Woody Allen diz que deveria ser o “garoto-propaganda” do movimento #MeToo

Em entrevista concedida ao jornalista Jorge Lanata, para o Canal 13 da Argentina, Woody Allen disse que ele deveria ser o “garoto-propaganda” do movimento #MeToo, uma vez que não foi acusado de má conduta sexual por nenhuma das atrizes com quem trabalhou ao longo dos anos.

“Sou um grande defensor do movimento #MeToo”, disse Allen. “Eu sinto que quando eles encontram pessoas que perseguem mulheres e homens inocentes, é bom que eles estejam expondo-os. Mas você sabe, eu deveria ser o garoto-propaganda do movimento #MeToo. Porque eu trabalhei em filmes por 50 anos. Eu trabalhei com centenas de atrizes e nem uma única – grandes, famosas, iniciantes – já sugeriram alguma vez qualquer tipo de comportamento inadequado. Eu sempre tive uma relação maravilhosa com elas.”

O cineasta também se disse incomodado ao ser associado a figuras de Hollywood como Harvey Weinstein, que foi acusado por má conduta sexual por dezenas de mulheres.

“Eu acho que em qualquer situação em que alguém é acusado de algo injustamente, isso é uma coisa triste. Todo mundo quer que a justiça seja feita. Se há algo como o movimento #MeToo agora, você torce por eles, você quer que eles levem à justiça esses terríveis assediadores, essas pessoas que fazem todas essas coisas terríveis. E acho que isso é bom ”, disse Allen.

“O que me incomoda é que me relaciono com elas. Pessoas que foram acusadas por 20 mulheres, 50 mulheres, 100 mulheres por abusos, abusos e abusos, e eu, que só foi acusado por uma mulher em um caso de custódia de crianças que foi considerada e comprovadamente falsa, me deparo com com essas pessoas ”, acrescentou Allen, se referindo a acusação de abuso sexual que ele teria cometido em 1992, em um sótão, quando sua filha adotiva, Dylan Farrow, tinha 7 anos de idade.

Os irmãos de Dylan, Ronan Farrow e Moses Farrow, mantém posições distintas sobre o caso. Enquanto Ronan tem se posicionado publicamente a favor da mãe e ex-namorada de Allen, Mia Farrow, e da irmã, Moses sustenta a alegação de que seu pai adotivo foi acusado de um crime que não cometeu. Em 1997, Woody Allen se casou com outra filha adotiva de Mia, Soon-Yi Previn. A sul-coreana tinha 20 anos de idade na época das acusações e mantinha um relacionamento com o cineasta desde 1991. Os dois estão casados até hoje.

Ao ser questionado sobre o episódio envolvendo a filha de sua ex-namorada, o cineasta ganhador de 4 estatuetas do Oscar refutou as acusações: “Claro que não, quero dizer que isso é uma loucura”, disse Allen. O cineasta disse que se sentiu “angustiado” com as acusações que ressurgiram em meio ao advento do movimento #MeToo, em 2017.

“Isso é algo que foi investigado há 25 anos atrás por todas as autoridades e todo mundo chegou à conclusão de que não era verdade. Esse foi o fim e eu continuei com a minha vida. Quer dizer, meu Deus…é uma coisa terrível acusar uma pessoa dessa forma. Eu sou um homem que tem uma família e meus próprios filhos. Então, é claro, é triste.”

Na época em que o caso veio a tona, uma junta médica chegou à conclusão de que Dylan não havia sido molestada, sob alegações de perturbação emocional e influencia da mãe ao contar a história. Mesmo assim, por considerar o relatório inconclusivo, a justiça concedeu a guarda de Farrow à atriz. Criminalmente, a investigação foi encerrada sem o indiciamento de Allen.

Para assistir a entrevista de Woody Allen na íntegra, clique aqui.

Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...