Crítica | ‘Com Amor, Simon’: uma comédia romântica delicada, sutil e necessária

Dirigido por Greg Berlanti e baseado no livro” Simon vs. A Agenda Homo Sapiens”, da escritora Becky Albertalli, Com Amor, Simon (Love, Simon) é o novo lançamento cinematográfico da Fox. Com estreia marcada para cinco de abril nos cinemas brasileiros, o longa conta, de maneira delicada, os dilemas e problemas de um adolescente gay durante o ensino médio.

Simon Spier (Nick Robinson) é um adolescente americano de 16 anos que mora com seus pais (Jennifer Garner e Josh Duhamel) e sua irmã (Talitha Bateman). Ele estuda e tem uma relação muito boa com seus melhores amigos, Leah (Katherine Langford), Abby (Alexandra Shipp) e Nick (Jorge Lendeborg). Tudo parece normal, exceto pelo fato de Simon enfrentar dificuldades para assumir sua homossexualidade publicamente.

Confuso com toda a situação, e sem ter com quem desabafar, o protagonista começa a trocar e-mails com um destinatário anônimo chamado Blue, após ler sua confissão em uma rede social. Tudo muda quando Simon esquece, acidentalmente, seu e-mail aberto na escola. Martin (Logan Miller), colega de classe do personagem, usa, então, as mensagens como forma de chantageá-lo, a fim de conseguir um encontro com Abby. A partir desse momento, Spier faz de tudo para esconder sua sexualidade e acaba enfrentando as mais diversas surpresas e emoções.

Delicadeza e sutileza são, talvez, as melhores palavras para definir a produção. A história é bem desenvolvida e toca em um assunto necessário e extremamente importante: inclusão. Com Amor, Simon Segue o exemplo de filmes recentes que levantam essa bandeira, como A Forma da Água (Guillermo Del Toro) e Estrelas Além do Tempo (Theodore Melfi), por exemplo. O roteiro é bem amarrado, com bons diálogos e clareza sobre o ponto que deseja alcançar. É, basicamente, uma comédia romântica americana com um protagonista gay. A simplicidade com que a trama é contada impressiona, levando o público a questionar sobre a ignorância que é o preconceito.

A escolha dos atores é outro ponto positivo para a produção. Nick Robinson (Jurassic World) está muito bem no papel principal. O ator consegue passar credibilidade e doçura. Jennifer Garner (De Repente 30), Josh Duhamel (Transformers) e Thalita Bateman (A 5ªOnda) entregam boas interpretações da família amorosa e compreensiva de Simon. O destaque vai para os amigos do protagonista. Katherine Langford (13 Reasons Why), Alexandra Shipp (X-men: Apocalipse) e Jorge Lendeborg (Homem-Aranha: De Volta ao Lar) formam um grupo de adolescentes carismáticos, agregando valor a veracidade da trama. Logan Miller (Como Sobreviver a Um Ataque Zumbi) é o único que deixa a desejar, sendo um pouco “overacting”, em termos de atuação.

Os sentimentos que envolvem o período conturbado que é a adolescência são bem construídos e apresentados. Com Amor, Simon é um bom filme. De todos os seus acertos, o mais louvável é a naturalidade com que o longa trata a homossexualidade. Mostrando, dessa forma, que toda forma de amor é válida e importante.

Iron Ferreira

Carioca e Jornalista em formação. Admirador da comunicação e de suas linguagens. Acredita no cinema como ferramenta capaz de transmitir sentimentos, quebrar preconceitos e mudar o mundo.