Crítica | Better Call Saul 4×01: ‘Smoke’ inicia a 4ª temporada de forma instigante

Resenha de:
Leonardo Barreto

Reviewed by:
Rating:
4
On 7 de agosto de 2018
Last modified:7 de agosto de 2018

Summary:

No retorno da quarta temporada, “Better Call Saul” apresentou um episódio para situar os personagens em suas respectivas tramas.

Finalmente a quarta temporada de Better Call Saul está entre nós. O primeiro episódio deste novo ano carrega uma carga impressionante de tensão e pavor, mesmo que aparentemente, nada aconteça. O ritmo lento e o desenrolar dos fatos podem ate confundir o espectador, mas são um grande acerto ao reposicionar as peças em direção aos novos rumos da trama.

Como é uma continuação direta da terceira temporada, os ecos dos acontecimentos do ultimo episódio ainda reverberam de maneira latente em Smoke. O suicídio de Chuck, o começo da relação entre Mike e a Madrigal (e Gus), o acidente de Kim, o derrame de Hector Salamanca e suas consequências para o Cartel, além da troca das pílulas feita por Nacho, são acontecimentos que afetam diretamente este primeiro episódio.

Por se tratar de um prequel de Breaking Bad, já conhecemos o fim da história. Ou melhor, o meio. O caminho traçado por Jimmy McGill até se tornar Saul Goodman cada vez mais se aproxima dos primeiros dias que conhecemos em Albuquerque, vistos na série de origem. Todos esses momentos sombrios ajudam a criar uma espécie de reação em cadeia, uma vez que uma das principais características desse universo criado por Vince Gilligan – e Peter Gould em BCS – é o peso das consequências. Por isso, cada vez mais a história de Gene, já em Oklahoma, ganha contornos cada vez mais assustadores.

Dirigido por Minkie Spiro e escrito por Peter Gould, o paciente Smoke é um episódio caracterizado por planos longos e são muitas as cenas em que os atores tem a oportunidade de mostrar o seu talento, através dos dramas vividos pelos personagens. Destaque para Bob Odenkirk, que cada vez mais mostra uma versatilidade enorme, alternando momentos de pavor com o sarcasmo habitual visto no fim do episódio. Michael MandoRhea Seehorn e Patrick Fabian também convencem com seus personagens, enquanto Jonathan Banks oferece a performance mais inusitada e surpreendentemente divertida, durante a visita de Mike à sua nova empresa como consultor de segurança. 

Há momentos em que Better Call Saul resolve falar com o espectador de forma silenciosa, reunindo as informações em tela. Em um deles, na transição do futuro para o passado, vemos as cinzas da casa de Chuck chegarem ao apartamento onde Jimmy e Kim dormem. Isso quer dizer que o irmão ainda vai influenciar muito a vida do futuro advogado mais controverso de Albuquerque, incendiando a sua vida mesmos nos dias frios que a vida lhe reserva, anos a frente. Um momento simples e poético. E sombrio.

Jimmy já se tornou Saul?

A terceira temporada reforçou uma ideia: Jimmy McGuill não se tornou Saul Goodman por acaso. Nada vai do ponto A ao ponto B simplesmente por querer. Há um processo natural, que envolve o desenvolvimento do caráter do personagem. Durantes as três temporadas iniciais, vimos Jimmy tomando decisões questionáveis, sempre com o peso do remorso para lhe assombrar depois. Dois exemplos disso neste terceiro ano foram a armação com o caso Mesa Verde, e quando humilhou Chuck no tribunal. E, é claro, há também o inesquecível momento em que ele grava um vídeo se intitulando como Saul.

No entanto, Smoke traça o primeiro caminho sem volta para o personagem. Aqui, Jimmy dispara uma dura frase para Howard, que acabara de confessar sua culpa pelo suicídio do sócio. Jimmy é capaz apenas de aumentar o remorso do ex-patrão, quando fala da cruz que ele precisará carregar para sempre. Ele está disposto a virar a página e fazer um café, para o espanto da namorada. Se o sensível e boa gente Jimmy é incapaz de se sentir mal em um momento como esse, finalmente ele está cruzando a linha por inteiro.

Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...