Para Steven Spielberg, filmes da Netflix não merecem concorrer ao Oscar

Além de lançar filmes originais (e nem tão bem sucedidos em sua  maioria), a Netflix tem feito acordo de aquisição e distribuição norte-americana e internacional de seus filmes. Mudbound, The Cloverfield – Paradox e Aniquilação são exemplos recentes de modelos adotados pela gigante do streaming. Mas, e na hora da premiação, como no caso do Oscar, como essas produções devem ser tratadas? Em uma entrevista no canal ITV News, o diretor Steven Spielberg se manifestou contra a presença dessas produções em premiações de cinema.

“Depois que você se compromete com um formato de televisão, você é um filme de TV,” disse Spielberg. “Certamente, se é um bom programa, merece um Emmy, mas não um Oscar. Eu não acredito que filmes que só são exibidos em alguns cinemas por menos de uma semana devem se qualificar para o Oscar”, completou o cineasta.

Durante a entrevista, Spielberg também falou sobre a qualidade que existe hoje na TV. “A televisão hoje é maior do que já foi na história”, disse o cineasta, que afirmou existir hoje na televisão ótimos roteiros, diretores, atuações e histórias sendo contadas.

Recentemente, Mudbound recebeu quatro indicações ao Oscar, após ficar em cartaz por uma semana em Nova York e Los Angeles, e assim ser habilitado. Já o documentário A 13ª Emenda, de  Ava DuVernay, não chegou a ser lançado na tela grande e foi indicado ao Oscar 2016 em sua categoria. Outro exemplo é o longa Beasts of No Nation. Embora não tenha sido indicado pela Academia, o filme recebeu indicações ao BAFTA e ao Globo de Ouro.

Em 2017, o original Netflix Okja fez sua estreia no Festival de Cannes e também alimentou a discussão sobre as diferentes plataformas. Tanto é que, após o festival do ano passado, a nova regra estabelece que qualquer filmes selecionado para a competição francesa também precisará ser distribuído nos cinemas.

“Okja” estreou no Festival de Cannes em 2017

Outro cineasta já havia se manifestado recentemente sobre o assunto. Christopher Nolan chamou os planos de distribuição da Netflix, de “bizarro” e “irracional”. Ele chegou a se desculpar, posteriormente, com diretor de conteúdo da empresa, Ted Sarandos.

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...