Maratona ou Semanalmente: Como Você Prefere Assistir Séries?

Nos últimos anos, um hábito é cada vez  mais comum para os amantes de séries: a maratona. Em muitos casos, as narrativas tem sido pensadas para o próprio formato, de forma que seja possível acompanhar de forma contínua as tramas, embora a maneira convencional de se assistir seriados ainda exista.

Conhecido também como Binge-watching, o ato de maratonar séries tornou-se comum para muitas pessoas que por falta de paciência para acompanha-las no período regular de exibição. Já outras, que buscam uma imersão maior ou simplesmente por não possuírem um serviço de TV a cabo, passaram a optar pelos downloads de temporadas inteiras, que muitas vezes são consumidas em um final de semana. Há também aqueles que optam por espaçar mais o período em que irão assistir, não se prendendo a um dia específico, o que favoreceu entre outros fatores a entrada dos serviços de streaming, como a Netflix, o Amazon Prime Video e os serviços on-demand nas TVs a Cabo. Esses modelos permitem que os usuários assistam conteúdos em tempo real, sem a necessidade de armazenamento em disco rígido ou mídia física, o que representa para muitos praticidade.

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Imediatismo ou Praticidade?

Atualmente, a Netflix é quem domina o mercado do streaming, disponibilizando um vasto acervo de filmes e séries já exibidas em canais de televisão e cinemas, além das produções originais como House of Cards, Demolidor, Narcos, entre outras. Temporadas inéditas são lançadas e aqueles que não conseguem conter a ansiedade as devoram em um ou dois dias. Em todo caso, você simplesmente escolhe o que quer assistir, na hora que quiser, porém é notório que o foco da empresa é que você sempre assista sempre mais um episódio, um atrás do outro, numa estratégia tentadora e viciante.

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Na maior parte dos serviços on-demand, como o Now (Net), HBOGO* * e o Fox Play (Fox), é preciso ser assinante dos serviços de TV para ter acesso aos conteúdos fora da grade de exibição em seus canais. Embora o custo seja diferente (uma assinatura da Netflix custa bem menos que um pacote de TV a Cabo) a disponibilidade é mais rápida e geralmente um episódio está acessível no dia seguinte, como no caso da HBO, enquanto uma temporada não original, para chegar na Netflix, pode levar quase um ano.

Old School

O modelo tradicional, onde cada episódio é apresentado semanalmente pode ser mais lento mas possibilita algo que não possível no formato contínuo: a discussão. Sim, a qualidade da série vai fazer com que o hype seja mais elevado ou não, mas tomemos como exemplos séries como Game of Thrones e The Walking Dead. Com uma enorme audiência e um público que gosta de especular teorias e fomentar calorosas discussões na internet e rodas de amigos, não faltam críticas, vlogs, podcasts, entre outros meios de debate que durante a semana alimentam o espectador. É bom destacar que nem todo fã se comporta da mesma maneira e muitos preferem apenas assistir, enquanto outros costumam se aprofundar no tema. Em todo caso, o assunto da semana é um grande benefício, não somente para os universos criados mas também para a produção de conteúdo e o abastecimento de informações, que possibilitam maior compreensão das tramas.

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Tomemos como exemplo uma série que possui bastante apelo e teve sua segunda temporada lançada em Março de 2016.  A Netflix disponibilizou os 13 episódios de Demolidor na integra e tão logo isso aconteceu, as maratonas começaram, porém as discussões acabaram tendo um ciclo de vida igualmente proporcional (como um filme por exemplo). Em Abril, já não se ouvia falar com entusiasmo e aqueles que optaram ou não puderam assistir em sequência, acabaram ficando de fora do famoso hype. O mesmo se pode dizer de House of Cards, que estreou em Fevereiro com uma ótima campanha de marketing, porém em Março Frank Underwood já era um vislumbre do passado. Por outro lado, é inegável que a imersão é muito maior ao se assistir séries neste formato, o que acaba tornando a busca pelo próximo capítulo algo bastante tentador. Porém, existe algo que é notório: nem toda série comporta uma maratona. É ai que muitos podem se decepcionar.

A Cultura do spoiler

Um dos maiores exemplos para se exemplificar o frisson que um episódio exibido semanalmente pode causar foi a série Lost. Recheada de mistérios, dramas e reviravoltas, o seriado usou e abusou de todo esse debate que se estabelece após os episódios. Sua exibição ocorreu entre 2004 e 2010 nos Estados Unidos pela ABC e no Brasil às terças-feiras pelo canal pago AXN. Em função da temática da trama, muitas pessoas não esperavam dois dias e faziam downloads ou assistiam por streaming sem legendas, fazendo com que surgissem os famosos spoilers. Quem viveu esse tempo sabe bem como era.

Se Lost fosse exibida nos dias atuais, em uma época onde as redes sociais possuem uma entrada muito maior do que há seis anos atrás, haveria tanta preocupação e revolta dos mais “atrasados” quanto há por exemplo como Game of Thrones, onde ao perder o episódio de Domingo, você precisa esquecer o Twitter e o Facebook se não quiser saber o que aconteceu na noite anterior. É praticamente impossível na manhã seguinte não saber quem venceu a Batalha dos Bastardos, quem o Negan matou, ou ainda aquele final de temporada de Westworld.

Lost

Pensando nisso, a estratégia das TVs a Cabo e o esforço que tem sido feito para que as séries sejam exibidas, pelo menos em tempo real ou no mesmo dia que a emissora de origem, são louváveis e privilegiam o consumidor que gosta de marcar o ponto toda semana na série predileta. O público ganha por ter a obra para consumo rapidamente. É bom destacar que, nem todo mundo poderá ser feliz nessa história, seja lá qual for o critério pois as vezes, um capítulo só irá ao ar a meia noite devido a questões de fuso horário. Para muitos, dependendo do dia é inviável. No entanto, é um avanço que se tenha esse tipo de iniciativa das emissoras para este tipo de público.

Maratona para descobrir séries novas

Em alguns casos, as maratonas acabam impulsionando séries que não possuíam tanto destaque. Um dos grandes exemplos disso no Brasil foi Breaking Bad. A série começou a ser exibida em 2008 no canal norte americano AMC e chegou ao Brasil apenas em 2010. Mas somente quando a Netflix adicionou o show em seu catálogo, veio o grande boom e muitas pessoas maratonaram a trama de Walter White, seja pelo serviço pago ou através de downloads, para poderem acompanhar em tempo real as últimas temporadas. Neste caso, dado a grande expectativa causada pela qualidade da obra, um modo complementou o outro. Mas nem sempre o streaming está a serviço apenas do binge-watching e um exemplo disso é Better Call Saul, prequel da trama de Heisenbeg. Também exibida  originalmente pela AMC, a série que atualmente está em sua 2º temporada, é disponibilizada pela Netflix semanalmente, um episódio por vez, um dia após a exibição original. Desta forma, pode se dizer que é um modelo híbrido que une as duas formas de se consumir o produto.

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Se você é um devorador de séries ou um degustador que aprecia a médio e longo prazo, o que importa é sua experiência. As alternativas estão ai e não existe uma forma melhor ou pior. Cada uma possui vantagens e desvantagens mas, a forma como recebemos a obra e a maneira como isso irá nos impactar é o que acaba sendo relevante no final das contas.

* Atualizado em Fevereiro de 2017.
* *A HBO já disponibiliza a contratação do serviço de streaming, no entanto, ainda é restringido a poucos estados e através de uma única operadora.


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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...