Crítica | ‘Próxima Parada: Apocalipse’ não convence e decepciona

Resenha de :
Jeziel Bueno

Reviewed by:
Rating:
2
On 20 de julho de 2018
Last modified:21 de julho de 2018

Summary:

Desperdiçando todo o seu potencial, "Próxima Parada: Apocalipse" é filme apocalíptico esquecível e que não recompensa aos expectadores pelo seu tempo de duração.

A Netflix nos apresenta Próxima Parada: Apocalipse, mais uma película com uma premissa cheia de potencial, mas que por alguns motivos, acaba se perdendo em sua narrativa e faz com que a expectativa venha por água a baixo. A história começa quando algum tipo de desastre acontece na costa dos Estados Unidos, fazendo com que a energia elétrica acabe e as pessoas fiquem impossibilitadas de se comunicar. Agora, um rapaz (Theo James) e seu futuro sogro (Forest Withaker) partem em busca da futura noiva e filha de ambos respectivamente, embrenhando-se em uma perigosa road trip pelas estradas norte-americanas.

Sob um panorama geral, o longa não chega fracassa totalmente, chegando até a proporcionar alguns breves momentos interessantes. Contudo, o problema está presente em praticamente todas as áreas principais em se produzir um filme. O roteiro é extremamente raso e isso faz com que o elenco não tenha com o que se trabalhar. Whitaker entrega mais um personagem a la Whitaker, mais uma persona parecida com todas as que ele já interpretou. Não que isso seja algo ruim, afinal, o ator veterano é talentosíssimo e mais uma vez, mostra como se entrega aos personagens, mesmo que não exista material suficiente que o permita brilhar.

Já Theo James não consegue carregar nos ombros o peso do protagonista, não apenas por falta de mérito, mas pela ausência de um roteiro mais consistente e uma direção mais pontual. O roteiro de Brooks McLaren tem vários furos, mas o principal deles está relacionado ao desenvolvimento do tempo em que os eventos acontecem. Tudo é muito gratuito e ‘jogado’ na tela, sem o devido preparo e com situações que não se amarram entre si. Os eventos acontecem isolados e sem contribuir à trama, ou seja, constituindo uma série de acontecimentos dispensáveis. Assim como alguns personagens surgem do nada, prometendo criar algum gancho para a história, eles desaparecem, descartados levianamente.

O público pode até querer conhecer algumas dessas pessoas, mas o filme os dispensa sem nenhuma explicação, assim como dispensa questões relacionadas ao motivo da catástrofe. O fato de essa catástrofe não ser explicada é um dos poucos acertos do filme, uma vez que nas cenas iniciais, fica aquele tom de mistério pairando no ar, fazendo com que os expectadores tenham a chance de imaginar e inclusive conjecturar teorias acerca do que poderia ter causado todo aquele alvoroço. Porém, os acertos param por aí, pois até esse mistério é arruinado por uma tentativa de explicação no final e que é completamente desperdiçada.

Porém, o maior defeito do enredo se dá ao fato da histeria apocalíptica começar a acontecer rápido demais. Assim que a catástrofe acontece, as pessoas já mudam completamente sua forma de pensar. O roteiro se esquece de que se passaram apenas poucos dias desde o evento. Um apocalipse com aquelas proporções na sociedade demoraria muito mais tempo. Contudo, aqui, foi só as pessoas ficarem sem comunicação e energia elétrica por um ou dois dias e já resolveram pegar em armas e matarem uns aos outros.

Por causa dessa mudança repentina e dos demais problemas levantados, fica difícil se envolver emocionalmente com a narrativa. A direção de David M. Rosenthal até tenta estabelecer uma fotografia mais artística, com planos interessantes e uma paleta de cores desbotada, mas, mesmo uma fotografia mais expressiva pode ser desperdiçada quando a direção não sabe ao certo o que quer transmitir.

Próxima Parada: Apocalipse não chega a ser um filme horrível e pode até agradar o público menos exigente, porém, para muitos, será mais um filme apocalíptico esquecível e que não recompensa aos expectadores pelo seu tempo de duração.

Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...