Crítica | ‘O Rei da Polca’ tem em Jack Black um dos seus poucos acertos

O primeiro filme original Netflix de 2018 é O Rei da Polca (The Polka King), protagonizado pelo ator/comediante Jack Black. A comédia é uma história baseada em fatos sobre a vida de Jan Lewan, um cantor e empresário polonês que tenta ganhar a vida nos Estados Unidos e acaba se envolvendo em um esquema ilegal de pirâmide financeira.

“A vida deveria ser melhor e mais rica e mais completa para todos, com oportunidades para todos baseado em suas habilidades ou conquistas, independente de sua classe social ou circunstâncias do nascimento”. Essa é a definição do “Sonho Americano” segundo James Adams. Jan Lewan parece ter se espelhado nessa frase ao tomar suas atitudes.

O primeiro ato do filme nos mostra a dura vida que Jan leva, ao trabalhar em diversos empregos ao mesmo tempo para assim conseguir fazer o que gosta: shows de polca com sua banda. Mas ao ser pressionado por sua sogra, que insiste em dizer que ele é um perdedor, ver a fé que sua fútil esposa deposita nele e receber ameaças de alguns integrantes da banda que desejam sair, pois não recebem dinheiro suficiente, Jan começa a elaborar planos para conseguir angariar recursos e daí surge o esquema de investimentos ilegal.

O roteiro é de Maya Forbes e Wally Wolodarsky, que já trabalharam em parceria em diversos filmes como: Sentimentos que Curam (de 2014 com direção da própria Forbes), Quatro Vidas de um Cachorro (2017), Monstros vs. Alienígenas (2009) e O Roqueiro (2008). Ele é criativo e bem dinâmico nos primeiros 20 minutos, porém vai se perdendo a cada cena que passa, não se aprofundando em nenhum assunto e assim como o personagem principal, atira para todos os lados.

Um dos poucos acertos do longa é a escalação de Jack Black para dar vida a Jan Lewan. O carisma do ator nos envolve fazendo-nos tentar prestar atenção na história e nos tirando algumas risadas com suas expressões e pausas. Nas cenas mais dramáticas, ele não prejudica, e na briga de Jan com o filho, ele quase emociona.

A atuação da experiente Jacki Weaver como a sogra de Jan, Barb, também é um ponto forte no longa. Quando lembramos de Jacki, recordamos do seu trabalho altamente dramático em O Lado Bom da Vida (2012), e vê-la como a mal amada e histérica Barb nos surpreende, ao percebemos a veia cômica da atriz, com sua voz esganiçada e expressão quase surreal.

Grande parte do filme traz os shows da banda e isso nos desperta. As performances de quase 10 músicos no palco, uma galinha e uma ursa, junto com as letras excêntricas, ganham destaque e nos proporcionam bons momentos. Fora isso, manter toda a nossa atenção no filme é quase que impossível.


O Rei da Polca é uma comédia descompromissada, para quem quer apenas ligar a TV e assistir um filme, sem esforço e com algumas pitadas de risos, mas, tratando-se de uma produção Netflix, deixou a desejar.

Avaliação: 


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Joel Tavares

Viciado em filmes, séries, teatro e chocolate. Se apaixonou pelo cinema quando era apenas um garotinho e viu Jurrasic Park na telona em inglês. Não entendeu uma palavra, mas os dinossauros eram demais