Crítica | ‘Exorcismos e Demônios’: muita investigação e poucos sustos

Filmes que tratam de assuntos sobrenaturais continuam sendo produzidos ano após ano, sem medo de um desgaste por parte dos espectadores e de uma repetição no roteiro. Como exemplo temos Atividade Paranormal, Invocação do Mal e Anabelle, que são amostras reincidentes que esses tipos de filmes têm.  Apostando na mesma receita, Chad Hayes e Carey W. Hayes (Invocação do Mal) escrevem o roteiro de Exorcismos e Demônios (The Crucifixion).

Com direção de Xavier Gens (Hitman – Assassino 47), o longa não traz nenhuma novidade e passa de um enredo, mesmo que repetitivo, interessante, para um filme tedioso e nada assustador. Na trama, a repórter Nicole (Sophie Cookson) decide investigar um caso de condenação de um padre, que é preso após realizar um ritual de exorcismo em uma freira de sua diocese, causando sua morte. Nicole quer descobrir se o padre fez o exorcismo erroneamente  em uma pessoa mentalmente debilitada ou se ele realmente perdeu a luta contra uma força demoníaca.

O filme é vendido como terror, mas evidentemente se trata de um longa de investigação. Mesmo contendo cenas de possessões e alguns momentos de susto, Exorcismos e Demônios conta a história de uma jornalista investigando um “crime”, e a maior importância do roteiro é dada à isso. Flashbacks são utilizados para contar a história da freira e mostrar o ponto de vista de alguns personagens quanto ao ocorrido, juntando peças para a solução do crime. Porém, a história é desbravada em um ritmo lento e nada realista.

Quando dizemos “nada realista”, estamos nos referindo ao fato de que a protagonista começa a ser alvo de acontecimentos estranhos e alucinações aterrorizantes. Segundo o padre Anton (Corneliu Ulici), um dos estágios de possessão do demônio são alucinações. E mesmo sabendo disso, ao ver moscas aparecendo em seu vinho, ou sombras de pessoas nas janelas, luzes apagando e acendendo, Nicole não faz absolutamente nada! Não conta para ninguém sobre as visões, não procura ajuda, nada! Continua sua vida normalmente, tomando banho de banheira e lendo livros, como se todas essas fossem situações normais do dia a dia.  Desculpem-nos, mas estamos cansados de filmes que tentam criar essa atmosfera de medo de uma forma tão banal. Isso não é real. Nenhuma pessoa agiria dessa forma.

Cenas assim, trazidas no longa, causam um distanciamento no espectador, que se sente forçado à acreditar que a atitude das personagens são naturais. Ah: e mesmo sabendo que se trata de um demônio que “pula” de corpo em corpo, e que realmente poderia ter “achado” o corpo de Nicole. E fatalmente é isso que acontece. Previsível, senhores.

Quando o fato de que o demônio em questão migra de corpo em corpo, logo lembramos do filme com Denzel Washington e John Goodman, Fallen (1998), que fala mais ou menos sobre o mesmo assunto, e é vendido como um thriller de investigação. A diferença é que no filme quem questão, o roteiro é intrigante, nada previsível e os atores que protagonizam o filme carregam um peso imensurável. Sophie não é culpada pelo fracasso do longa, mas é uma atriz frágil e não impacta com sua interpretação.

As cenas de susto são prescindidas de cenas lentas, que não sustentam a atmosfera  necessária ao medo, para quando a surpresa vier, saltarmos da cadeira. O incrível é que no trailer do filme, os editores provocaram terror em nós. Há um dinamismo na montagem doa prévia que nos aterroriza. Isso não acontece no resultado final da obra.

Exorcismos e Demônios não possui nenhuma novidade, é cheio de clichês e boring. Mais um filme sobre o sobrenatural que vai entrar para o esquecimento assim que a platéia sair das salas de cinema.

Joel Tavares

Viciado em filmes, séries, teatro e chocolate. Se apaixonou pelo cinema quando era apenas um garotinho e viu Jurrasic Park na telona em inglês. Não entendeu uma palavra, mas os dinossauros eram demais