Crítica | La Casa de Papel: uma minissérie absurda, viciante e divertida

Ao final de 2017, a Netflix disponibilizou em seu catálogo uma das séries mais divertidas do ano. Minissérie espanhola de assalto, La Casa de Papel conta a estória de um grupo de assaltantes que invade a Casa da Moeda da Espanha com máscaras de Salvador Dalí, e começam a dar cabo de um complexo e minucioso plano em que nenhum de seus membros conhece um ao outro, adotando um sistema de identificação em que cada um é chamado pelo nome de uma cidade, com exceção do líder, chamado de Professor (Álvaro Morte).

Os eventos são narrados por uma das assaltantes, a ladra que chamam por Tokyo (Úrsula Corberó) e, por meio de suas narrações conhecemos a trama. O plano do professor tem como objetivo inserir seu grupo na casa da moeda, enquanto ele vigia a tudo o que acontece de sua base em um armazém abandonado. Porém, a despeito do que se pensa no início, o plano não envolve roubar o dinheiro do cofre da Casa da Moeda e sim, manter os funcionários, além de um grupo de menores que estavam em uma excursão escolar no interior da fábrica, para que imprimam novas remessas de dinheiro, a ponto de alcançar uma faixa de bilhões de euros (quantidade muito maior do que seria possível em um simples assalto ao local).

A partir dessa premissa, os eventos que se desenrolam dão início a uma complexa trama repleta de reviravoltas e momentos insanos. Conforme a narrativa se desenrola, o expectador sofre de uma espécie de Síndrome de Estocolmo, identificando-se com os assaltantes conforme suas histórias são reveladas por meio de flashbacks e começa a se ter uma noção do quê motiva cada um deles. Os assaltantes, além de pessoas reais, são extremamente carismáticos e ganham a empatia do expectador, chegando ao ponto do mesmo torcer para que eles tenham êxito em sua empreitada, apesar dela ser criminosa.

Este fato só acontece graças à escolha de elenco e ao trabalho impecável dos atores, além é claro de um roteiro bem executado que, apesar de em alguns momentos contar com breves diálogos expositivos e plot twits que por vezes beiram o Deus Ex Machina. Porém, La Casa de Papel não deixa a peteca cair e nos conta uma estória repleta de emoções, que vale a pena ser contada.

Contudo, o brilho da série se deve mesmo ao talento da direção, que foca em planos geométricos e uma fotografia cuja paleta de cores mescla dependendo da emoção e da situação dos personagens. Isso sem falar que o diretor sabe onde posicionar a câmera, utilizando planos mais fechados quando os personagens estão em apuros e planos mais abertos quando se tem a intenção de relacionar personagem e cenário, além de várias outras técnicas.

La Casa de Papel é uma série bastante divertida que, apesar de possuir algumas falhas, como qualquer outra, vale a pena ser alvo de uma maratona na Netflix.

* Exibida originalmente pela emissora Antena 3, da Espanha, La Casa de Papel está disponível na Netflix. A segunda parte da minissérie estreia em 6 de Abril na plataforma.


Clique aqui e curta a Quarta Parede no Facebook

Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...