Crítica | ‘O Rei do Show’ é um grande espetáculo musical

O longa O Rei do Show (The Greatest Showman), dirigido por Michael Gracey, tem como premissa narrar a biografia de P.T. Barnum, considerado por muitos um charlatão de última categoria e que foi um dos principais responsáveis pela criação de uma inovadora plataforma de entretenimento, o circo como conhecemos hoje. Porém, os aspectos biográficos não são nem de longe o foco principal do filme, uma vez que o próprio protagonista não é necessariamente retratado como um charlatão capaz de agir sem escrúpulos em prol de seus objetivos.

Na verdade, o personagem interpretado por Hugh Jackman se parece com uma espécie de herói com leves inclinações, mais para a enganação do que para um vigarista. O filme todo parece estar sendo visto através de um filtro que transforma tudo em uma espécie de contos de fada. Tudo é romantizado. Desde a infância pobre de Barnum até sua ascensão.

Mas não chegamos ainda ao principal objetivo da narrativa que é exibir um show musical impressionante e nisso, o longa se sai muito bem. Com músicas lindas e bem compostas (criadas por Benj Pasek e Justin Paul, consagrados com o Oscar de Melhor Canção Original em La La Land), além de coreografias belíssimas e extremamente bem sincronizadas, o filme emociona quando se levanta contra o preconceito. Durante a obra, o expectador acaba por desenvolver forte empatia pelos membros da trupe do circo, em sua maioria, personagens que são em algum grau, vítimas de preconceito por causa de sua aparência.

Passando pela mulher barbada (Keala Settle), até meros personagens de cor negra (extremamente marginalizados na época em que a estória se desenvolve, em meados do século XIX), mas passando por pessoas com nanismo, gigantismo e outros tipos de ‘anormalidades’ ou mesmo excentricidades como no caso do ‘Homem Tatuagem’, O Rei do Show mostra que todas as pessoas devem ser respeitadas e amadas, independente de como elas sejam. Essa sem dúvida é a melhor coisa no filme.

Acrescentando a isso, não podemos deixar de destacar a química que acontece entre Hugh Jackman e Zac Efron, que conseguem cantar e dançar em uma sincronia que demonstra a própria sintonia que existe entre os dois personagens durante todo o filme. O elenco por completo está bem alinhado, com menção honrosa à Zendaya e Settle (responsável por entoar a belíssima e premiada canção ‘This is Me’).

Apesar de se tratar de um trabalho grandioso, O Rei do Show peca no desenvolvimento de seus personagens. A narrativa é quase totalmente centrada no protagonista, mas gasta algum tempo de tela pincelando alguns personagens e torna tudo muito corrido. Os personagens não gastam tempo de tela demonstrando suas características ou mesmo desenvolvendo suas histórias de maneira humana. É tudo muito jogado sem mais nem menos, o que acaba por não criar personagens memoráveis. As próprias fases da vida de Burnam acabam nãos sendo muito desenvolvidas. Quando se está começando a entrar no clima do que está acontecendo, surge uma virada e nos deparamos com a própria fase na vida do protagonista.

Como um conto de fadas, pode-se se aceitar o raso desenvolvimento dos personagens sem estragar o espetáculo, até por que é isto que O Rei do Show é: um grande espetáculo com canções animadas, outras melancólicas, mas que levantam seu astral e te empolga e emociona a ponto de os expectadores sentirem vontade de aplaudir os números musicais assim que acabam. Isso sem falar no fato de que você sai do cinema cantarolando as belas canções.

Avaliação: 


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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...