Crítica | Everything Sucks! – 1ª temporada

Everything Sucks! é a mais nova produção original da Netflix, criada por Ben York Jones e Michael Mohan. A trama, que é ambientada no ano de 1996, em uma pequena cidade chamada Boring, gira em torno de um grupo de adolescentes impopulares que precisam lidar com as questões voltadas ao amadurecimento, como sexualidade, relacionamento com os pais, sentimentos e bullying.

Luke O`Neil (Jahi Di`Allo Winston) é um adolescente que acabou de ingressar no ensino médio, juntamente com seus melhores amigos Tyler (Quinn Liebling) e McQuaid (Rio Mangini). Ao ingressar no clube de vídeo do colégio, ele se apaixona pela jovem Kate (Peyton Kennedy), que é filha do diretor e tem problemas para lidar com a descoberta da sua homossexualidade. Ken Messner (Patch Darragh) é pai de Kate e sofre, há dez anos, com o suicídio da mulher quando acaba encontrando novamente a felicidade ao lado de Sherry (Claudine Nako), mãe de Luke.

Posteriormente, somos apresentados aos personagens Emaline (Sydney Sweeney) e Oliver (Elijah Stevenson), membros do grupo de teatro que estão ensaiando para uma nova peça. Após a destruição acidental do cenário teatral, Luke sugere a produção de um filme como forma de desculpar-se com o clube de teatro. Envolvidos pelo projeto, os personagens começam desenvolver relações e aprofundarem as suas personalidades.

Roteiro fraco e personagens estereotipados

O intuito da série era produzir uma comédia sobre a infância dos anos 90, abordando a complexidade da transição da puberdade e os desafios envolvidos. Porém, a produção deixa muito a desejar. A história é fraca e pouco envolvente, tornando a maratona dos dez episódios, de aproximadamente meia hora cada, um desfaio. O desenvolvimento de alguns papéis se perde ao longo da trama.

A atuação é outro ponto crítico. Não há interação entre o elenco e alguns atores não conseguem transmitir a profundidade necessária. É quase impossível não comparar com outras produções de sucesso, onda há crianças nos papéis principais, como Stranger Things e It: A Coisa. Winston e Kennedy, respectivamente Luke e Kate, pecam pela pobreza nas expressões, tornando-se pouco atraentes ao público. Os personagens são pouco cativantes. Tyler e McQuaid são estereotipados e a atuação é muito exagerada, beirando o ridículo. Oliver, após a ida para Nova York, é completamente esquecido!

Embora seja confusa, Everything Sucks! Possui alguns momentos de êxito. A trilha sonora com inúmeros sucessos dos anos 90, como Tori Amos, Ace Of Base e Oasis, é um ponto positivo. O conflito sexual apresentado por Kate é interessante e ajuda a desmitificar algumas “verdades” em torno da homossexualidade, entre elas, a de que é uma escolha. A apresentação de um protagonista negro, que se destaca sem ultrapassar nenhum conflito racial, é bonito de assistir.

No geral, a série soa confusa e deixa dúvidas sobre qual objetivo deseja alcançar. O roteiro e o conflito entre os personagens são rasos. A comédia exagerada e fora de tom prejudica muito o desenvolvimento da trama. Os produtores precisam trabalhar muito se quiserem fazer de Everything Sucks! mais um grande sucesso da Netflix.

Avaliação: 


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Iron Ferreira

Carioca e Jornalista em formação. Admirador da comunicação e de suas linguagens. Acredita no cinema como ferramenta capaz de transmitir sentimentos, quebrar preconceitos e mudar o mundo.