Crítica | Altered Carbon: 1ª temporada

Durante os anos 80, surgiu um estilo de filmes, livros e jogos conhecido como ciberpunk, que contava estórias ambientadas em futuros distópicos, com tecnologia avançada, paisagens coloridas e sujas, tudo regado a culturas violentas e que nos fazia refletir acerca dos valores da humanidade.

Obras como Blade Runner, Ghost in The Shell e Mad Max são exemplos de estórias ambientadas ao estilo ciberpunk. E é referenciando esse estilo que surge uma nova série com o selo da Netflix, Altered Carbon, adaptado do cenário criado para a literatura por Richard K. Morgan. E, se há uma coisa em que a série acerta, é na ambientação ciberpunk. A série abusa de cores, texturas, formas e tudo o mais que enriquece e cria uma fotografia belíssima e única.

O enredo fica por conta de narrar os acontecimentos em um cenário futurista com vários planetas e com uma característica bastante peculiar. Ela possibilita o desenvolvimento de uma tecnologia que permite que a consciência de um ser humano seja armazenada em um chip, chamado de cartucho, que pode ser transportado de um corpo para outro, corpos estes que são chamados de capas e que não apenas nascem pelos meios convencionais, mas que também podem, com os recursos necessários, ser fabricados sinteticamente e até mesmo clonados.

Com essa premissa, conhecemos Takeshi Kovacs (Joel Kinnaman), um combatente pertencente ao extinto grupo terrorista conhecido como “Emissários” que é contratado por um bilionário para solucionar um crime. Apesar de a estória se iniciar seguindo o típico detetive em sua jornada para solucionar um caso, o roteiro pouco foca neste tema, preferindo abordar a natureza violenta do protagonista e do cenário brutal que o ronda, assim como flerta com algumas importantes questões fundamentadas em pensamentos viscerais da raça humana.

Se as pessoas agora podem ressuscitar, onde fica a figura de Deus? É sob essa perspectiva que a série toca em assuntos relacionados à fé, à religião e aos questionamentos acerca do que compõe a psique humana, sem mencionar o fato das possibilidades levantadas quando um ser mortal, quando abastado de recursos, se vê obrigado a lidar com a própria imortalidade.

Altered Carbon possui alguns pequenos deslizes em seu roteiro, como por exemplo o fato de já a partir do segundo e terceiro episódios, pouco citar os fatos relacionados à trama principal, dando a impressão de que se esquece que o protagonista está tentando solucionar um crime. Porém, a série possui cenas de encher os olhos, com coreografias de luta bem executadas, cenas de ação eletrizantes, cenários impressionantes e personagens cativantes e bem escritos.


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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...