Crítica | Mudbound: Lágrimas sobre o Mississippi

Mudbound: Lágrimas sobre o Mississippi conta uma estória ocorrida na década de 1940, nos Estados Unidos, em um período de grande tensão racial e preconceito. O longa acompanha a trajetória de duas famílias vivenciando acontecimentos parecidos. Em ambos os casos, um dos filhos, embarca na carreira militar para lutar na Segunda Guerra Mundial. Porém, as semelhanças acabam por aqui, pois uma das famílias é branca e a outra é negra.

Enquanto as famílias lutam para enfrentar seus problemas financeiros,  a família branca liderada por Henry McAllan (Jason Clarke) acaba sendo enganado em uma negociação visando a compra de uma fazenda e acaba passando por maus bocados, tentando levar a vida em uma casa humilde e tendo que dar conta da produção nas terras.

Já na família negra, liderada por Hap (Rob Morgan), o provedor da família acaba por sofrer um acidente e, incapaz de preparar o terreno para a plantação, começa a levar prejuízos – os dois rapazes ingressam nos horrores da guerra. Ambos retornam vivos, mas com graves traumas e isso acaba por reuni-los em uma improvável amizade.

Os problemas começam quando a tensão racial começa a ficar mais estreita e membros da comunidade branca começam a hostilizar Ronsel (Jason Mitchell), sargento do Exército e filho mais velho de Hap, graças a sua relação com Jamie McAllan (Garret Hedlund), irmão mais novo de Henry e ex-piloto de caças.

Durante todo o filme, percebe-se o talento da diretora e também roteirista (ela co-escreve com Virgil Williams) Dee Rees, quando ela cria uma atmosfera de tensão invisível. Mesmo em cenas que aparentemente nada de importante está acontecendo, pode-se sentir uma fina cortina que impede que a qualquer momento possa acontecer um desastre. Essa atmosfera é estabelecida por meio de vários fatores, sejam eles relacionados à ótima escolha do elenco, à fotografia de Rachel Morrison (primeira mulher indicada ao Oscar na categoria) e à trilha sonora composta por Tamar-Kali.

Mudbound: Lágrimas sobre o Missisippi é um ótimo filme, que se destaca mesmo em meio a vários longas recentes sobre preconceito e racismo, que conta com cenas de uma beleza única, momentos sensíveis e cenas em que os atores se comunicam sem dizer nem mesmo uma palavra e, claro, momentos em que demonstram tempos de violência e preconceito, elementos que o filme reproduz com maestria e que provoca grande desconforto por parte do público.

Não é a toa que Mudbound: Lágrimas sobre o Mississippi está concorrendo em quatro categorias do Oscar: melhor atriz coadjuvante (Mary J. Blige), melhor roteiro adaptado , melhor canção original (“Mighty River”) e melhor fotografia.


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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...