricos ao extremo, que se manifestam da pior forma possível e sem carisma algum, tivemos uma virada não muito surpreendente com Amanda Waller. O ápice vem em um diálogo sofrível em um bar, quando a humanização dos vilões acontece de forma incoerente com o time de bandidos da pior espécie que havia sido prometido. Mais uma vez, o (anti) marketing fez com que este momento fosse algo estranho e nada condizente com a premissa do filme. Ainda sobre este ato, as ameaças que o grupo enfrenta antes de chegar aos vilões principais (sic) não oferecem o perigo necessário para fazer com que o público tema por eles, mesmo que lutem de forma atabalhoada e sem nenhum tipo de lógica.

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No ultimo ato, mesmo com um ritmo melhor mas atrapalhados por luminosos e espalhafatosos efeitos visuais, os vilões mostraram ser nada mais que algo a ser combatido. Não houve nenhuma situação de tensão estabelecida ou nada que pudesse colocar dúvida se a tal ameaça poderia ser vencida, mesmo com o elemento sobrenatural em evidência. Muito disso se deu por conta da fraca atuação de Cara Delevingne, que por sinal, não é atriz. Porém, mais uma vez o roteiro acabou enfraquecendo o desfecho, através de soluções fáceis e diminuindo o peso da antagonista. E haveria até um bom campo para ser explorado com a personagem Magia, que com duas personalidades, poderia acrescentar nuances interessantes.

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Um dos aspectos que corroboram para as críticas negativas, além do roteiro, é a montagem e erros de continuidade existentes. A inserção de cenas após o encerramento das gravações já era algo que se sabia, após as críticas negativas de Batman vs Superman, no entanto isso representa um perigo enorme, se não bem aplicado. A ambientação noturna também não colaborou muito em relação aos efeitos visuais, que não estiveram tão bem empregados. Esteticamente, a composição visual dos personagens foi boa e bem condizente com as HQs, sendo um ponto positivo a se destacar. Porém, não houveram cenas em que pudéssemos observar o trabalho em equipe em um campo aberto. Sobram planos fechados e sequências picotadas e enquanto falta uma visualização mais panorâmica para as cenas de ação.

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As participações de Batman e Flash foram pontos positivos, apesar de estarem ali também com um propósito, que é de não nos esquecermos do próximo filme da DC: Liga da Justiça. O mesmo acontece na cena pós-creditos, em um diálogo entre Bruce Wayne e Amanda Waller, que não deixa a chefona nada feliz, em relação a criaçao da Liga e também coloca Bruce a par de um relatório sobre meta-humanos. Nada muito revelador, é bom que se diga, mas as cenas serviram para ligar pontos do roteiro e não foram gratuitas.

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Com tantos fatores negativos, uma coisa precisa ser dita: se você não se incomodar com os furos de roteiro e assistir por mera diversão, Esquadrão Suicida até pode agradar e entreter. Entretanto, espera-se muito mais, sobretudo em um vasto leque de heróis e vilões que a DC tem para oferecer. Encontrar um tom adequado deve ser a palavra de ordem, assim como estabelecer uma lógica dentro daquilo que está sendo feito, que é justamente a maior falha de Esquadrão Suicida.

2 estrelas


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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...