Crítica | Westworld 2×01: Journey Into Night

Sim, Westworld está de volta e a nossa jornada semanal pelo universo criado por Jonathan Nolan e Lisa Joy também. Ele (esse mundo) está maior, cheio de desdobramentos mas com a velha narrativa que nos mantém intrigados nos quase 70 minutos do ótimo Journey Into Night.

O diretor do episódio é Richard J. Lewis, que retorna após comandar Chestnut. Curiosamente, o episódio 2 da primeira temporada também mostrou muito do que reverbera hoje na série. Esse é o episódio em que William/Homem de Preto (Jimmy Simpson/Ed) chega ao parque pela primeira vez. Além disso, a violência contra os anfitriões, em especial as mulheres, é bem explicitada, e notem que hoje elas estão em posição de ataque, respondendo ao passado.

Roteirizado por Roberto Patino (Sons of Anarchy), que estreia na série, Journey Into Night volta apresentar os padrões estéticos que notabilizaram sua estreia. A fotografia de Darran Tiernan (American Gods), outro estreante, nos rende momentos que casam com a narrativa e impulsionam a história e não apenas causam impacto pela beleza. A cinematografia que remete ao cinema é sentida a cada plano bem escolhido, auxiliado pela trilha sonora de Ramin Djawadi (Game of Thrones), um dos melhores da atualidade.

Logo no início do episódio já é possível saber que a cronologia dos fatos continua sendo um dos grandes atrativos do show. E isso não é um problema. A série demonstra disposição em se mover para frente, mesmo com idas e vindas que compreendem um espaço de tempo de cerca de duas semanas. É o que separa o Bernard (Jeffrey Wright) da praia com os reforços da Delos, do confuso anfitrião que quase perde suas funções motoras, nos acontecimentos que se passam logo após o ataque liderado por Dolores em The Bicameral Mind.

O mais interessante é, no entanto, a cena que abre o episódio. Ela causa uma certa dubiedade pelo fato de que o sonho citado por Arnold/Bernad envolve o mar e outros anfitriões, cenário que combina com o desfecho do episódio. No entanto, suas considerações sobre a reação de Dolores (Evan Rachel Wood) são intrigantes. A insatisfação da anfitriã sobre a resposta dada por ele sobre o que é real (aquilo que não pode ser substituído) lhe causaram um certo medo. Algo que rima exatamente com o que estamos vendo no início da segunda temporada.

“Não é medo do que você é agora, mas você está evoluindo e aprendendo muito rápido. Eu tenho medo daquilo que você pode se tornar. Do caminho que possa seguir.” Arnold/Bernard

Ainda sobre esse início, sendo colocado em justaposição ao final mostrado, notemos que era da vontade de Arnold não inaugurar o parque. Justamente pelo medo causado pela consciência da evolução dos anfitriões. Aqui ele demonstra medo do que ela, Dolores, poderá se tornar um dia. Isso pode ajudar a explicar, ao longo da temporada, o que acontece naquele mar artificial.

De volta aos eventos que sucedem o season final da primeira temporada, a série vive um momento que inverte os papéis. A mocinha indefesa Dolores agora é mais Wyatt do que nunca. A posição de liderança exercida por ela, colocando o que parecem ser conselheiros da Delos em posição de defesa, mostra o quando seus objetivos estão bem definidos.

Maeve (Thandie Newton) tem o controle absoluto de si e dos seus semelhantes. É divertido ver essa fase de total potencial sendo explorada, e o papel que se inverte aqui não poderia ter sido mais apropriado. Lee Sizemore (Simon Quarterman)não consegue congelar suas funções motoras, atribui uma fala dela como sendo escrita por ele e chega a ser incompreensível para o roteirista (assim como para nós) o fato de que ela, mesmo sabendo de toda a verdade, queira ir atrás de sua filha. Pode ter sido apenas parte de uma narrativa, mas para Maeve, trata-se de um objetivo.

William, ou melhor, o Homem de Preto (Ed Harris), agora tem o jogo que sempre quis. A primeira temporada mostrou sua degradação moral em duas linhas temporais distintas, para entendermos de fato quem ele é e aquilo que deseja. Agora ele irá lutar pela sobrevivência e não deixa de ser interessante como isso irá acontecer, embora já não seja o elemento mais importante nesse momento.

Peça que ainda não tinha sido utilizada de maneira convincente na primeira temporada, Chartoltte (Tessa Thompson) agora possui uma importância que vai muito além de sua condição de diretora. O projeto secreto de espionagem é sem dúvidas uma sacada que pode trazer mais desdobramentos misteriosos para a série. E aqueles robôs assustadores são uma das coisas mais legais desse episódio.

Não há, porém, destaque tão grande quanto o atribuído a Bernard. É a partir do seu ponto de vista que visualizamos os três momentos distintos em que se passam os acontecimentos. Jefrrey Wright já havia demonstrado uma habilidade em evidenciar a confusão de Bernard na primeira temporada, e agora parece ter controle total do personagem. Ele é o dono de Journey Into Night.

Últimas palavras

*  Parece um show-off gratuito, mas não é.  E não tem como ficar indiferente ao status nível hard de Maeve. Thandie Newton é uma baita atriz e sua personagem deve crescer ainda mais, sobretudo em níveis emocionais, nessa temporada. Quando ela coloca Sizemore nú é mais um momento em que Westworld inverte os papéis de androides e humanos no episódio.

*  Se há uma verdade em Westworld, é a de que não importa o quanto os anfitriões triunfem: Teddy (James Marsden) sempre acabará morto.

*  A versão menino de Ford, que conversa com William e depois é assassinada, tem a voz sobreposta do garoto e do próprio Anthony Hopkins. Ficou bem legal e um pouco assustador.

*  Na última temporada, Stubbs (Luke Hemsworth) havia sido capturado por anfitriões e agora está de volta à chefia da segurança do parque. Provavelmente veremos, no espaço de tempo em branco, como ele retornou às suas funções.

* Novos personagens da série, Karl Strand (Gustaf Skarsgård) e Fares Fares (o programador Antoine Costa) prometem ser boas adições ao elenco. Eles chegam para descobrir o que Ford fez para reprogramar os anfitriões e nos dão uma visão importante de como as pessoas chegam ao parque (pelo continente) além do trem, e apresentam novas perspectivas da empresa.

* Tigre morto, Parque 6, Shogun. Mal podemos esperar…

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...