The Walking Dead | Boa midseason tem colocado Rick e Negan em papéis inversos

A segunda metade da oitava temporada de The Walking Dead tem sido marcada por um espelhamento narrativo interessante. Ainda temos, em lados opostos, Rick (Andrew Lincoln) e Negan (Jeffrey Dean Morgan). No entanto, os caminhos que a série tem apontado fazem com que, de forma interessante, os papéis dos dois cada vez mais se invertam.

Os novos rumos que a série tomou, em grande parte, tem sido mais satisfatórios que a primeira metade. A guerra desenfreada e o pouco desenvolvimento da história tem dado lugar, em sua maioria, a bons episódios, com propósitos bem definidos. Estabelecer os papéis de ambos os líderes, nesse cenário, tornou-se o que de mais interessante pode ser visto atualmente em The Walking Dead.

O grande catalisador desse novo panorama foi sem dúvida alguma, a morte de Carl (Chandler Riggs). Mal recebida pelos fãs, os resultados dessa decisão estão se refletindo aos poucos no desenvolvimento dos principais personagens da trama (Michonne, por exemplo), assim como a relação entre eles. Além disso, estabelecer Hilltop como ponto de resistência fez surgir, na série, uma nova e importante forma de liderar, com Maggie (Lauren Cohan) a frente da comunidade. Do outro lado, Simon (Steven Ogg), que insurge contra o modus operandi de Negan, coloca não somente o chefe em maus lençóis, mas toda a sua comunidade.

Após a perda do filho, sentida principalmente através dos episódios 9 e 10, Rick tem se tornado um personagem cada vez mais imbuído no propósito de matar seu antagonista e quem mais estiver ao lado dele, como vimos no episódio do último domingo (01). É algo coerente com o personagem, mesmo sabendo das intenções do filho morto em apaziguar as comunidades, pensando no amanhã. Porém, o que está sendo feito é uma preparação do terreno para um embate definitivo, onde o flashback que vimos no início da temporada, onde ele repete a frase “minha misericórdia prevalece sobre a minha ira”.

É justamente nesse momento da série que Negan passa a apresentar uma outra faceta, mais racional. Ausente do posto incontestável de líder e em apuros, podemos apreciar novas nuances do personagem. Nas pequenas expressões e sutilezas da atuação de Jeffrey Dean Morgan, vimos sua reação de pesar com a notícia da morte de Carl, além dos diálogos com Gabriel (Seth Gilliam) e Jadis (Pollyanna McIntosh) . Além disso, através da sua lógica em”salvar pessoas” como motivação para utilizá-las como recursos, vemos que as atitudes dos rivais dependem muito de um ponto de vista para serem avaliadas.

Faltando dois episódios para o fim da temporada, The Walking Dead dá sinais de melhora. Os últimos episódios ofereceram uma novidade em termos de futuro, através do aparecimento da personagem Georgie (Jayne Atkinson), que aparece para trocar recursos por discos e promete retornar em breve. Além disso, os meros coadjuvantes das últimas temporadas voltaram a oferecer perigo real. Os zumbis, sendo novamente aproveitados como algo ameaçador, tem sido novamente motivo de suspense na série, através de decisões que, se não são executadas de forma tão excelente, pelo menos tem sido criativas e ameaçadoras.

Se somarmos a isso a nova camada atribuída a personagem Jadis e o mistério do helicóptero; o conflito gerado pela lealdade de Dwight (Austin Amelio) sendo colocada a prova; além do novo papel que Eugene (Josh McDermitt) passa a exercer na trama, temos situações chegando no limite, e que parecem ter resolução muito em breve para acontecer. Tudo isso, é claro, com um decisivo embate entre Rick e Negan. Pelo menos é o que está sendo desenhado nessa segunda metade.

O último episódio exibido, Still Gotta Mean Something (8×14), denota muito bem os papéis inversos assumidos pelos líderes, ainda em rota de colisão. Ambos tem a oportunidade de resolver seus conflitos com violência ou diálogo. Enquanto Negan poderia escolher um caminho em que abrisse mão de seu recurso em favor da vingança, e não o faz, Rick decide, em uma dobradinha com Morgan (Lennie James), matar todos os Salvadores, após enganá-los.

Há, nesse momento, uma antipatia ao modo como o ex-líder de Alexandria está agindo. Este tem sido o maior trunfo da série até agora: estabelecer os dois lados mas pintá-los de cinza e prepará-los para uma nova virada. Em seus melhores dias, The Walking Dead se notabilizou pela dualidade. Embora não estejamos mais nessa época, restabelecer pontos que deram certo na trama é algo positivo para renovar os ares da série.

Com apenas mais dois episódios por exibir, há muito o que ser resolvido, embora os caminhos já estejam bem definidos. Espera-se que Frank Darabont tenha direcionado bem esse final e que possamos ter boas expectativas para o nono ano da série.

Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...