Crítica | ‘Roxanne Roxanne’: uma cinebiografia bem feita, porém fria

Exibido no festival de Sundance em 2017, Roxanne Roxanne é o mais recente lançamento da Netflix, que conta a difícil história de vida da compositora e rapper americana Roxanne Shanté (Chanté Adams). Ambientado no início dos anos 80, o longa conta com a participação do ator Mahershala Ali, ganhador do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Moonlight (Barry Jenkins).

Nascida no conjunto habitacional de Queensbridge, em Nova York, Roxanne é uma menina pobre que mora com sua mãe e suas irmãs mais novas. Ela possui dificuldades para ir à escola e é conhecida no bairro por ser ótima em batalhas de rap. A protagonista vive uma vida complicada, tendo que ajudar a sustentar sua família, além de ter uma relação conturbada com a mãe (Nia Long).

Após atender o pedido de um vizinho e gravar uma música despretensiosamente, a personagem se vê diante de uma popularidade crescente. Roxanne consegue realizar o seu grande sonho de se tornar uma estrela da música, porém acaba se distanciando de sua família e amigos. Em meio a agenda lotada de shows e compromissos, a protagonista acaba se envolvendo em um relacionamento amoroso e abusivo com um antigo conhecido, Cross (Mahershala Ali).


Dirigido por Michael Larnell (Cronies), o filme é bem realizado e produzido. O roteiro, do proprio Larnell, não é ruim, mas é carente de alívios cômicos ou diálogos inteligentes. A trama é tão rápida e direta que se torna quase impossível estabelecer algum tipo de ligação com os personagens. Tem mais características de um filme produzido para a televisão. O projeto poderia ser mais musical, se tratando da história de uma cantora famosa.

O elenco e as performances são a melhor parte em Roxanne Roxanne. Nia Long está muito bem como mãe da protagonista. A personagem possui um papel fundamental no destino da protagonista, e é capaz de desenvolver um trabalho digno de indicação ao Oscar. Chanté Adams é outra que arrebenta. Atuação impecável, capaz de ressaltar as dores e sofrimentos de maneira crua e sincera. Mahershala Ali também merece elogios pela boa atuação.

O figurino é outro ponto positivo. Ambientado no início dos anos 80, o estilo é bastante importante. O visual é bem definido e ajuda a passar credibilidade. Tecnicamente o filme é bem realizado. A proposta é atingida e a mensagem passada. Porém, falta alma. A trama é simples e crua, chegando a ser monótona. Os 100 minutos de duração são muito longos e parecem nunca chegarem ao fim.


Roxanne Roxanne tem o seu valor. A trajetória de Roxanne Shanté é bonita e toca em temas importantes, como a violência doméstica, alcoolismo e educação. Mas, acaba não se destacando em meio ao imenso catálogo da gigante do streaming. O filme é pobre em entretenimento, sendo facilmente esquecido. E poderia ser mais bem sucedido, visto que possuí um elenco de peso.

 

 

Iron Ferreira

Carioca e Jornalista em formação. Admirador da comunicação e de suas linguagens. Acredita no cinema como ferramenta capaz de transmitir sentimentos, quebrar preconceitos e mudar o mundo.