Crítica | ‘O Animal Cordial’ é um terror nacional surpreendente

Resenha de:
Matheus Ribeiro

Reviewed by:
Rating:
3
On 9 de agosto de 2018
Last modified:9 de agosto de 2018

Summary:

Com uma trama complexa e surpreendente, além dos personagens extremamente humanos, "O Animal Cordial" mostra o potencial do cinema de terror nacional.

Há algum tempo, o cinema nacional tem apostado no gênero terror. Um dos maiores exemplos foi o filme de 2017 O Rastro, que acabou não agradando tanto o público, mas que mostrou o potencial do cinema de terror nacional. E é também nessa proposta que O Animal Cordial chega aos cinemas essa semana.

O longa dirigido por Gabriela Amaral Almeida conta a história de Inácio (Murilo Benício), dono de um restaurante de classe média em São Paulo, que no fim do expediente é invadido por dois ladrões armados. Ele e a garçonete Sara (Luciana Paes) precisam tomar decisões para proteger o restaurante e as pessoas que ainda estavam ali: o cozinheiro Djair (Irandhir Santos), o cliente solitário Amadeu (Ernani Moraese o casal Verônica (Camila Morgado) e Bruno (Jiddu Pinheiro).

Apesar da aparente simplicidade da trama, ela se mostra muito mais complexa e surpreendente, com personagens extremamente humanos que ao decorrer do filme possuem uma tremenda evolução, o que mostra um ótimo trabalho do elenco que inclui Murilo Benicio, Camila Morgado, Luciana Paes, Humberto Carrão, Ernani Moraes, entre outros. Inclusive, o ótimo trabalho do elenco mostra que não é necessariamente na trama do assalto que devemos prestar mais atenção enquanto assistimos a esse filme, mas sim na maneira que cada personagem reage àquela situação, com alguns inclusive perdendo totalmente o controle.

A produção do filme é algo que merece ser mencionada, pois mesmo com o orçamento relativamente baixo e usando apenas uma localização (o restaurante), o longa consegue fazer com que cada cômodo do restaurante transmita ao público uma sensação diferente. Você sente muito mais tensão nas cenas que se passam no salão principal do que na cozinha, por exemplo, além do ótimo uso de efeitos práticos.

O problema fica por conta da edição e mixagem de som. Apesar da ótima trilha sonora, o aumento do som em algumas cenas gera estranheza em muitas delas, quando o som alto se sobrepõe até aos diálogos. Quando os personagens falam algo de muita importância para o público entender o que estava acontecendo, o som alto não permite que isso aconteça. Além disso, há cenas em que o som não se mostrava tão necessário (principalmente quando está extremamente alto e com a ausência do som geraria o mesmo impacto).

Outra questão do longa é em torno do ritmo. Apesar desse estilo lento ser usado em diversos filmes para gerar tensão, aqui, muitas vezes a tensão desaparece em algumas cenas, gerando a sensação de que talvez o filme seja mais longo do que o necessário.

Porém, O Animal Cordial aborda ótimos temas no meio da sua trama que mostra que o cinema nacional está pronto não só para o gênero de horror, mas também para falar de questões mais profundas usando esse gênero.

Matheus Ribeiro

Paulista, jornalista em formação, gamer e viciado em filmes e séries. Acredita que boas histórias nos ajudam a conhecer não só a maneira que a sociedade funciona, mas a conhecer a nós mesmos.