Crítica | ‘The Titan’: suspense, ficção científica e pouco brilho

Seguindo a linha de produções anteriores como Altered Carbon e Mudo, The Titan é a mais nova produção sci-fi da Netflix. Dirigido por Lennart Ruff e estrelado por Sam Worthington (Avatar) e Taylor Schilling (Orange Is The New Black), o longa acompanha a transformação genética de soldados que buscam adequar-se a atmosfera de um outro planeta, para salvar a humanidade.

Em um futuro onde a Terra tornou-se inabitável, devido ao avanço da poluição e esgotamento dos recursos naturais, o planeta Titan é tido como o futuro lar da humanidade. Porém, o corpo humano não é capaz de resistir a um ecossistema completamente diferente. Com esse intuito, a OTAN aprovou uma missão militar/científica que tem por objetivo alterar o DNA humano para que a sobrevivência seja preservada.

Ricky Janssen (Worthington), juntamente com sua esposa Abigail (Schilling) e seu filho, se muda para uma base militar americana com o propósito de participar dessa missão secreta. A medida em que o soldado vai evoluindo no tratamento, sua esposa começa a notar alterações físicas e comportamentais. Decidida a salvar sua família, Abigail enfrenta as autoridades militares para ajuda Ricky e acaba descobrindo o verdadeiro propósito da missão.

Claramente inspirado em clássicos da ficção científica como A Experiência (Roger Donaldson) e O Homem Sem Sombra (Paul Verhoeven), The Titan desperdiça a oportunidade de criar algo inexplorado e acaba caindo na mesmice. A premissa é interessante e possui um bom argumento, mas o roteiro e o desenvolvimento deixam a desejar. Assim como várias outras produções recentes da Netflix, o filme parece não ter alma.

Os efeitos especiais não chamam atenção e a maquiagem poderia ser melhor trabalhada. Tanto nas cenas terrestres quanto nas ambientadas no planeta Titan, o recurso visual não é bem explorado. O CGI de alguns jogos de videogames são melhores. O ponto positivo vai para o bom elenco. Sam Worthington e Taylor Schilling possuem química em cena e conseguem transmitir veracidade em seus personagens. O longa conta ainda com a participação de Nathalie Emmanuel (Game of Thrones) e Tom Wilkinson (Conduta de Risco), ambos com boas atuações.

The Titan poderia ser um grande sci-fi moderno, caso fosse melhor dirigido e com um roteiro melhor. Talvez, nas mãos de grandes diretores como Ridley Scott (Alien – O Oitavo Passageiro) ou Luc Besson (O Quinto Elemento) o resultado fosse mais impressionante. O longa até possui uma boa carga de suspense, porém, é pobre em explicações e a construção dos personagens é fraca, o que dificulta o envolvimento do espectador.

Uma boa solução para a Netflix seria, talvez, investir em qualidade ao invés de quantidade. Prezar por bom roteiristas e diretores, a fim de entregar projetos mais bem realizados, traria uma qualidade muito superior ao que tem sido apresentado.

Iron Ferreira

Carioca e Jornalista em formação. Admirador da comunicação e de suas linguagens. Acredita no cinema como ferramenta capaz de transmitir sentimentos, quebrar preconceitos e mudar o mundo.