Crítica | ‘Missão: Impossível – Efeito Fallout’ é um dos melhores capítulos da franquia

Resenha de :
Jeziel Bueno

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4
On 24 de julho de 2018
Last modified:26 de julho de 2018

Summary:

Com todos os elementos dignos de um grande filme de ação e espionagem, "Missão: Impossível - Efeito Fallout" é um dos melhores filmes da franquia.

Sexto filme de uma consagrada franquia, Missão Impossível – Efeito Fallout já está entre nós. Nessa nova empreitada, acompanhamos mais uma vez as ações do agente secreto Ethan Hunt (Tom Cruise) e seus aliados (Alec Baldwin, Simon Pegg, Ving Rhames), bem como antigos companheiros (Rebecca Ferguson, Michelle Monaghan) e algumas novidades no elenco (Henry Cavill, Angela Basset e Vanessa Kirby), para se encontrarem em uma alucinante corrida contra o tempo e impedir que um ataque terrorista implique na morte de milhões de inocentes.

As histórias dos filmes da franquia Missão: Impossível são muito parecidas e esse novo longa retoma com a velha fórmula de sucesso. Quando uma missão dá errado, a equipe de protagonistas liderados por Hunt se embrenha em uma série de missões arriscadas e com pouquíssimas chances de sucesso para enfrentar um astuto vilão.

Efeito Fallout, apesar do que alguns possam dizer, referindo-se à obra como o melhor filme da franquia – sempre que é lançado um novo filme de Missão: Impossível, ele é tachado por uma parcela de críticos como sendo o melhor apenas por ser o mais recente -, não chega a mostrar nada de novo. É Ethan se vendo frustrado em uma missão, Ethan sendo traído por seus superiores e Ethan liderando sua equipe em uma missão impossível, assim como todos os filmes anteriores, tudo regado a bom humor e uma pequena de sorte.

Contudo, é preciso se dizer que isso não é algo ruim, apenas não é revolucionário e nada arriscado. Mas, nem sempre o risco é algo bom. Quem é fã de Missão: Impossível e já assistiu a todos os filmes – com exceção talvez do segundo, que abusa do título do filme, criando situações literalmente impossíveis e fantasiosas para a tela – compreende a essência desses longas e o que eles querem transmitir. Missão: Impossível não existe para questionar os aspectos da humanidade e estabelecer conceitos filosóficos ou algo do gênero. Os filmes da franquia são feitos para entreter de maneira leve e divertida, com situações cada vez mais arriscadas.

Se no primeiro longa, não houve quem não se contorcesse na poltrona vendo Tom Cruise descer por um cabo em uma sala repleta de lasers, tomando o maior cuidado para não arruinar a missão, nos filmes seguintes os feitos realizados por ele na pele do agente secreto buscaram sempre alcançar escalas cada vez maiores, com situações cada vez mais ousadas e arriscadas. E esse é o grande trunfo da franquia. A única coisa que difere Efeito Fallout dos demais é a falta do momento em que os personagens se reúnem para elaborar um plano para Ethan se infiltrar em um local de uma maneira arriscada em prol da missão.

O roteiro de Efeito Fallout, brilhantemente escrito por Bruce Geller e Christopher McQuarrie (que também assina a direção) possui um ritmo insano e repleto de reviravoltas, com diálogos divertidos, uma dose muito bem acertada de humor, dinamismo e com aquele charme que somente os filmes de espionagem possuem. Apesar de não possuir nenhum plot twist particularmente impactante – eles existem, mas o público é capaz de prever antes – as reviravoltas são interessantes e cumprem seu papel. Há também um pouco de drama nesse capítulo, envolvendo a ex-esposa de Ethan, que até emociona um pouco, mas não chega a alcançar grande entusiasmo, não sendo nada que prejudique a trama ou que deva ser deletado.

Outro fator extremamente elogiável da obra são as maravilhosas coreografias de luta. Seja nos momentos em que Tom Cruise está em cena ou Henry Cavill – destaque para o ator, que faz jus ao termo “martelo” no qual é chamado, ele está incrível no papel de agente durão -, ou mesmo a personagem vivida por Rebecca Ferguson, as lutas são perfeitas. É possível sentir o impacto dos golpes e pode-se ver o quanto os atores estão bem treinados e sincronizados, não havendo nenhuma cena confusa ou feia de se ver. Os movimentos são bonitos e convincentes, além de saltarem aos olhos.

Outro elemento que não pode faltar em Missão: Impossível são as famigeradas cenas de perseguição e cenas de ação. Em Efeito Fallout elas estão mais que presentes e são impecáveis. Créditos também para a direção de arte, figurino, edição e mixagem de som, que estão simplesmente brilhantes.

A direção de MacQuarrie acerta bastante no que diz respeito ao ritmo do longa. Os planos sequência – não são muitos – são muito bem realizados, dando destaque para uma cena em particular, em que Cruise salta de um avião. Durante todo o filme, além da sensação de urgência que paira no ar, é perceptível também a sensação de perigo. Não é difícil criar empatia com esses personagens já tão amados pelo público, porém, a obra vai além, criando situações que geram tensão e medo de verdade.

Apesar de sabermos que os protagonistas não irão morrer, há momentos que esse pensamento falha e tememos por eles. Tudo isso graças a planos bem aplicados, com ângulos mais fechados na hora certa para “sufocar”, plongées para criar sensações diferentes e movimentos de câmera rápidos, especialmente nas cenas de ação, onde também existem planos abertos para que os olhos do expectador possam se situar em relação à posição geográfica dos personagens e o que está acontecendo na cena. Tudo isso aliado à bela trilha sonora e uma direção de fotografia que aposta em uma paleta de cores voltada para o azul em cenas de profundo mistério, e incerteza e amarelo saturado quando o perigo está a espreita e a qualquer momento tudo pode ir pelos ares.

Algo que deve ser dito é que Missão Impossível é mais do que apenas uma franquia de filmes de espionagem. Veja bem, eles são filmes de espionagem até o osso, contendo os melhores elementos de filmes desse gênero. Porém, a série de filmes é bem mais do que isso, e reflete o que é seu protagonista, uma vez que Tom Cruise é o protótipo de Ethan Hunt na vida real. O ator dispensa dublês e com muito treinamento, preparação mental e corporal, realiza todas as cenas arriscadas de seu personagem. Seja escalando sem cordas o prédio mais alto do mundo ou saltando de aviões a alturas estonteantes, Cruise se supera a cada filme.

Em Efeito Fallout, Tom Cruise pilota um helicóptero realizando manobras que mesmo pilotos mais experientes tem receio de praticar, salta de um avião em pleno voo, e ele inclusive sofreu um grave acidente durante as filmagens do longa, em um movimento em que teria que saltar o espaço entre dois prédios. Na ocasião, o ator, que errou a distância e se chocou contra a parede, fraturou algumas costelas. Apesar disso, essa cena consta no corte final do filme e o enredo ainda faz piadas no final, sobre as “costelas” de Ethan Hunt.

Missão Impossível – Efeito Fallout não revoluciona o gênero, mas certamente não é um filme esquecível e seja por sua história bem amarrada – mas não inovadora – ou especialmente por suas cenas de ação ainda mais ousadas e perigosas do que o filme anterior – não conhecemos ainda os limites de Cruise – temos uma nova obra dessa franquia que entrega o que promete, proporcionando um momento de bastante diversão e cenas eletrizantes e emocionantes. Obra indispensável para quem gosta de filmes de ação, espionagem ou simplesmente apreciam essa locomotiva humana chamada Tom “Bad Ass” Cruise.

Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...