Crítica | ‘Vidas à Deriva’ traz romance e desastre na medida certa

Resenha de :
Iron Ferreira

Reviewed by:
Rating:
3
On 6 de agosto de 2018
Last modified:7 de agosto de 2018

Summary:

Vidas à deriva consegue reunir uma boa direção, atuações competentes e uma premissa simples, com toda a dramaticidade e aflição de um desastre.

O mais novo lançamento da Diamonds Film, Vidas à Deriva, é uma grande oportunidade de assistir uma excelente história de superação. Protagonizado por Shailene Woodley e Sam Claflin, o filme é inspirado no livro homônimo de Tami Oldham Ashcraft, que relata o drama real que a autora viveu ao passar mais de 40 dias à deriva no Oceano Pacífico após uma tempestade.

O longa gira em torno do casal Tami Oldham (Shailene Woodly) e Richard Sharp (Sam Claflin), que recebem a proposta de levar o veleiro de um casal de amigos através do Oceano Pacífico, saindo do Taiti com destino à Califórnia. Após aceitarem a solicitação, que inclui uma boa recompensa financeira, o jovem casal embarca em uma viagem que promete ser romântica e tranquila.

Porém, a situação muda quando eles se deparam com uma forte tempestade em alto mar. Ao ser atingido pelos fortes ventos, o barco fica destruído e com o motor comprometido. Sem meio de transporte, com pouco alimento e água a disposição e com graves ferimentos pelo corpo, Tami e Richard ficam à deriva no meio do oceano. O casal precisa unir forças para manterem-se vivos e tentarem alcançar terra firme.

Vidas à deriva é um daqueles filmes baseados em histórias reais que realmente emociona e nos mostra como o ser humano pode sempre se superar. Dirigido por Baltasar Kormákur (Evereste), o longa é uma excelente forma de recuperar a coragem para enfrentar o nosso dia a dia. O roteiro é dividido em duas fases, alternando entre a história do casal e os acontecimentos após o acidente em alto mar. Esse detalhe torna o filme mais interessante, traçando um paralelo entre as cenas românticas e mais tensas entre os dois.

Por se tratar de um filme de desastre, o drama e a tensão não faltam. E nesse ponto o filme é uma excelente surpresa. A aflição dos personagens é transmitida para o público de maneira direta, levando os espectadores a sofrerem junto. O ritmo é outro ponto positivo. Embora possa parecer monótono retratar os mais de 40 dias em que o casal passou à deriva, a ideia de manter o roteiro de maneira alternada foi uma solução muito boa para que a história não perdesse a emoção.

A caracterização dos atores é muito bem feita. As marcas de insolação e os ferimento são bem realistas, chegando a causar aquela pontinha de nervoso e preocupação. A fotografia do filme também merece destaque. Mesmo diante de um desastre, o filme reserva momentos para a admiração do mar e da natureza que o rodeia.

Os efeitos especiais, por outro lado, deixam a desejar. A computação gráfica da cena em que o veleiro é derrubado por uma onda gigante é mal realizada, nitidamente falsa. Destaque positivo para a excelente atuação de Shailene Woodly (Divergente). Sam Claflin (Como Eu Era Antes de Você) também está bem no papel, mas quem rouba a cena é a sua colega de elenco e produtora do filme.

Vidas à deriva consegue reunir uma boa direção, atuações competentes e uma premissa simples, porém, bem desenvolvida. O longa é capaz de  captar toda a dramaticidade e aflição de um desastre, sem perder o fôlego necessário para uma produção cinematográfica.

Iron Ferreira

Carioca e Jornalista em formação. Admirador da comunicação e de suas linguagens. Acredita no cinema como ferramenta capaz de transmitir sentimentos, quebrar preconceitos e mudar o mundo.