Crítica | ‘Submersão’ nos leva de maneira fria à guerra e ao fundo do oceano

Com roteiro de Erin Dignam e dirigido por Wim Wenders (Pina), Submersão (Submergence) é um filme baseado no romance do britânico J.M Ledegard, um ex-correspondente de guerra.  O filme nos leva até o fundo do oceano e ao terror da guerra, onde podemos então, analisar as relações humanas.

O longa conta a história de amor entre a cientista exploradora de oceanos Dani (Alicia Vikander) e o engenheiro/espião da MI6 James (James McAvoy). De forma não cronológica, vemos Dani sofrendo com o desaparecimento de seu amor durante uma missão, e depois, é apresentada toda a história dos dois e o que levou essa separação. A verdade é que James é capturado por terroristas em algum lugar da África, e isso impossibilita seu contato com a parceira.

A fotografia lindíssima de Benôit Debie, traduz com sutileza o contraste da beleza marítima não explorada no mais profundo oceano e a tragédia da guerra contínua que é vivida pelo povo africano. Porém, mesmo que fascinados pelas imagens captadas pelas câmeras, o filme falha em transformar o amor entre os dois protagonistas em um sentimento real e arrebatador, que teoricamente deveria ser.

A falta de situações dramáticas para representar este laço entre os dois é nítida após os acontecimentos que se sucedem depois da separação do casal. O sentimento fica preso em palavras e na forte interpretação dos atores, que até nos causam certa empatia, mas a concatenação de fatos que promovam o romance quase que shakespeariano é rasa. O espectador entende a dimensão do envolvimento do casal, mas como obrigação, e não vê realmente a força desse amor.

A personagem de Alicia fica um pouco infantilizada após metade do filme. Ela não consegue mais trabalhar, só pensa no parceiro e nas ligações não retornadas. E o roteiro não trabalha essa destruição causada pela separação com ações dramáticas, logo, o sentimento de mulher se torna um sentimento de menina. Já no caso de James, podemos ver como a guerra e os riscos que ele corre na violência de um país entregue ao terror, mexem com seu físico e psicológico, afinal a morte está em seu encalço e a probabilidade de rever Dani é mínima.

Wenders sustenta durante todo o filme um propósito filosófico entre amor e guerra, porém não garante nuances e curvas interessantes o bastante para prender e emocionar quem assiste a obra. Submersão é a típica adaptação de um livro no qual poderia causar um impacto maior, mas a fragilidade do roteiro decepciona.

Joel Tavares

Viciado em filmes, séries, teatro e chocolate. Se apaixonou pelo cinema quando era apenas um garotinho e viu Jurrasic Park na telona em inglês. Não entendeu uma palavra, mas os dinossauros eram demais