A arte da nostalgia em ‘Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros’

O que acontece quando uma obra cinematográfica emociona profundamente os fãs, e auxiliado por uma torrente de continuações, cria um legado que mesmo perdendo força durante alguns anos, jamais perdeu seu valor ou foi apagado o caloroso sentimento de saudade sentido por aqueles que vibraram com as cenas icônicas de dinossauros perseguindo pessoas em um parque temático? A resposta é bastante óbvia, se tratando de um cenário caça-níqueis como é o de Hollywood; a produção de mais uma das continuações da franquia Jurassic Park, desta vez, sob uma nova alcunha: Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros.

Em suma, o que deve o fato a ser discutido não são as motivações da criação da obra e sim, se ela funciona como um bom filme ou não. Nesse quesito, podemos levantar tanto questões positivas, quanto questões negativas. Se uma palavra pudesse definir esse filme, seria sem dúvida a palavra nostalgia, que foi o principal caminho narrativo apostado para esse longa, que possui a quinta maior bilheteria da história do cinema.

A problemática se inicia ao tentar reproduzir exatamente a mesma estrutura de sucesso do filme de 1993, não como uma mera homenagem, e sim uma reprodução bastante parecida com aquilo que já havíamos visto. Situações envolvendo crianças perdidas no parque dos dinossauros, um casal vivendo uma disputa romântica e o arquétipo dos cientistas que tentam “brincar de Deus” em prol de seus objetivos oriundos da ganância.

Porém, mesmo com esse elemento arriscado, o longa não se mostra ruim, pois, por meio de uma utilização criativa da trilha sonora e da visita a vários dos elementos do filme original, Jurassic World consegue prestar homenagem à sua referência, mas também, com respeito, desenvolver sua própria identidade, mesmo que bastante parecida com a primeira versão.

O uso dos efeitos de computação gráfica – avanços tecnológicos que auxiliaram para a atualização das imagens dos dinossauros – e o uso de animatrônicos tão utilizado no primeiro filme, para cenas de super close-up das criaturas, torna a aparência dos animais bastante competentes. Um elemento novo que o reboot aposta é no desenvolvimento de um clima de terror ligeiramente expositivo, especialmente no que se diz respeito aos ataques do Indomminus Rex, novo substituto para predador mor do parque.

A nostalgia é marca registrada em “Jurassic World”

O legado de Jurassic Park é algo bastante significativo para os fãs e realmente merece ser visitado, pois, apesar de alguns pequenos problemas, ele contém parte da essência do que foi criado na geração passada.  E também permite que os admiradores que tremeram para a água vibrando com os passos do T-Rex possam admirar juntamente com a nova geração, o medo que pode ser despertado por uma besta albina absurdamente inteligente e com instinto insano de matar.

Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...