Crítica | ‘Minha Primeira Luta’: um bom drama esportivo sobre paternidade

Filme original da Netflix, Minha Primeira Luta (First Match) conta a história de Mo (Elvire Emanuelle), uma garota adolescente cujo único parente vivo é seu pai, Derrel (Yahya Abdul-Mateen II), que por estar preso, precisa se deslocar entre lares adotivos, sendo expulsa de um seguido do outro. Para a surpresa de Mo, ela descobre que seu pai já havia saído da prisão, mas não havia tomado nenhuma iniciativa de procurá-la.

Desesperada por criar algum vínculo com o mesmo, a garota começa a praticar luta livre, esporte que era praticado por seu pai nos seus tempos de juventude. A jovem começa então a lutar em um grupo composto apenas por meninos, superando assim a dificuldade de enfrentar de igual pra igual combatentes do sexo oposto. Seu talento para o esporte faz com que ela atraia a atenção de seu treinador e dos demais membros da equipe, o que acarreta com sua evolução no campeonato em que estão competindo.

Por mais que pareça mais um filme motivacional com uma protagonista problemática que se encontra no esporte e se realiza social e intelectualmente, Minha Primeira Luta não busca esse tipo de desfecho. O filme escrito e dirigido por Olivia Newman está muito mais interessado em utilizar o esporte como uma ferramenta para conduzir o desenvolvimento da personagem. Na verdade, pode-se dizer ainda que a luta livre está mais para um simbolismo do caráter da personagem.

Mo cresceu em um ambiente pobre e bastante violento. Por ter sido desde sempre exposta à violência, sua resposta à tudo que acontece com é a própria violência. Quando começa a se relacionar com seu pai, ela logo descobre que ele não se reabilitou e está novamente praticando os crimes que o colocaram na prisão. Dessa forma, ele a conduz em um caminho ilegal de lutas de vale tudo clandestinas, onde vemos o lado mais agressivo da personagem sendo totalmente liberado.

É aí que acontece a dualidade de Mo, pois enquanto está treinando com sua equipe de luta no tatame, prevalece o respeito entre os atletas, além da disciplina e do companheirismo que são estabelecidos entre eles e o treinador. Já no cenário das lutas ilegais, o que reina é a selvageria, levando-nos a questionar até que ponto alguém que nunca teve nada é capaz de ir para alcançar seus sonhos, mesmo que esses sonhos nem sejam tão ambiciosos assim.

Com uma fotografia realista, atuações bastante convincentes e um enredo cativante e que faz jus à realidade que se propõe a expor, Minha Primeira Luta é um filme que vale a pena ser assistido, especialmente para quem se interessa por filmes de esporte e dramas envolvendo paternidade e comunidades problemáticas.

Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...