Crítica | ‘Mudo’: nova produção da Netflix tem muito mistério e pouco sentido

Dirigido por Ducan Jones, realizador de Lunar (2009) e Warcraft (2016), Mudo (Mute) é o mais novo lançamento de ação da gigante do streaming. Claramente inspirado em sucessos da ficção científica como Blade Runer (1982), de Ridley Scott, e O Quinto Elemento (1997), de Luc Besson, o filme conta a estória de Leo (Alexander Skarsgård), um bartender mudo que segue uma jornada em busca de sua namorada desaparecida, através de uma Berlim totalmente tecnológica e futurista.

Ainda criança, Leo  sofre um grave acidente. Impedido de operar devido às crenças religiosas de sua família, os Amish, ele acaba ficando mudo. Trinta anos depois, o personagem encontra-se trabalhando em uma boate, local onde conhece sua namorada, Naadirah (Seyneb Saleh). Os dois vivem um intenso romance, quando Naadirah desaparece misteriosamente.

A partir disso, Leo inicia uma incessante busca através dos lugares mais obscuros e perigosos da cidade. Cactus Bill (Paul Rudd) e Duck (Justin Theroux), dois cirurgiões americanos que prestam serviços ilegais para o mafioso e dono da boate onde Leo e Naadirah trabalham, Maksim (Gilbert Owuor), parecem estar ligados, de alguma forma, com o desaparecimento da garçonete.

Muito mistério e pouco sentido: cenário, roteiro e atuação

Mudo segue a linha tecnológica e cyberpunk de Altered Carbon, outra grande produção da Netflix. Não possui efeitos especiais excelentes, resultando em um cenário cibernético razoável. A computação gráfica de algumas cenas deixa a desejar, porém, a ambientação e o design de produção não são ruins. A maquiagem é um ponto positivo. O personagem Luba (Robert Sheehan) possui transformações de figurinos e penteados bem executados.

O roteiro, escrito por Duncan Jones e Michael Robert Johnson, soa um pouco confuso em alguns momentos. A relação entre alguns personagens poderia ser melhor trabalhada. A ligação entre Naadirah e Luba é apresentada, mas esquecida ao longo do filme. Outro exemplo é a relação mal explicada de Naadirah, Cactus Bill e Duck, que soa duvidosa, dificultando o acompanhamento e o entendimento da estória.

Apesar das falhas no roteiro, a atuação é destaque no longa. Alexander Skarsgård faz um bom trabalho interpretando um personagem mudo, mesmo que não chegue aos pés de Sally Hawkins em A Forma da Água. A sintonia, em cena, entre Skarsgård e Seyneb Saleh funciona. Paul Rudd consegue construir um bom vilão, cruel e sentimental ao mesmo tempo.

O desenrolar da trama não é emocionante e não provoca a sensação de curiosidade. Em certos momentos, ela se torna monótona. Ducan Jones, filho do lendário David Bowie, poderia ter dado um tom mais sombrio e dinâmico a produção. Mudo não é um filme ruim. Mas, está longe de ser um grande clássico em qualquer um dos temas que se propõe a explorar, seja no mistério ou na ficção científica.

Avaliação: 


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Iron Ferreira

Carioca e Jornalista em formação. Admirador da comunicação e de suas linguagens. Acredita no cinema como ferramenta capaz de transmitir sentimentos, quebrar preconceitos e mudar o mundo.