Crítica | Capitão América: Guerra Civil

Ao longo de oito anos a Marvel já havia lançado doze filmes até a estréia de Capitão América: Guerra Civil. Entre aventuras solo, histórias de origem e as duas reuniões dos Vingadores, uma fórmula foi se criando com erros e muitos acertos, para que o Universo Cinematográfico da casa das Idéias pudesse se estabelecer como uma bem sucedida franquia, que extrapola a grande tela e expande sua saga inclusive para a TV.

Pela primeira vez, no entanto, tivemos uma reunião de um grupo considerável de heróis brigando entre si, neste universo. Por outro lado, ter uma grande quantidade de figuras importantes juntas também era uma preocupação, mas não uma novidade por causa dos Vingadores. O grande mérito deste filme é dar espaço suficiente para cada um sem se esquecer que, apesar de uma sensação de Vingadores 2.5, é um filme focado no Capitão América.

 

 

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Steve Rogers, é quem comanda a nova fase dos Vingadores e a apresentação deste novo momento da equipe, é retratada através de uma ação do grupo na cidade de Lagos, na Nigéria. Em uma sequência de ação muito bem executada, de cara vemos o time atuando de forma sincronizada sob o comando do Capitão. Falcão (Sam) , Viúva Negra (Natasha) e Feiticeira Escarlate (Wanda) atuam juntos e por um momento somos capazes até de esquecer os outros vingadores, tal a eficiência do que nos é apresentado em tela.

Uma pena apenas que o vilão Ossos Cruzados tenha sido desperdiçado tão cedo pois poderia ser aproveitado em outro momento. Um dos grandes méritos nessa ação e no restante do filme, é que apesar do foco no embate ente Rogers e Stark, todos os heróis tem um tempo de tela que não é exagerado, de acordo com o que é cabível no roteiro, dando solidez ao longa, fazendo-o fluir de forma natural.

O incidente na Nigéria é o estopim para que seja instaurada a crise, e isso advém da próprias ações dos Vingadores que ao combater ameaças de grande magnitude, acabam gerando consequências na mesma proporção à população civil. Os incidentes em Sokovia, Nova York e Washington são citados e ai vemos como tudo se amarrou nessa série de filmes, para chegarmos até aqui.

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O Capitão América não somente defende um lado, que é o de não se subordinar ao Painel da ONU, que quer determinar quando e como eles devem agir , mas também tem vários momentos importantes a destacar. Ele sabe bem o que acontece na realidade com Bucky Barnes, o Soldado Invernal e investe em ajudá-lo, mesmo que todos não compreendam ou saibam. Lealdade e gratidão movem essa dinâmica de uma forma que dá para compreender a motivação do personagem, mesmo sem concordar.

É preciso ressaltar outra relação de parceria que foi desenvolvida, que é com Sam Wilson. O Falcão está a todo tempo ao lado do Capitão, com exceção do último ato do filme pois foi preso, exatamente por sua entrega incondicional. E a mesma amizade e a forma como ela se despedaça acaba movendo todo a sequência entre Capitão América e Homem de Ferro. Amorosamente Rogers também tem seu momento. Um ciclo se fecha quando vemos a morte de Peggy Carter, e outro se inicia, com Sharon Carter, que também o ajuda bastante.

Robert Downey Jr brilha como nunca. Seu Tony Stark aqui vai se transformando em uma figura amargurada e isolada, mas ainda conserva uma arrogância e sarcasmo de sempre. Agora separado de Pepper, o Homem de Ferro nunca esteve tão bem representado. O filme possibilita que o ator trabalhe isso como antes nunca pode, e a forma como ele vai apresentando todas essas nuances, ao longo da projeção, é sensacional. Mérito não só de Robert, mas como do roteiro que proporciona ao personagem uma profundidade que ainda não tínhamos conseguido perceber. Também é possível compreender o seu lado pois as justificativas são plausíveis. Estar ao lado do governo, para ele, significa ainda termos os  Vingadores, o que para ele é melhor do que ser perseguido e estar a margem da lei. Por esse motivo ele concorda com o General Ross, agora Secretário de Estado.

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As cenas de ação são de uma competência absoluta. Os irmãos Joe e Anthony Russo, que já haviam dirigido o ótimo Capitão América e o Soldado Invernal, fazem jus a escalação e deixam o público com a sensação de tranquilidade, por estarem com a incumbência de dirigir os dois próximos filmes dos Vingadores. A fuga do Soldado Invernal e sua perseguição, a luta no aeroporto e o visceral e raivoso combate no final são momentos memoráveis. No entanto, sempre é bom ressaltar que o filme não se sustenta apenas nisso, pois desenvolve os personagens na medida certa e prepara todos os cenários através de um roteiro que se mostra eficiente.

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Outro personagem que aparece muito bem é T´challa. O ator Chadwick Boseman tem uma ótima presença em cena e atua de forma bem segura. O Pantera Negra está presente em todos os atos do filme  e tem papeis importantes em cada um deles. É uma adição que trará um novo fôlego e grande peso para os Vingadores lá na frente. Ele tem uma postura que impõe respeito, possui recursos e para quem não sabe, a nação africana de Wakanda é bastante tecnológica e um país extremamente recluso. Sem dúvidas, como coadjuvante ele rouba a cena em alguns momentos, sem excessos, sendo muito bem apresentado.

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Outra adição certeira foi Peter Parker, dessa vez colegial, que impressionou os fãs que tanto queriam ver o amigão da vizinhança na Marvel. E deu certo pois Tom Holland caiu muito bem no papel. O Homem-Aranha surge ao som de Let hand free com uma pegada ainda não vista. Este Aranha ainda está em começo de carreira e traz o tom certo para a franquia de filmes do qual participará. Ele é divertido, ainda não sabe como lidar com os outros heróis, exita em viajar por causa da lição de casa e quando cita Star Wars como um filme antigão e usa como referência na luta, não tem como não simpatizar. Sua participação no Aeroporto agrada e muito, e a melhor parte é quando ele interage com o Capitão América. Mas toda a cena em sua casa é excelente. A química entre Tony e Peter foi perfeita.

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Outros heróis também tem a chance de brilhar sem ser algo forçado ou gratuito. O Homem Formiga aparece na dose certa e vê-lo pequeno é legal, mas gigante foi melhor ainda. A cena dele quando vê o capitão pela primeira vez é muito divertida e ele claramente é um alívio cômico do team cap. Visão e Wanda tem diálogos interessantes e Clint Barton, o Gavião, que chega na metade do segundo tempo, parece um pouco deslocado, mas nada que comprometa. Rhodes e Natasha tem maior destaque nesse grupo. Enquanto o Máquina de Combate é quem sofre as maiores consequências do embate do segundo ato, a Viúva está presente em vários momentos do filme e como sempre convence. A Scarlet Johansen merece um filme solo Marvel, será que é pedir muito?

O vilão Zemo, bem interpretado por Daniel Brühl, não agradou boa parte dos fãs de quadrinhos, por sua caracterização. Mas dentro do contexto do filme e para o que ele se propõe, caiu bem. E a Marvel que tanto erra com vilões, dessa vez trouxe um cara com motivações palpáveis, algo que não conseguiu em tantos outros longas. Sua participação é bem dosada e sempre nas sombras, mas é possível entender e acompanhar todo o desenrolar de suas ações. Em que pese alguns exageros, como o fato dele possuir aquela arma, num todo foi satisfatório.

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Apesar de tantos acertos, Capitão América: Guerra Civil também tem seus pontos negativos. Faltou algo na trilha sonora que pudesse impactar e trazer mais peso aos momentos de ação, e dramáticos também. Foi bem econômica aliás. Outro fato é que apesar do alerta de evacuação no aeroporto, pareceu um pouco conveniente que isso acontecesse tão rápido. Outra coisa que poderia ter sido mais bem explorada foi a participação de Martin Freeman, que praticamente fez uma ponta e dado o potencial do ator, foi um desperdício.

Outro fato um pouco questionável é que, a situação poderia ter sido resolvida de uma forma mais simples, se analisarmos de uma forma mais calma. Muita coisa acabou girando em torno de rixa e vingança, e é claro, as vezes as coisas fogem do controle e percebemos isso quando no fim, Tony e Rogers se olham com aquela cara de desgosto. Será que era para tanto? No final tudo ficou bem, em termos, mas uma situação conduzida de forma tão extrema deveria trazer pelo menos uma consequência devastadora, como a morte de um personagem, como no arco original dos quadrinhos, mas não necessariamente igual. Até tiveram a chance de fazer isso com Rhodes, mas optaram por preservá-lo.

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Contudo, Capitão América: Guerra Civil possui um ponto chave a se destacar: independente de ser um filme de heróis, antes de tudo é um ótimo filme. Sim, é um dos melhores filmes da Marvel, possivelmente top 3. Fato é que, deverá ser discutido e comentado por um bom tempo como tal.

4 estrelas e meio

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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...