Estudo registra redução de personagens LGBTQ em Hollywood

A GLAAD (Gay and Lesbian Alliance Against Defamation) divulgou seu sexto Índice de Responsabilidade de Estúdios (SRI), um relatório que mapeia a quantidade, qualidade e diversidade de personagens LGBTQ, em filmes lançados pelos sete maiores estúdios cinematográficos e suas subsidiárias durante o ano de 2017. O estudo aponta uma queda significativa em Hollywood, em relação aos grandes estúdios.

Segundo  a GLAAD, dos 109 lançamentos dos principais estúdios em 2017, apenas 14 (12,8%) deles incluíram personagens que são LGBTQ. Isso representa uma redução significativa em relação ao relatório do ano anterior (18,4%, 23 de 125 filmes) e a menor porcentagem de lançamentos de estúdio inclusivos de LGBTQ, desde que a GLAAD começou a acompanhar o índice, em 2012. Além disso, nenhum dos 109 lançamentos incluiu um personagem transgênero.

O tempo em que esses personagens aparecem também foi mapeado no estudo. Dos 14 filmes inclusos distribuídos pelos principais estúdios em 2017, sete (50%) destinaram menos de cinco minutos de tempo de tela para seus personagens LGBTQ.

Enquanto o número de personagens LGBTQ caiu substancialmente ano após ano, houve um aumento na diversidade racial de personagens LGBTQ. Em 2017, a maioria desses personagens eram negros (57%, 16 de 28). No entanto, não houve personagens LGBTQ asiáticos em grandes lançamentos de estúdio em 2017.

Ruby Rose em “xXx: Reativado” (2017) – Paramount Pictures

20th Century Fox (Alien Covenant, Kingsman: O Círculo Dourado) e Universal Pictures (A Escolha Perfeita 3, A Morte te dá Parabéns!, Corra! e Cinquenta Tons Mais Escuros) receberam classificação ‘Insuficiente’; Paramount Pictures (xXx: Reativado e Pequena Grande Vida), Sony Entertainment (A Noite é Delas) e Walt Disney (A Bela e a Fera) foram classificados como “Ruim”; Lionsgate Entertainment (Hazlo Como HombrePower Rangers) e a Warner Bros. (CHIPS: O Filme, Te Pego na Saída) receberam a classificação “Reprovado”.

RECOMENDAÇÕES ATÉ 2024

No estudo realizado esse ano, a presidente e CEO da GLAAD, Sarah Kate Ellis, pediu aos sete maiores estúdios de cinema de Hollywood que garantam que 20% dos principais lançamentos anuais de estúdio incluam personagens LGBTQ até 2021, e que 50% dos filmes incluam personagens LGBTQ até 2024.

“Com filmes de enorme sucesso como Mulher-Maravilha e Pantera Negra, provando que o público quer ver histórias  diversas que não foram contadas antes, simplesmente não há razão para os grandes estúdios terem uma pontuação tão baixa no Índice de Responsabilidade dos Estúdios”, disse Ellis, que também enxerga nos movimentos Time’s Up e #MeToo, um importante ponto de virada na relação entre indústria e público, nos bastidores e na mídia. “No momento em que a indústria de entretenimento está realizando discussões muito necessárias sobre inclusão, agora é a hora de garantir que a indústria tome ações significativas e incorpore histórias e criadores LGBT como áreas prioritárias para a crescente diversidade.”

A diretora de Pesquisa e Análise de Entretenimento da GLAAD, Megan Townsend, também falou sobre os filmes lançados até agora em 2018 e ressaltou a importância da inclusão desses personagens em papéis de destaque: “Apesar de filmes lançados este ano como Com Amor, Simon, AniquilaçãoBlockers e o relacionamento de Yukio e a Míssil Adolescente Megassônico em Deadpool 2 terem ajudado a quebrar barreiras com personagens LGBTQ, os estúdios ainda precisam fazer mais para garantir que as histórias e personagens LGBTQ sejam incluídas de maneiras importante. Esperamos que esses filmes sejam o começo de uma tendência ascendente de progresso sustentado, e não apenas um pontinho no radar do estudo do próximo ano ”, disse Townsend.

Shioli Kutsuna e Brianna Hildebrand em “Deadpool 2” (2018) – 20th Century Fox

SUBSIDIÁRIAS SÃO INCLUÍDAS NO ESTUDO

Fundada em 1992, a Sony Pictures Classics é o braço independente da Sony Pictures Entertainment, que adquire, produz e distribui filmes e documentários independentes. Entre os muitos filmes inclusivos em quase 3 décadas, no ano de 2017, o estúdio contou histórias impactantes como o filme vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Uma Mulher Fantástica, e o aclamado romance Me Chame Pelo Seu Nome, que recebeu quatro indicações ao Oscar e levou uma estatueta de Melhor Roteiro Adaptado. Outros três filmes se destacam por incluírem personagens LGBTQ: Norman: Confie em MimElla e John e Noviciado.

A Fox Searchlight Pictures, criada em 1994, é uma subsidiária da 20th Century Fox, especializada no lançamento e distribuição de filmes independentes e estrangeiros nos Estados Unidos, além de filmes de terror e dramédias. O estúdio é responsável pelo lançamento de vários filmes indicados ao Oscar e inclusivos da Academia LGBTQ, e em 2017, colocou nas telas filmes como A Guerra dos Sexos, Minha prima Rachel e  A forma da Água.

A Focus Features foi criada em 2002, quando a USA Films, a Universal Focus e a Good Machine se tornaram uma única empresa. A Focus Features produz e distribui seus próprios filmes, além de distribuir produções estrangeiras. O estúdio foi responsável pela produção de Atômica, que inclui uma sequência quentíssima entre Sofia Boutella e Charlize Theron.

Subsidiária da Lionsgate, a Roadside Attractions lançou nove filmes, dois dos quais incluíram participações de personagens LGBTQ, entre eles O Que Te Faz Mais ForteApenas um Garoto em Nova York.

Charlize Theron e Sofia Boutella em “Atômica” (2017) – Focus Features

DISTRIBUIDORAS INDEPENDENTES

Considerado uma potência do cinema independente, a A24 é conhecida por produzir, desde 2012, filmes que agregam valor e dão destaque a personagens LGBTQ. A segunda maior bilheteria da A24 é o vencedor do Oscar Moonlight (2016), onde o protagonista, Shiron, é gay. Em 2017, a distribuidora levou para os cinemas o aclamado Lady Bird, onde o ex-namorado e colega de classe da protagonista vivida Saoirse Ronan, interpretado por Lucas Hedges, é homossexual e encontra dificuldades em sua jornada por causa do convívio religioso e familiar.

Outras distribuidoras independentes – e seus filmes – foram citados, como a Annapurna, com Professor Marston e as Mulheres-Maravilhas, e o The Orchard, que distribuiu, nos Estados Unidos, os indicados ao Oscar Thelma e ótimo 120 Batimentos por Minuto;

CRITÉRIOS ADOTADOS

A GLAAD estabeleceu um método baseado  no “Teste Vito Russo”, que analisa um  conjunto de critérios para verificar como os personagens LGBTQ estão situados em uma narrativa. O  nome é baseado no histriador de cinema, ativista e co-fundador da organização, Vito Russo. O teste é parcialmente inspirado pelo Teste de Bechdel, criado pela cartunista norte-americana Alison Bechdel ,que avalia se um filme faz bom uso de personagens femininas.

Os critérios do teste Vito Russo representam um padrão mínimo que a GLAAD gostaria de ver no futuro, em um maior número de filmes dos grandes estúdios de Hollywood. Esse método estabelece que um filme contenha um personagem que é assumidamente lésbica, gay, bissexual, transgênero ou gay. Seu caráter não deve ser único ou predominantemente definido por sua orientação sexual ou identidade de gênero, e o personagem LGBTQ deve estar ligado ao enredo de forma significativa, de maneira que sua remoção tenha um efeito significativo.

Elton John em “Kingsman – O Círculo Dourado” (2017) – 20th Century Fox

Dos 14 lançamentos de grandes estúdios com personagens LGBTQ em 2017, apenas 9 (64%) passaram no teste Vito Russo, o mesmo número de filmes que passaram no ano anterior.

Para ler e baixar o relatório completo, clique aqui. 

 

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...